Presidente do Conselho Europeu admite discutir financiamento de muro entre Polónia e Bielorrússia

O Governo polaco iniciou recentemente a construção de um muro com sistema de vigilância ao longo dos 420 quilómetros da sua fronteira com a Bielorrússia, cujo custo disse chegar aos 350 milhões de euros e para o qual pediu ajuda a Bruxelas

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, admitiu esta quarta-feira que a instituição irá discutir, "nos próximos dias", a possibilidade de "financiar uma infraestrutura física", como um muro, para "proteger melhor a fronteira da União Europeia".

O Governo polaco iniciou recentemente a construção de um muro com sistema de vigilância ao longo dos 420 quilómetros da sua fronteira com a Bielorrússia, cujo custo disse chegar aos 350 milhões de euros e para o qual pediu ajuda a Bruxelas.

Num encontro com o primeiro-ministro polaco, o presidente do Conselho Europeu pediu a Varsóvia "para agir de forma rápida e decisiva" na crise da fronteira polaco-bielorrussa, onde considerou estar a ser feito "um ataque híbrido, brutal, violento e indigno".

O primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki, sublinhou que a situação não constitui "uma crise migratória, mas sim uma crise política desencadeada com o objetivo específico de desestabilizar a situação na União Europeia (UE)".

Os dois líderes concordaram que o regime do Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, é o culpado pela situação que se está a viver na fronteira, onde cerca de 800 migrantes se concentram, há dias, num acampamento precário e sob frio glacial, na esperança de passarem a fronteira para a Polónia, ou seja, para a UE.

Acusações que a Bielorrússia rejeita, acusando, por sua vez, a Polónia de violações dos direitos humanos ao recusar a entrada dos migrantes no seu território.

Desesperados, vários destes migrantes têm realizado tentativas violentas de entrar ilegalmente no território polaco.

Esta quarta-feira, a guarda fronteiriça polaca relatou três tentativas, mesmo depois de "terem sido detidas dezenas" de pessoas que conseguiram infiltrar-se durante a noite de terça-feira.

Segundo a porta-voz do órgão de segurança da região, Katarzyna Zdanowicz, "as tentativas foram todas frustradas e as pessoas foram redirecionadas para a Bielorrússia".

"Os acontecimentos dos últimos dias são um teste para a Polónia e um teste para a Europa", disse Morawiecki, acrescentando que o seu Governo está ciente de que pode ocorrer uma "escalada arriscada" da situação e de que "as condições [no local] podem piorar".

Por isso, defendeu o primeiro-ministro, "é preciso enfrentar as estratégias de provocação da Bielorrússia".

Segundo Mateusz Morawiecki, a Polónia vai pedir à UE para impedir voos comerciais entre o Médio Oriente e Minsk, para travar o fluxo de cidadãos desses países para a fronteira polaca e exigir um "aumento da pressão através de sanções apropriadas (ao regime bielorrusso)".

Varsóvia tem acusado a Bielorrússia de usar migrantes com origem no Médio Oriente e em África para desestabilizar a UE, atraindo-os com vistos e facilitando-lhes a chegada à fronteira com países da União Europeia.

Segundo sublinhou o primeiro-ministro polaco, a onda migratória que o seu país, mas também a Letónia e a Lituânia têm enfrentando desde o verão é uma ação de "terrorismo de Estado" perpetrada pelo regime de Lukashenko e constitui "um instrumento de chantagem e vingança" por Bruxelas exigir eleições democráticas na Bielorrússia.

"Estamos atualmente a defender não só a fronteira polaco-bielorrussa, mas também o flanco oriental da UE e a fronteira oriental da NATO. Afinal, o objetivo de Lukashenko é desestabilizar toda a Europa", concluiu Morawiecki.

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