Pelo menos 16 pessoas morreram em Moçambique e 42 foram baleadas desde segunda-feira nas manifestações de contestação aos resultados das eleições gerais de 9 de outubro proclamadas pelo Conselho Constitucional, segundo balanço feito esta terça-feira pela plataforma eleitoral Decide..De acordo com o balanço daquela Organização Não-Governamental (ONG) que monitoriza os processos eleitorais em Moçambique, com dados de 23 e 24 de dezembro, até às 13:30 locais (menos duas horas em Lisboa), como províncias de Nampula, Zambézia e Sofala, norte e centro do país, registaram, cada, quatro mortos, além de dois em Tete e dois na província e cidade de Maputo..Há ainda registo de 42 pessoas baleadas, das quais 15 na cidade de Maputo, sul, e 11 em Nampula, mas também 73 detenções, incluindo 37 na capital moçambicana e 17 em Sofala..O Conselho Constitucional de Moçambique proclamou na tarde de segunda-feira Daniel Chapo, candidato apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder), como vencedor da eleição para Presidente da República, com 65,17% dos votos, sucedendo no cargo a Filipe Nyusi, bem como a vitória da Frelimo, que manteve a maioria parlamentar, nas eleições gerais de 9 de outubro..Este anúncio provocou o caos em todo o país, com manifestantes nas ruas, barricadas, pilhagens e confrontos com a polícia, que tem vindo a realizar disparos para tentar a desmobilização..A capital, Maputo, vive hoje um novo dia de caos, com avenidas bloqueadas por manifestantes, pneus a arder e todo o tipo de barricadas, em contestação ao anúncio dos resultados, que envolvem saque e destruição de vários estabelecimentos privados e públicos, incluindo bancos..Estas manifestações e paralisações, que desde 21 de outubro -- balanço anterior a segunda-feira - já tinham provocado a morte de pelo menos 120 pessoas, têm sido convocadas pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane, que não reconhece os resultados inicialmente anunciados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) e agora proclamados pelo Conselho Constitucional, que lhe atribuem cerca de 24% dos votos..Além de Venâncio Mondlane, também Ossufo Momade, líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, até agora maior partido da oposição) e Lutero Simango, presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM, terceira força parlamentar), ambos candidatos presidenciais, anunciaram que não reconhecem os resultados eleitorais..A proclamação destes resultados pelo Conselho Constitucional confirmou a vitória de Daniel Chapo, jurista de 47 anos, atual secretário-geral Frelimo anunciada em 24 de outubro pela CNE, mas na altura com 70,67%.."Chegou a hora de pensarmos com calma e serenidade sobre a melhor forma de criar uma realidade democrática que representa a riqueza, a diversidade do país. Esse diálogo é chave para superar as nossas diferenças", afirmou Chapo, logo após a proclamação dos resultados..Mondlane considera lamentáveis declarações de Marcelo e Montenegro.O candidato presidencial Venâncio Mondlane considerou hoje lamentáveis os comentários do Presidente da República e do primeiro-ministro de Portugal sobre a proclamação da Frelimo e do seu candidato presidencial como vencedores das eleições pelo Conselho Constitucional de Moçambique (CC).."É realmente lamentável que o primeiro-ministro e o Presidente da República portuguesa tenham feito pronunciamentos a confirmar ou a felicitar a Frelimo e o seu candidato em função de resultados altamente problemáticos, falaciosos e adulterados que foram proclamados pelo CC", disse hoje Venâncio Mondlane, na sua conta do Facebook.. "É lamentável, um país que achávamos que podia ser a entrada de Moçambique para Europa, para que fossem nossos porta-vozes para alcançarmos uma situação de paz e passividade em relação à crise que Moçambique está a viver", acrescentou Venâncio Mondlane..O primeiro-ministro português desejou segunda-feira que a transição de poder em Moçambique decorra de "forma pacífica e inclusiva, num espírito de diálogo democrático", depois de terem sido divulgados os resultados oficiais das presidenciais moçambicanas.. "Concluído