A Costa Rica vai ter eleições gerais no domingo (1 de fevereiro). Que eleições são estas?Cerca de 3,7 milhões de eleitores costa-riquenhos vão escolher todos os 57 deputados da Assembleia Legislativa, além do presidente (e dois vice-presidentes) do país. A Constituição de 1949 estabelece eleições a cada quatro anos, sempre no primeiro domingo de fevereiro, com uma eventual segunda volta das presidenciais no primeiro domingo de abril (por causa da Páscoa, este ano terá que ser a 12 de abril). Para vencer à primeira volta, um candidato ou candidata tem que ter mais de 40% dos votos.Quem são os candidatos à presidência?O presidente Rodrigo Chaves não pode concorrer a um segundo mandato consecutivo (só pode voltar a tentar oito anos depois) e, no boletim de voto, há 20 candidatos a querer o seu lugar. A favorita é a sua antiga ministra da Presidência (antes já tinha sido ministra do Planeamento Nacional e Política Económica), Laura Fernández, de 39 anos. Concorre pelo Partido do Povo Soberano e em algumas sondagens consegue chegar aos 40% necessários para evitar a segunda volta. Contudo, as sondagens também mostram que há muitos indecisos (entre os 30 e os 35%), pelo que a corrida pode não estar ganha. Quem são então os outros candidatos?Há um outro antigo membro do governo de Chaves na corrida: o ex-ministro da Segurança Social e Pensões, Álvaro Ramos, candidato do Partido de Libertação Nacional. Surge em segundo lugar nas sondagens, muito distante de Laura Fernández, e representa, tal como ela, o campo do centro-direita. No centro-esquerda, os candidatos incluem o deputado Ariel Robles, da Frente Ampla, ou a ex-primeira-dama Claudia Dobles (mulher do presidente Carlos Alvarado Quesada que governou entre 2018 e 2022). Concorre pela Coligação Ação Cidadã. O cantor evangélico Fabricio Alvarado, do Partido Nova República (extrema-direita), concorre pela terceira vez. Estes seis candidatos, contando com Fernández, são considerados os principais, tendo participado nos debates. Quais são os grandes temas nestas presidenciais?Há quatro anos, o grande tema era a economia, o custo de vida e o desemprego. Este ano, são os problemas de segurança, com 40% dos eleitores a dizerem que é a sua principal preocupação, depois do aumento da violência ligado ao crime organizado e ao narcotráfico. Em 2025, houve 873 homicídios na Costa Rica, o terceiro pior ano (em 2023 houve 905 e em 2024 foram 876). Cerca de 70% desses homicídios estão ligados a disputas entre grupos de narcotraficantes. Chaves tem tentado travar esta violência e apesar de não ter tido sucesso até agora, deixará o poder com uma aprovação de 58% (a mais elevada de sempre de um presidente antes das eleições). Laura Fernández, que é a aposta da continuidade e promete mão dura contra o crime, quer aproveitar a popularidade do antigo patrão.E o presidente apoia a sua antiga ministra?Rodrigo Chaves apoia Laura Fernández, de tal forma que foi acusado de proselitismo político, violando a lei que impede os presidentes de entrar na campanha. Chaves foi advertido pelo Tribunal Eleitoral, que acusou de o tentar silenciar, tendo também atacado os media. A oposição acusa o partido de querer perpetuar-se no poder.Voltando à segurança, quais são os planos dos candidatos?No último debate televisivo, na segunda-feira (23 de janeiro), a eventual declaração do estado de emergência para combater o narcotráfico dividiu os candidatos. Laura Fernández defende esta medida para determinadas zonas do país, tendo pedido também aos eleitores uma maioria qualificada de mais de dois terços na Assembleia (isto é, mais de 38 deputados) para poder avançar. Mas Claudia Dobles, Álvaro Ramos e Ariel Robles rejeitam qualquer limitação das garantias individuais dos cidadãos, apostando por iniciativas preventivas e por mais presença policial nas comunidades mais afetadas. Fabricio Alvarado apoia a ideia do estado de emergência. É a terceira vez que Alvarado concorre. Como é que se saiu das outras vezes?O deputado e cantor evangélico já concorreu às últimas duas eleições presidenciais, tendo sido a grande surpresa em 2018, quando venceu a primeira volta com quase 25% dos votos. Acabaria contudo por perder na segunda volta para Carlos Alvarado (sem parentesco), o candidato do partido que estava então no poder, apesar do baixo nível de popularidade. Quatro anos depois, Fabricio Alvarado não teve o mesmo sucesso, acabando em terceiro na primeira volta, não indo além dos 15%. Agora, segundo as sondagens, pode nem chegar aos 5%. No último debate, teve ainda que lidar com a acusação de assédio da favorita na corrida. “Que Deus nos livre de um lobo em pele de cordeiro. Em nome das mulheres da Costa Rica, preciso de levantar a voz porque, quando era assessora, como muitas outras, fomos assediadas por este homem”, referiu Laura Fernández, contando que uma vez a encurralou num escritório com a falsa promessa de lhe dar uma Bíblia. A acusação surgiu depois de Alvarado a acusar de “falta de inteligência emocional”. O candidato respondeu entretanto dizendo que a família sabe quem ele é e que enfrentará qualquer acusação.