O primeiro-ministro indiano Narendra Modi afirmou este sábado, 30 de agosto, que conversou com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky sobre o “restabelecimento da paz e da estabilidade” na Ucrânia, na véspera de participar numa cimeira na China, onde irá reunir-se com o líder russo, Vladimir Putin.“Trocamos pontos de vista sobre o conflito em curso, os seus aspetos humanitários e os esforços para o restabelecimento da paz e da estabilidade. A Índia apoia plenamente todas as iniciativas nesse sentido”, escreveu Narendra Modi na rede social X, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.Por sua vez, Volodymyr Zelensky agradeceu o apoio de Narendra Modi, sublinhando a importância da Índia enviar “um sinal adequado” à Rússia no âmbito da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, que começa no domingo em Tianjin, nos arredores de Pequim.O líder ucraniano frisou ainda que, apesar da disponibilidade da Ucrânia para dialogar, a Rússia tem mantido ataques contra alvos civis nas últimas semanas.Segundo o chefe de Estado ucraniano, os dois líderes coordenaram posições antes da cimeira em Tianjin, acrescentando que “a Índia está disposta a realizar os esforços necessários e a transmitir a mensagem adequada à Rússia e a outros líderes durante as reuniões paralelas”.A conversa entre Modi e Zelensky decorreu a poucas horas do arranque dos trabalhos da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, que vai juntar até segunda-feira líderes da China, Rússia, Índia, Paquistão, Irão e de várias repúblicas da Ásia Central.O Kremlin (presidência russa) já anunciou que Narendra Modi e Vladimir Putin terão um encontro bilateral na segunda-feira, 01 de setembro, num momento de crescente pressão de Washington, que recentemente impôs tarifas de 50% sobre as exportações indianas, incluindo um agravamento de 25% devido à compra de petróleo russo.O contacto com Zelensky reforça a posição particular de Modi, que procura equilibrar o reatamento das relações com Pequim, após anos de tensão fronteiriça, com a crescente dependência energética de Moscovo e a manutenção de canais diplomáticos com Kiev.A Índia tem insistido numa política de “neutralidade ativa” relativamente à guerra na Ucrânia, apoiando o diálogo, mas sem aderir às sanções ocidentais contra a Rússia, enquanto intensifica os laços energéticos com Moscovo e procura aproximar-se de Pequim antes de uma cimeira considerada determinante.A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado, em ofensivas com drones (aeronaves não-tripuladas), alvos militares em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014.No plano diplomático, após um longo impasse nas conversações entre Moscovo e Kiev, realizou-se a 15 de agosto uma cimeira no Alasca entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo russo, Vladimir Putin, sobre a guerra na Ucrânia, com a possibilidade de um cessar-fogo como a principal questão em debate, mas não foram alcançados quaisquer resultados.O republicano de 79 anos tem estado recentemente envolvido em intensa atividade diplomática, reunindo-se, além do homólogo russo, com Zelensky, que recebeu logo de seguida em Washington, e líderes europeus.Na altura, prometeu reunir os Presidentes russo e ucraniano à volta da mesma mesa..Kaja Kallas diz que Putin "está a gozar" com esforços de paz na Ucrânia.Ex-presidente do parlamento ucraniano morto a tiro em Lviv. "Assassinato terrível", diz Zelensky