OMS alerta que Ómicron pode ser especialmente perigosa para não vacinados

A OMS refere que a vacinação deve ser alargada a mais países. Não vacinar pode significar o aparecimento de mais variantes mais transmissíveis e severas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou esta quarta-feira que a variante Ómicron pode ter um impacto maior nos doentes não vacinados. Em conferência de imprensa, a OMS alertou para os perigos da nova variante do SARS-CoV-2, referindo que esta continua a ser grave, sobretudo para os não vacinados.

"Ao passo que a Ómicron causa doença mais ligeira quando comparada com a variante Delta, o vírus continua a ser perigoso, sobretudo para quem não está vacinado", referiu o responsável máximo da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que acrescentou: "Não devemos permitir ao vírus que circule livremente ou que lhe acenemos com uma bandeira branca, especialmente quando tantas pessoas ainda não se encontram vacinadas". Em África, por exemplo, 85% das pessoas ainda não receberam sequer a primeira dose de uma vacina.

O responsável considerou ainda que "não é possível terminar com a fase crítica da pandemia a menos que termine esta desigualdade". Para Ghebreyesus, todos os países deviam ter 10% da população vacinada no final de setembro de 2021, com esse número a aumentar para os 40% no final de dezembro. Em meados de 2022, a percentagem devia rondar os 70%. No entanto, o cenário é diferente. O líder da OMS explica que, apesar dos esforços, "90 países ainda se encontram abaixo dos 40%, com 36 destes a estarem mesmo abaixo dos 10%".

Segundo as declarações de Ghebreyesus, "a esmagadora maioria das pessoas" internadas nos hospitais a nível mundial não se encontram vacinadas, lembrando de seguida que, ainda que as vacinas previnam e sejam eficazes contra casos graves de covid-19 e mortes, a inoculação não previne totalmente a transmissão do vírus.

"Mais transmissão significa mais hospitalizações, mais mortes, mais pessoas fora dos seus postos de trabalho - incluindo professores e profissionais de saúde - e significa que existe mais risco para o aparecimento de outra variante mais severa e transmissível do que a Ómicron", referiu.

Ghebresysus acrescentou ainda que o número de mortes a nível mundial estabilizou em cerca de 50 mil por semana. "Aprender a viver com o vírus não significa que possamos, ou que devamos, aceitar este número de mortes", concluiu.

Número recorde de mais de 15 milhões de infeções no mundo na semana passada

O mundo registou na semana passada um número recorde de mais de 15 milhões de infeções com o coronavírus que causa a covid-19, número ainda assim subestimado, indicou esta quarta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Na semana passada, mais de 15 milhões de novos casos foram reportados à OMS por todo o mundo, de longe o maior número de casos reportados numa única semana, e sabemos que é uma subestimativa", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na videoconferência de imprensa regular da organização sobre a evolução da pandemia da covid-19.

A OMS justifica o "enorme pico de infeções" com a circulação da variante Ómicron do SARS-CoV-2, mais contagiosa e que está a "substituir rapidamente" a antecessora Delta "em quase todos os países".

Apesar de provocar sintomas menos graves, a nova variante do vírus continua a ser perigosa, sobretudo para pessoas não vacinadas, advertiu Tedros Adhanom Ghebreyesus.

"Sejamos claros: embora a Ómicron cause doença menos grave do que a Delta, continua a ser um vírus perigoso, principalmente para os que não estão vacinados", frisou.

Segundo Ghebreyesus, as hospitalizações, apesar de estarem a aumentar, não estão ao nível das vagas anteriores causadas por outras variantes, devido possivelmente à menor gravidade da Ómicron, bem como à imunidade conferida pela vacinação ou por uma infeção prévia.

De acordo com a OMS, o número de mortes notificadas semanalmente manteve-se estável desde outubro, com uma média de 48 mil óbitos por semana.

"Aprender a conviver com este vírus não significa que podemos, ou devemos, aceitar este número de mortes", afirmou o dirigente da OMS.

A líder técnica de resposta à covid-19 na OMS, Maria Van Kerkhove, lembrou que, apesar de menos severa, a Ómicron "está a matar muita gente" e a colocar "pressão crescente" sobre os profissionais de saúde.

Segundo a OMS, a maioria das pessoas internadas em hospitais em todo o mundo não está vacinada contra a covid-19.

As vacinas, apesar de serem eficazes na prevenção da doença grave e morte, não evitam a infeção e a transmissão do vírus.

"Mais transmissão significa mais hospitalizações, mais mortes, mais pessoas afastadas do trabalho, incluindo professores e profissionais de saúde, e maior risco de surgir outra variante ainda mais transmissível e mortal do que a Ómicron", alertou Tedros Adhanom Ghebreyesus, relembrando que 90 países ainda não vacinaram 40% da sua população, sendo que 36 destes países vacinaram menos de 10% da sua população.

Em África, mais de 85% das pessoas ainda não receberam uma única dose, apontou.

A covid-19 é uma doença respiratória provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado há dois anos na China e que se disseminou rapidamente pelo mundo.

A variante Ómicron é a mais recente e a mais contagiosa de todas as variantes de preocupação.

A pandemia da covid-19 provocou mais de 5,5 milhões de mortes no mundo, segundo o mais recente balanço da agência noticiosa AFP.

Em Portugal, desde março de 2020, morreram 19.181 pessoas e foram contabilizados 1.734.343 casos de infeção, de acordo com dados atualizados da Direção-Geral da Saúde.

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