Portugal "bem alinhado" com a UE e a NATO

Antigo embaixador Martins da Cruz relembra a grande comunidade ucraniana em Portugal e elogia posição das autoridades nacionais.

Portugal está "bem alinhado com a União Europeia e a NATO, como não podia deixar de ser", diz ao DN António Martins da Cruz sobre a crescente tensão entre a Rússia e a Ucrânia. Ou seja o repúdio pela "violação" dos acordos de Minsk, depois das autoridades russas terem reconhecido duas regiões controladas por separatistas em território ucraniano, Donetsk e Lugansk, e o apoio a sanções ao país comandado por Vladimir Putin.

O antigo embaixador de Portugal na NATO relembra que a UE esteve sempre "muito fragmentada sobre as posições da Rússia e perante os pedidos da Ucrânia", mas agora, frisa em tom de elogio, "conseguiu um mínimo denominador comum para impor sanções à Rússia e com as quais Portugal está de acordo".

"A União Europeia conseguiu um mínimo denominador comum para impor sanções à Rússia e com as quais Portugal está de acordo."

Quanto ao impacto desta posição nas relações económicas, Martins da Cruz recorda que a Ucrânia não é um dos parceiros de Portugal, mas há uma forte ligação entre os dois países já que temos uma "grande comunidade ucraniana e cerca de duas centenas de portugueses com dupla nacionalidade".

Tal como, sublinha, não seremos afetados por qualquer retaliação russa no que diz respeito ao gás natural. Ao contrário da Espanha que ainda importa 9% de gás da Ucrânia, Portugal é cliente de outros mercados, no caso Nigéria, Estados Unidos e Argélia.

O Presidente da República português também reagiu ontem e considerou que "a situação fala por si, o passo que foi dado [pela Rússia] fala por si, e a reação também falou por si, ao apontar, por um lado, o que havia de violação clara dos acordos de Minsk e, por outro lado, de questionar a integridade territorial da Ucrânia".

"O reconhecimento russo das duas regiões separatistas da Ucrânia viola claramente os acordos de Minsk e põe em causa a integridade territorial da Ucrânia. Condenamos veementemente esta ação e manifestamos total solidariedade para com a Ucrânia."

Martins da Cruz recorda que a política externa é "da exclusiva responsabilidade do governo", mas "é bom que o Presidente relembre as posições portuguesas.

O primeiro-ministro escreveu no Twitter que "o reconhecimento russo das duas regiões separatistas da Ucrânia viola claramente os acordos de Minsk e põe em causa a integridade territorial da Ucrânia. Condenamos veementemente esta ação e manifestamos total solidariedade para com a Ucrânia."

O presidente do PSD reiterou ontem a condenação da Rússia pela sua atuação na Ucrânia e defendeu que o país "tem de decidir se quer regressar ao pesadelo" da Guerra Fria "ou abraçar a paz".

Também na rede social Twitter, Rui Rio frisou que "a Rússia tem de ser condenada. Faço parte de uma geração que viveu a Guerra Fria e o pesadelo da Destruição Mútua Assegurada; uma geração que sonhou no dia da queda do muro de Berlim. Esta é a hora em que a Rússia tem de decidir se quer regressar ao pesadelo ou abraçar a paz. "

Em defesa da Rússia saiu o PCP, como seria de esperar, mas pedindo diálogo para uma solução pacifica do conflito. Em comunicado, os comunistas consideraram que "a atual situação e os seus desenvolvimentos recentes são inseparáveis de décadas de política de tensão e crescente confrontação" dos Estados Unidos da América (EUA) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) contra a Rússia.

O PCP criticou o "contínuo alargamento da NATO e o sistemático avanço da instalação de meios e contingentes militares deste bloco político-militar cada vez mais próximos das fronteiras" do território russo. Há a "necessidade do desenvolvimento de iniciativas que contribuam para o desanuviamento e que privilegiem um processo de diálogo com vista a uma solução pacífica para o conflito", defendem. Sobre a "preocupação com os acordos de Minsk", o PCP considerou que "é importante ter presente que o regime ucraniano não só nunca os cumpriu, inclusive de forma assumida, como impediu a concretização de uma solução pacífica para o conflito".

Para a Iniciativa Liberal este é um momento em que não podem existir hesitações: "A Rússia procura uma agressão territorial imperialista de grande escala com justificações étnicas/racistas. Os governantes russos têm medo que o seu povo perceba que a democracia liberal é o único sistema político que lhes pode trazer mais prosperidade e uma vida melhor e o exijam, depondo o atual regime autocrático."

paulasa@dn.pt

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