Se Nicolás Maduro é passado, quem é o futuro da Venezuela? Por ora, é Donald Trump porque os EUA já garantiram que vão avançar "com uma transição segura e adequada" e assumir a governação do país. Mas e depois? Alguma peça do atual regime ou uma figura proeminente da oposição assumirão papel de relevo? Eis a lista de sete atores vistos como eventuais protagonistas nos próximos episódios da história do país sul-americano. NO REGIMEDelcy Rodríguez. Considerada fiel aliada de Maduro, assume, segundo a constituição, o cargo de presidente na qualidade de atual vice executiva. Peça fundamental do regime desde há mais de uma década, foi descrita pelo ex-líder como “um tigre”, razão pela qual foi assumindo uma mão cheia de ministérios, do Petróleo à Informação passando pelas Finanças e Negócios Estrangeiros. Irmã de Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, a advogada de formação exigiu “prova de vida” de Maduro aos EUA.Vladimir Padrino López. Ministro da Defesa, fez um apelo à unidade logo após o que descreveu como “agressão” dos EUA. Está no comando das Forças Armadas desde 2014 e é visto como leal a Maduro e, antes, a Hugo Chávez, quando se recusou na qualidade de comandante de uma unidade de blindados em Caracas a aderir a um levante em 2002 contra o então presidente. Na Venezuela diz-se (ou dizia-se) que as forças armadas do país estão sob seu total controle... Diosdado Cabello. Poderoso e temido, o ministro do Interior tem tido papel discreto na crise até ao momento e pedido “confiança na liderança, no alto comando político-militar, com calma e sem desespero”. Auto-intitulado “chavista radical”, foi vice de Chávez, de quem, consta em Caracas, sempre se sentiu muito mais próximo do que de Maduro. NA OPOSIÇÃOMaria Corina Machado. “Voltarei à Venezuela, disso não tenho dúvidas”, disse Maria Corina Machado logo após receber o prémio Nobel da Paz, em Oslo, no ano passado. Na clandestinidade desde janeiro de 2025, a ex-deputada, engenheira e professora, cuja relevância Trump não parece estar muito interessado em sublinhar, disse que o aliado “Edmundo González deve assumir a presidência já”. Edmundo González. O candidato da Plataforma Democrática Unitária em 2024, após a desqualificação judicial da candidatura de Maria Corina Machado, está em asilo político em Espanha desde 2024. Perdedor de eleições vistas por setores da comunidade internacional como fraudulentas, foi reconhecido como vencedor pelos EUA em novembro de 2024. Tem 76 anos, é diplomata e político e ainda não se pronunciou. Juan Gaidó .Assumiu a “presidência interina” em 2019, após protestos em massa contra Maduro, numa declaração reconhecida pelos EUA e mais 50 países na ocasião. Porém, o governo que supostamente liderava perdeu apoio até na oposição e Gaidó deixou a Venezuela em 2023 para se estabelecer em Miami. Muito menos influente do que em 2019, continua ativo no debate sobre o país a partir dos EUA. Leopoldo López. O fundador do Vontade Popular está exilado em Espanha desde 2020, depois de ter sido preso em 2014 por conexão com a violência decorrente de protestos naquele ano. Em 2019, apoiou Gaidó mas, assim como aliado, perdeu protagonismo nas eleições de 2024 para Corina Machado e Edmundo González. Entretanto, ainda é reconhecido nacional e internacionalmente como figura chave da oposição..Uma “tigresa”, “fã de moda” nascida numa ilustre família de esquerda. Quem é Delcy Rodríguez?.Trump e Maduro: cinco meses de tensão