O primeiro-ministro espanhol anunciou, esta segunda-feira, a dissolução do parlamento e a antecipação das eleições legislativas nacionais para 23 de julho, na sequência da derrota dos socialistas, que lidera, nas regionais e municipais de domingo. Pedro Sánchez considerou que, na sequência dos resultados eleitorais, os espanhóis devem "tomar a palavra" e decidir antes do previsto.."Comuniquei ao chefe de Estado [o Rei Felipe VI] a decisão de convocar um conselho de ministros esta mesma tarde e antecipar as eleições gerais", que "se celebrarão no domingo 23 de julho", disse Sánchez, numa declaração a partir da sede do Governo espanhol, em Madrid..YouTubeyoutubewS_5whQzdhA.As eleições legislativas espanholas estavam previstas para dentro de seis meses, em dezembro..Sánchez disse que tomou a decisão face aos resultados das eleições municipais e regionais de domingo, que ditaram o afastamento "de magníficos" presidente autonómicos autarcas socialistas do poder e que "numerosas instituições" autárquicas e autonómicas em Espanha passem "a ser administradas por novas maiorias formadas pelo PP e VOX", partidos de direita e extrema-direita.."Como presidente do Governo e também secretário-geral do partido socialista, assumo em primeira pessoa os resultados e penso ser necessário dar uma resposta e submeter o nosso mandato democrático à vontade popular", afirmou..Sánchez justificou que "nesta altura da legislatura", que está a seis meses do final, o governo que lidera já adotou a generalidade das reformas do programa com que tomou posse e outras que acordou com a União Europeia..Por outro lado, salientou que Espanha vai assumir no segundo semestre deste ano a presidência do Conselho da União Europeia.."Todas estas razões aconselham uma clarificação sobre a vontade dos espanhóis e das espanholas, uma clarificação sobre as políticas que deve aplicar o Governo a nação e uma clarificação sobre as forças políticas que devem liderar esta fase. O melhor é que os espanhóis e as espanholas se pronunciem sem demora para definir o rumo politico do pais", defendeu..Os partidos políticos espanhóis têm até dia 09 de junho para formar coligações e devem apresentar até 19 de junho as listas de candidatos para as eleições gerais antecipadas de 23 de julho..O calendário oficial das eleições gerais de 23 de julho será divulgado na terça-feira, iniciando o período eleitoral, o que implica a proibição de realização de cerimónias de tomada de posse e a autorização para a divulgação de propaganda institucional..Pedro Sánchez é primeiro-ministro de Espanha desde 2018 e na atual legislatura, iniciada em janeiro de 2020, liderou um executivo de coligação entre o partido socialista (PSOE) e a plataforma de extrema-esquerda Unidas Podemos..No domingo, o mapa regional e autárquico de Espanha deixou de ser dominado pelos socialistas com as eleições regionais e locais, que o PP ganhou, reivindicando o início de um "novo ciclo político" no país..O PSOE liderava os executivos regionais de nove das 12 regiões autónomas que tiveram eleições no domingo e perdeu mais de metade, conservando apenas quatro: Astúrias, Canárias, Castela La Mancha e Navarra..Já o PP, que só governava duas das regiões que no domingo foram a votos (Madrid e Múrcia), poderá ficar a liderar oito, a que se juntam Andaluzia e Castela e Leão, que anteciparam para 2022 as eleições e que o Partido Popular também ganhou..Como não venceu com maioria absoluta em todas as regiões, o PP vai depender em alguns casos do apoio do VOX (extrema-direita) para conseguir governar, como é o caso da Extremadura, Aragão ou Baleares..O VOX entrou pela primeira vez num governo em Espanha em 2022, em Castela e Leão, coligado com o PP..Nas eleições municipais, que se realizaram em todo o país, o PP foi também o partido globalmente mais votado, conseguiu uma maioria absoluta na capital espanhola, Madrid, e conquistou à esquerda grandes cidades, como Sevilha e Valência..Tal como em algumas regiões, o PP também vai depender do VOX para governar municípios em que ganhou no domingo.."Espanha iniciou um novo ciclo político", disse já na madrugada de hoje o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, o antigo presidente do governo regional da Galiza que foi eleito líder do partido há pouco mais de um ano e teve no domingo o seu primeiro teste eleitoral..Quem também reivindicou vitória foi o VOX, tanto nas regionais, onde aumentou a representação nos parlamentos autonómicos, como nas municipais, onde alcançou 7,19% dos votos globais (tinha tido 3,56% nas autárquicas anteriores)..Para o líder do partido da extrema-direita, Santiago Abascal, no domingo, o VOX "consolidou-se como projeto nacional" e como partido "absolutamente necessário" para construir uma alternativa à esquerda em Espanha..Líderes regionais dos socialistas admitiram a derrota e falaram num "tsunami" que atingiu o PSOE por todo o território.