A polícia australiana saudou esta terça-feira, 3 de fevereiro, como um herói um rapaz de 13 anos que nadou durante quatro horas para alertar os socorristas e salvar a mãe e dois irmãos que estavam à deriva no mar.O feito correu na sexta-feira, quando Austin Appelbee realizava uma saída em ‘paddle’ e caiaque com a mãe e os irmãos ao largo de Quindalup, cerca de 250 quilómetros a sul de Perth, no estado da Austrália Ocidental.A família planeava estar fora apenas uma hora e deixou a manta de piquenique na praia, sem levar água ou comida, saindo de manhã para o mar em condições aparentemente calmas.No entanto, rapidamente se depararam com dificuldades quando o mar ficou agitado, fazendo com que o caiaque se virasse e ficasse cheio de água, enquanto começavam a ser empurrados para o largo.Perante o perigo, a mãe, Joanne Appelbee, 47 anos, tomou a difícil decisão de enviar o filho mais velho em busca de auxílio, ficando com Beau, 12, e Grace, 8.“Foi uma das decisões mais difíceis que já tive de tomar”, confessou Joanne Appelbee à televisão australiana ABC, citada pela agência de notícias The Associated Press (AP).“Disse ao Austin: 'tenta chegar à costa e pedir ajuda. Isto pode tornar-se muito grave muito rapidamente’”, contou.Joanne Appelbee disse à ABC que sabia que Austin “era o mais forte e que era capaz de o fazer”.“Eu nunca teria ido porque não deixaria as crianças no mar, por isso tive de enviar alguém”, afirmou.O jovem iniciou o percurso num caiaque insuflável, mas este começou a meter água, decidindo nadar cerca de quatro quilómetros e tendo tirado o colete salva-vidas, que lhe estava a dificultar os movimentos, para alcançar terra firme mais rapidamente.“Tive muito medo”, disse hoje aos jornalistas, segundo a agência France-Presse (AFP). “Pensava apenas que ia conseguir. Mas também pensava em todos os meus amigos da escola”, admitiu.O jovem descreveu que, durante o percurso, tentou manter o pensamento em coisas positivas e chegou a cantar o tema de um desenho animado para manter o foco.“As ondas eram gigantescas e eu estava sem colete. Só pensava ‘continua a nadar, continua a nadar’ (...). Continuei a nadar em bruços, 'crawl' e de costas”, disse o rapaz. “Quando finalmente cheguei à praia e bati com os pés no fundo, colapsei”, relatou.Enquanto Austin nadava, a mãe e os dois irmãos mais novos mantiveram-se unidos, cantando e contando piadas para manter o otimismo, até ao pôr-do-sol, momento em que as condições se tornaram mais críticas.Após Austin atingir a praia e alertar as autoridades, um helicóptero de busca localizou a mãe e os irmãos por volta das 20:30 (hora local), equipados com coletes e agarrados a uma prancha de ‘paddle’.Tinham derivado 14 quilómetros e passado cerca de 10 horas na água.Apesar de apresentarem sinais de hipotermia no momento do resgate, os quatro membros da família foram avaliados clinicamente e nenhum necessitou de internamento hospitalar.. “Este rapaz corajoso pensou que não conseguiria chegar com o colete salva-vidas, por isso abandonou-o e nadou as duas horas seguintes sem ele”, afirmou Paul Bresland, dos serviços de salvamento, que classificou o feito como sobre-humano.As equipas de resgate afirmaram que o relato detalhado de Austin sobre o caiaque e as pranchas de ‘paddle’ foi fundamental para localizar a família.Austin contou à ABC que iniciou aulas de natação quando tinha 4 anos, mas admitiu que, até agora, considerava “bastante cansativo” nadar 350 metros sem interrupções.O inspetor da política James Bradley disse que “a determinação e a coragem” do adolescente salvaram a vida dos familiares.“As ações deste rapaz de 13 anos não podem ser suficientemente elogiadas”, acrescentou Bradley.