Presidente cessante da Colômbia reitera alegações de fraude eleitoral
FOTO: EPA/Bienvenido Velasco

Presidente cessante da Colômbia reitera alegações de fraude eleitoral

Petro alega que os resultados de milhares de boletins de apuramento foram manipulados por programadores após a transmissão das contagens de votos para a agência responsável pela organização das eleições.
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O presidente cessante da Colômbia, Gustavo Petro, reiterou as alegações de fraude nas eleições de junho, nas quais o partido que lidera perdeu por uma margem estreita para o líder conservador Abelardo de la Espriella.

Numa apresentação de uma hora aos jornalistas, na segunda-feira, Petro alegou que os resultados de milhares de boletins de apuramento foram manipulados por programadores após a transmissão das contagens de votos para a sede do Registo Civil Nacional da Colômbia, a agência responsável pela organização das eleições.

As acusações de fraude foram rejeitadas tanto por observadores internacionais como pelas autoridades eleitorais da Colômbia, que declararam no final de junho que o advogado conservador Abelardo de la Espriella venceu as eleições, ao derrotar o aliado de Petro, Iván Cepeda, por 250 mil votos.

De la Espriella inicia um mandato de quatro anos na sexta-feira, após tomar posse numa sessão conjunta do Congresso.

Petro, um crítico de longa data do 'establishment' político colombiano, recusou-se a reconhecer os resultados das eleições presidenciais de junho.

Na segunda-feira, o Presidente cessante acusou as autoridades eleitorais de terem conduzido uma eleição que classificou como "obscura", manipulada por potências estrangeiras, e afirmou que as autoridades não forneceram os metadados das folhas de apuramento que foram digitalizadas e publicadas num site público, onde os cidadãos podem verificar os resultados de todos os centros de votação do país.

"Estamos perante um problema institucional profundo", afirmou Petro, dizendo tratar-se "da tomada de posse de um presidente ilegítimo".

Nos termos da legislação colombiana, não há muito que Petro possa fazer muito para impedir que De la Espriella preste juramento esta semana, uma vez que a vitória do líder conservador já foi certificada pelos juízes eleitorais.

No entanto, analistas afirmam que as alegações de fraude eleitoral de Petro podem minar a legitimidade de De la Espriella junto de alguns eleitores e polarizar ainda mais a política do país.

Cepeda afirmou que vai organizar uma série de protestos contra o futuro presidente e que não o reconhecerá como líder da Colômbia até que De la Espriella cumpra várias condições, entre as quais a renúncia à dupla nacionalidade norte-americana.

Petro, um antigo membro de um grupo rebelde, instou também na segunda-feira as pessoas das zonas rurais a formarem comités que descreveu como "guardas de libertação", capazes de resistir às ações de destacamentos militares que, segundo diz, estão aliados a grupos mafiosos locais.

Andrés Macias, professor de Ciências Políticas na Universidade Externado da Colômbia, afirmou que as declarações de Petro poderiam ajudar a "justificar o uso de armas por civis" em áreas que já foram afetadas por conflitos entre as forças armadas colombianas, traficantes de droga e grupos rebeldes.

Petro afirmou ainda na segunda-feira que temia "ser retirado" da Colômbia depois de deixar o cargo para se tornar um líder da oposição e continuar a alegar que as eleições na Colômbia foram fraudulentas.

"Disseram-me para me portar bem", afirmou, notando, que "como democrata", não pode aceitar "esta fraude eleitoral".

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