o processo eleitoral pelo Conselho Constitucional e designado Daniel Chapo como Presidente eleito de Moçambique, sublinhamos o propósito de que a transição que agora se inicia possa decorrer de forma pacífica e inclusiva, num espírito de diálogo democrático, capaz de responder aos desafios sociais, económicos e políticos do país", escreveu Luís Montenegro, numa publicação na rede social X (ex-Twitter)..O primeiro-ministro acrescentou que "os laços fraternais entre Portugal e Moçambique permanecem um compromisso sólido para o futuro"..O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tinha sublinhado a "importância do diálogo democrático" entre todas as forças políticas de Moçambique e saudado "a intenção já manifestada de entendimento nacional".."Acabados de proclamar os resultados oficiais das eleições presidenciais e legislativas pelo Conselho Constitucional de Moçambique, o Presidente da República tomou conhecimento dos candidatos e da força política declarada formalmente vencedores por aquele Conselho", refere uma nota divulgada na página oficial de Belém na Internet..Na mesma live colocada no Facebook, Mondlane disse que as manifestações são para manter, mas pediu fim da destruição de bens públicos e privados..“As manifestações devem continuar, porque está comprovado que este regime é ilegítimo (...) Vamos permitir a passagem do corpo diplomático, do pessoal médico, das agências funerárias, dos advogados e organizações humanitárias”, pediu Mondlane..De acordo com a proclamação feita, Venâncio Mondlane registou 24,19% dos votos, Ossufo Momade 6,62% e Lutero Simango 4,02%..Enquanto decorria a leitura do acórdão de proclamação dos resultados, já manifestantes, apoiantes de Venâncio Mondlane, contestavam na rua, com pneus em chamas..TAAG cancelou voos desta segunda-feira para Maputo face à insegurança pós-eleitoral.A companhia aérea angolana TAAG anunciou ter cancelado os dois voos que tinha previsto efetuar hoje entre Luanda e Maputo face à insegurança pós-eleitoral que se vive em Moçambique.."A TAAG - Linhas Aéreas de Angola informa que, devido aos acontecimentos mais recentes, e visando garantir a segurança dos nossos passageiros e tripulação, os voos DT581 e DT582, entre Luanda e Maputo, previstos para o dia 24 de dezembro, foram cancelados", lê-se numa publicação no Instagram da companhia aérea angolana.."Lamentamos qualquer inconveniente causado e agradecemos a vossa compreensão face a esta decisão, tomada com o objetivo de assegurar a máxima segurança de todos os envolvidos. Continuaremos a monitorizar a situação e a fornecer atualizações sempre que necessário", conclui a TAAG..A companhia aérea angolana não adianta mais pormenores, desconhecendo-se o número de passageiros afetado e quando retomará os voos para a capital moçambicana..Em causa está a violência pós-eleitoral desencadeada pela não aceitação dos resultados das eleições presidenciais e legislativas de 09 de outubro por parte do candidato Venâncio Mondlane, apoiado pelo Partido Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos, extraparlamentar)..A proclamação dos resultados pelo Conselho Constitucional confirma a vitória de Daniel Chapo, jurista de 47 anos, atual secretário-geral da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder), anunciada em 24 de outubro pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), mas na altura com 70,67%..Venâncio Mondlane, apoiado pelo Partido Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos, extraparlamentar), ficou em segundo lugar, com 20,32%, segundo o anúncio anterior da CNE..Seguiu-se Ossufo Momade, presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), até agora maior partido da oposição, com 403.591 votos (5,81%), seguido de Lutero Simango, presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM, terceiro partido parlamentar) , com 223.066 votos (3,21%)..As eleições gerais de 9 de outubro incluíram as sétimas presidenciais - às quais já não concorreram ao actual chefe de Estado, Filipe Nyusi, que atingiu o limite de dois mandatos - em simultâneo com legislativas e para assembleias e governadores provinciais.