Países europeus temem contágios durante o Natal e avançam com restrições

Adiamento do regresso pós-férias, obrigatoriedade de teletrabalho, encerramento de discotecas e restrições na restauração entre as medidas adotadas

A Europa está a entrar nas festividades do Natal com receio de que as celebrações habituais da época aumentem os casos de covid-19, em particular com a variante Ómicron, com vários países a reforçarem medidas para travar os contágios.

Os casos globais de covid-19 caíram 2% na semana passada, apesar do aumento acentuado das infeções que ocorreram recentemente em muitos países da Europa Ocidental, como Reino Unido, França, Suíça ou Espanha, de acordo com o relatório epidemiológico semanal da organização Mundial da Saúde (OMS).

De 13 a 19 de dezembro, foram confirmados 4,1 milhões de casos de infeção pelo novo coronavírus em todo o mundo.

Em dois anos de pandemia foram registadas, no total, 274 milhões de infeções e mais de 5,36 milhões de mortes, segundo dados da agência da ONU com sede em Genebra (Suíça).

Os laboratórios genómicos mundiais detetaram cerca de 14 mil novos casos associados à variante Ómicron do coronavírus SARS-CoV-2 na última semana, quatro vezes mais em relação aos cerca de 3.500 nos sete dias anteriores, segundo o relatório da OMS.

É com este cenário de fundo que vários países europeus estão a avançar com novas medidas para lidar com a progressão da pandemia.

França retarda regresso pós-férias

França abriu esta quarta-feira a vacinação anti-covid-19 para todas as crianças entre os cinco e os 11 anos, de forma voluntária, após o último parecer favorável dos especialistas.

Da mesma forma, Paris quer que, face ao aumento das infeções pela variante Ómicron, a volta das férias seja só feita no início de janeiro e que as empresas aumentem o regime de teletrabalho para três ou quatro dias por semana, quando isso for possível.

Além disso, o executivo francês apresentará na próxima segunda-feira um projeto de lei que visa transformar o certificado covid-19, que é necessário para entrar em bares, restaurantes, cinemas, espetáculos ou estádios, em certificado de vacinação.

Alemanha encerra discotecas

Para fazer frente ao avanço da variante Ómicron, considerada mais transmissível em comparação às outras variantes, o Governo alemão e os Estados federados germânicos concordaram com uma série de restrições que entrarão em vigor em 28 de dezembro.

A partir dessa data, os aglomerados com mais de dez pessoas estão proibidos e os estabelecimentos de diversão noturna devem ser encerrados.

Itália considera reduzir validade do certificado digital

Em Itália, uma reunião de especialistas vai estudar a possível introdução de novas restrições. O primeiro-ministro, Mario Draghi, afirmou que a vacinação obrigatória da população não está em cima da mesa, embora não esteja totalmente descartada.

Entre as medidas que os especialistas irão discutir, o governante referiu especificamente o uso de máscaras ao ar livre, a realização de testes para participar em algumas atividades ou a redução do tempo da validade do certificado sanitário.

Finlândia aumenta restrições na restauração

A Finlândia aumentou as restrições no setor da restauração e na área dos eventos sociais a partir da véspera de Natal.

A partir de 24 de dezembro, os bares e restaurantes devem deixar de servir bebidas alcoólicas às 21:00 e terão que encerrar as portas uma hora depois, assim como os seus clientes irão precisar de apresentar o certificado sanitário para entrar nas instalações.

As restrições serão ainda mais reforçadas a partir de 28 de dezembro, por um período de três semanas, e afetarão principalmente os bares e discotecas, cuja capacidade será reduzida para metade e que terão de encerrar às 18:00.

Bélgica estuda impor novamente "bolhas sociais"

A Bélgica estuda impor novamente "bolhas sociais", cancelando alguns eventos e antecipando o encerramento de restaurantes e bares para tentar conter a progressão do novo coronavírus, medidas sobre as quais o comité consultivo belga decidirá no final do dia desta quarta-feira.

Por enquanto, um confinamento total semelhante ao aplicado nos Países Baixos está excluído.

Em contraste, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, descartou novas medidas antes do Natal, mas não afastou a possibilidade de aplicar mais restrições na próxima semana, assim que os especialistas tenham mais claro o impacto provocado pela variante Ómicron no sistema de saúde.

Já na Áustria, o número de infeções confirmadas com a variante Ómicron do SARS-CoV-2 aumentou 467% entre 12 e 19 de dezembro, em relação à semana anterior, ao totalizar 278 contágios, enquanto esta quarta-feira este número já é de 365 casos.

Entretanto, cerca de cinco mil pessoas do Reino Unido - onde a Ómicron já é a variante dominante - chegaram aos Alpes austríacos nos últimos dias, o que significaria, de acordo com a estimativa das autoridades, 15 novos contágios (da Ómicron) por dia.

A nova variante, a Ómicron, classificada como preocupante pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foi detetada na África Austral, mas desde que as autoridades sanitárias sul-africanas deram o alerta, a 24 de novembro, foram notificadas infeções em pelo menos 89 países de todos os continentes, incluindo Portugal.

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