O presidente do Líbano, Joseph Aoun, defendeu esta segunda-feira (9 de março) negociações diretas com Israel para conseguir uma trégua, acusando um “grupo armado fora do Estado” - referindo-se ao Hezbollah - de trabalhar para o “colapso” do país em nome do regime iraniano. E disse temer que o seu país acabe por se transformar numa “segunda Gaza”. Israel acusa o governo libanês de falhar no desarmamento do Hezbollah. “O lançamento de alguns rockets do Líbano em direção a Israel foi uma armadilha”, afirmou Aoun numa conversa com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o líder do Conselho Europeu, António Costa. “Há quem deseje que estes rockets atraiam o exército israelita para se infiltrar no Líbano e invadir algumas das suas regiões, talvez até mesmo ocupá-las”, indicou, dizendo que isso pode deixar o país encurralado. O grupo xiita Hezbollah retomou o lançamento de rockets contra Israel a 2 de março, em retaliação pela morte do líder supremo iraniano (esta segunda-feira, 9 de março, jurou fidelidade ao seu sucessor). Em resposta, Israel retomou os bombardeamentos contra alegados alvos do Hezbollah no Líbano, incluindo na capital Beirute, mas também já fez incursões no sul para alegadamente destruir alvos terroristas. Numa semana, morreram 486 pessoas, segundo as autoridades de saúde libanesas, com a Unicef a falar de quase 700 mil deslocados. Esta segunda-feira (9 de março), o Hezbollah reivindicou um ataque com mísseis a uma centro de comando em Ramla assim como a uma “estação de comunicação por satélite” em Beit Shemesh (ambas no centro de Israel), com a imprensa israelita a falar em 16 feridos ligeiros. As Forças de Defesa de Israel alegaram ter destruído, menos de uma hora depois, os três lançadores usados pelo Hezbollah no ataque. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, considera que os israelitas tem o direito a defender-se ao abrigo do direito internacional, insistindo que o Hezbollah tem que desarmar e parar todas as ações contra Israel. Mas, ao mesmo tempo, Kallas considera também “desproporcional” a resposta de Israel, dizendo que arrisca “arrastar o Líbano e o seu povo para uma guerra que não é deles, com graves consequências humanitárias”. E instou Israel a cessar também as suas operações no Líbano, lembrando que “a soberania e a integridade territorial” deste país “devem ser respeitadas”.Entretanto, o Parlamento libanês (onde há 12 deputados do Hezbollah) prolongou o seu próprio mandato por mais dois anos, considerando que não estão reunidas as condições para as eleições previstas para maio. O adiamento já estava a ser estudado mesmo antes do retomar do conflito. .Israel ataca várias posições do Hezbollah no sul do Líbano e lança nova vaga de ataques aéreos contra Teerão