O governo britânico alegou no sábado à noite que o Kremlin estaria a tentar colocar um líder pró-Rússia no poder na Ucrânia. Mas Londres não se ficou por aí, apontando mesmo um nome: o ex-deputado Yevhen Murayev (o seu primeiro nome também surge adaptado ao alfabeto latino como Yevgeniy ou Yevgen). O político de 45 anos já veio a público rejeitar as acusações - tal como Moscovo. Mas quem é Murayev?.Nascido em 1976 em Kharkiv, no leste da Ucrânia, o político faz parte de um grupo de opositores à liderança pró-ocidental que chegou ao poder após os protestos na praça Maidan, em 2014, segundo a agência Reuters. Para Murayev, os protestos eram um golpe de Estado apoiado pelo Ocidente. Aliado do antigo presidente Viktor Yanukovich, que fugiu para a Rússia após essa revolução, foi deputado de 2014 a 2019, quando o seu partido não chegou aos 5% de votos necessários para entrar no Parlamento. Nesse ano chegou a apresentar o seu nome para as presidenciais, mas desistiu da corrida antes..Apesar de ter sido eleito pelo Bloco da Oposição, o partido formado pelo que restava do Partido das Regiões de Yanukovich (apoiado por Moscovo), optou por se distanciar em junho de 2016, formando o partido Para a Vida. Em 2018 lançaria contudo uma outra formação política, Nashi (que significa Nosso). Tem também desde novembro desse ano um canal de televisão, Nash, que oficialmente é detido pelo seu pai, Volodymyr, e que terá sido fechado no ano passado por suspeita de que estava a espalhar propaganda russa. Em 2017 declarou uma fortuna superior a três milhões de dólares..Murayev tem tido posições que se assemelham à narrativa do Kremlin em vários aspetos, alegando por exemplo no ano passado que o presidente Volodymyr Zelensky era controlado pelo Ocidente. "Zelensky é um refém e está a ser chantageado pelo MI6, a CIA, qualquer um. Amanhã podem forçá-lo a lançar uma ofensiva contra Donbass, que levará a uma guerra em grande escala", referiu. Uma sondagem do think tank Razumkov Centre para as próximas eleições presidenciais, previstas para 2024, coloca-o em sétimo lugar, com 6,3% de intenções de voto. Outra pesquisa, do grupo Rating, coloca-o em quinto..Num comunicado, a chefe da diplomacia britânica, Liz Truss, nomeava não só Murayev como possível candidato do Kremlin na Ucrânia, como alertava para o facto de vários outros antigos políticos ucranianos terem ligações aos serviços de informação russos e estarem a preparar um ataque à Ucrânia. "A informação divulgada faz luz sobre a extensão da atividade russa destinada a subverter a Ucrânia e mostra a forma como o Kremlin pensa", disse a ministra, sem apresentar provas. "A Rússia deve diminuir a escalada, acabar com a sua campanha de agressão e desinformação e seguir o caminho da diplomacia", acrescentou..No Twitter, o Ministério dos Assuntos Externos russo acusou os britânicos de estarem eles a espalhar desinformação, pediu para que pusessem fim às "atividades provocativas" e parassem de "espalhar disparates"..Twittertwitter1485041539218870273.O próprio Murayev disse ao Observer (o jornal de domingo do The Guardian) que os britânicos deviam estar "confundidos", até porque ele próprio está proibido de entrar na Rússia, tendo tido o seu dinheiro e o do seu pai confiscados. Já ontem, no Facebook, escreveu que "o tempo dos políticos pró-Ocidente e pró-Rússia já chegou ao fim na Ucrânia", defendendo que o país precisa de "novos políticos cuja política seja baseada apenas nos princípios dos interesses nacionais e do povo da Ucrânia"..Facebookfacebookhttps://www.facebook.com/yevgeniy.murayev/posts/4435541103216365.O governo ucraniano prometeu entretanto "desmantelar" todos os grupos pró-Rússia que possam estar a trabalhar para desestabilizar o país..susana.f.salvador@dn.pt