Presidente turco propõe cimeira em Istambul entre Putin e Zelensky

Erdogan considerou que a prevalência do "impulso positivo" das negociações realizadas no final de março em Istambul entre delegações dos dois países beneficiaria as duas partes e abriria o caminho para uma paz que é de interesse de todos.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, propôs esta terça-feira a realização de uma cimeira em Istambul entre os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, na sequência de um contacto com o líder do Kremlin.

Segundo a presidência turca, Erdogan falou hoje por telefone com Putin, horas antes de o líder russo se encontrar em Moscovo com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Erdogan considerou que a prevalência do "impulso positivo" das negociações realizadas no final de março em Istambul entre delegações dos dois países beneficiaria as duas partes e abriria o caminho para uma paz que é de interesse de todos.

O líder turco também assinalou a importância de um cessar-fogo na Ucrânia e de assegurar um funcionamento efetivo dos corredores humanitários, e ainda a retirada segura de civis.

A Turquia, membro da NATO, mantém uma "posição neutral" face à guerra na Ucrânia e não se associou às sanções ocidentais contra a Rússia.

Também através de comunicado, o Kremlin indicou que os dois chefes de Estado abordaram a situação "humanitária" na Ucrânia na sequência da "operação militar especial para defender o Donbass" e os esforços para proteger os civis e organizar corredores humanitários.

O comunicado também refere que Putin se referiu à situação em Mariupol, a cidade estratégica do sudeste da Ucrânia cercada há mais de dois meses pelo exército russo.

"A cidade foi libertada e já não decorrem combates", assegurou Putin.

"Em relação aos militares ucranianos e batalhões nacionalistas bloqueados na fábrica Azovstal, as autoridades de Kiev devem assumir as suas responsabilidades políticas e, guiados por princípios humanitários, dirigir-lhes a ordem para deporem as armas", prosseguiu Putin.

Na semana passada Putin, emitiu a ordem para não atacar, mas antes cercar o grande complexo industrial Azovstal, onde estão entrincheirados os últimos militares ucranianos que defendem e a cidade, prometendo que as suas vidas seriam poupadas em caso de rendição.

Ainda segundo o Kremlin, os dirigentes russo e turco também concordaram prosseguir os contactos para garantir "a saída em segurança dos navios turcos dos portos do mar Negro e através dos corredores humanitários organizados pelos russos".

No domingo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, já se tinha reunido em Ancara com Erdogan, para reafirmarem a necessidade urgente de acesso efetivo a corredores humanitários para retirar civis na Ucrânia.

Em comunicado, a ONU informou que Guterres aproveitou o encontro com Erdogan para expressar o seu apoio aos esforços diplomáticos em andamento por parte da Turquia em relação à guerra na Ucrânia, com ambos a reforçarem que o "seu objetivo comum é acabar com a guerra o mais rápido possível e criar condições para acabar com o sofrimento dos civis".

Hoje, e na sequência da deslocação a Moscovo, Guterres encontrou-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, antes da audiência com Putin.

Na quinta-feira, será a vez de Guterres ser recebido em Kiev pelo Presidente Volodymyr Zelensky.

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