Pelo menos oito palestinianos morreram esta segunda-feira e 50 ficaram feridos, dos quais 10 estão em estado grave, numa operação militar israelita de grande escala no norte da Cisjordânia ocupada, indicaram as autoridades palestinianas num novo balanço. Entre 15 a 20 pessoas foram detidas, segundo a BBC, que cita um oficial israelita. .A ofensiva israelita, que começou por via aérea e prosseguiu por terra, deu prioridade a um centro de comando da Brigada de Jenin, que reúne todas as milícias de todas as fações para combaterem em conjunto as tropas israelitas, também utilizado como centro de observação, coordenação e planeamento, depósito de armas e explosivos e esconderijo de outros milicianos envolvidos em ataques nos últimos meses.."Como parte de um extenso esforço antiterrorista na Judeia e Samaria [Cisjordânia], as forças de segurança atacaram um centro de operações, que servia como centro de comando operacional conjunto da Brigada Jenin no campo de refugiados de Jenin", disse um porta-voz do exército israelita..O centro de comando estava rodeado por instalações da Agência da ONU de Assistência aos Refugiados palestinianos no Médio Oriente (UNRWA), de acordo com o porta-voz do exército, Richard Hecht, afirmando que a Autoridade Palestiniana e a Jordânia foram informadas da operação..Esta ofensiva israelita é a primeira desde a Batalha de Jenin em 2002 durante a Segunda Intifada, quando mais de 50 palestinianos e 23 soldados israelitas foram mortos, recorda o The Guardian.."Estamos a atacar o centro do terrorismo (de Jenin) com grande força", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Eli Cohen, a jornalistas.."Há bombardeamentos e uma invasão terrestre", referiu à AFP Mahmoud al-Saadi, diretor do Crescente Vermelho Palestiniano em Jenin. "Várias casas e locais foram bombardeados", acrescentou..Na vizinha Jordânia, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Sinan Majali, enfatizou "que a escalada em curso constitui uma clara violação da lei humanitária internacional, bem como das obrigações de Israel como potência ocupante"..As tropas israelitas estão atualmente "ainda a operar na zona", principalmente apreendendo armas e procurando suspeitos no interior do campo, disse Hecht, salientando que a operação durará "o tempo que for necessário".."A operação está em curso, centrada principalmente no campo de refugiados, nas infraestruturas, nas armas, nos centros de comando e na prevenção de futuros ataques", para "quebrar a dinâmica dos terroristas", cuja estratégia era cometer ataques contra alvos israelitas e fugir para se abrigar no campo, disse Hecht.."O que está a acontecer no campo de refugiados é uma guerra real", disse Khaled Alahmad, motorista palestiniano de uma ambulância, referindo-se aos combates desta segunda-feira..Citado pela Reuters, Alahmad relata que as ambulâncias, cerca de cinco a sete, regressam do campo de refugiados de Jenin "cheias de pessoas feridas"..O primeiro-ministro palestiniano, Mohammed Shtayyeh, promete retaliar perante a ofensiva israelita. "O nosso povo heroico irá enfrentar esta agressão que está a ocorrer sob o olhar da comunidade internacional", afirmou.."Inocentes foram bombardeados. O nosso povo não vai ajoelhar-se e não irá render-se, e permaneceremos em confronto até que esta ocupação criminosa termine", assegurou o chefe do governo palestiniano, citado pela BBC..No último ano e meio, quando os ataques se intensificaram, mais de 50 tentativas de ataques a tiro foram levadas a cabo por milicianos baseados em Jenin, disse Hecht..O Ministro da Defesa israelita, Yoav Gallant, felicitou as forças de segurança pela operação e afirmou que estão a "preparar-se para todos os cenários" enquanto "observam atentamente as ações dos inimigos".."Face ao terrorismo, adotaremos uma abordagem proativa e decisiva. Qualquer pessoa que prejudique os cidadãos de Israel pagará um preço elevado", afirmou Gallant sobre a operação, desencadeada após semanas de especulações sobre a possibilidade de Israel lançar uma campanha militar em grande escala na Cisjordânia..A operação surgiu depois de o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter reunido no domingo à noite o gabinete de segurança, incluindo Gallant, o chefe do Estado-Maior, Hezi Halevi, e o chefe do Shin Bet (serviço de segurança interna de Israel), Ronen Bar, para discutir a situação na Cisjordânia..A Cisjordânia está a viver o maior pico de violência desde a Segunda Intifada (2000-2005) e, até agora, este ano, 147 palestinianos foram mortos no conflito, na maioria milicianos, em confrontos armados com as tropas israelitas, mas também civis..Além das vítimas de Jenin, cujo número pode aumentar, o palestiniano Mohamed Imad Hasanein, de 21 anos, foi baleado na cabeça esta manhã em Al Bireh, no centro da Cisjordânia, perto de Ramallah, num incidente sobre o qual não foram divulgados mais pormenores..Paralelamente, a zona assistiu à proliferação de novos grupos armados palestinianos, que realizam cada vez mais atentados e fizeram 25 mortos do lado israelita, na maioria colonos.