“O ‘português colonizador’ tornou-se alegoria dos problemas brasileiros”
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“O ‘português colonizador’ tornou-se alegoria dos problemas brasileiros”

O investigador Hugo Santarem Rodrigues partilha com o DN as teses do ‘Mito da Imigração” que defende que o país foi recolonizado no século XX, e da “Indo-Brasilidade”, que destaca a relevância do oriente na cultura brasileira.
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O brasileiro Hugo Santarem Rodrigues é mestrando em Estudos Brasileiros na Universidade de Lisboa, onde pretende aprofundar e desenvolver as teses “Indo-brasilidade” e “Mito da Imigração”, que vem desenvolvendo desde 2014, em viagens de longa duração a Goa, Kerala, Chennai, Sri Lanka, Macau e Malaca e pelo próprio Brasil, onde nasceu, há 43 anos, na capital Brasília, filho de pais baianos. 

Graduado em Comunicação Social, em 2004, iniciou pesquisas sobre trabalho escravo contemporâneo no Brasil, que resultaram no longa-metragem Pureza, de 2022, e, desde então, tem utilizado a fotografia e o audiovisual como método investigativo independente.

Segundo o próprio, “a tese da ‘Indo-Brasilidade’ resgata a circulação indo-lusitana na formação cultural brasileira e a tese do ‘Mito da Imigração’ denuncia a colonização dirigida, renomeada ‘imigração’, que afastou o Brasil dos debates e metas internacionais de descolonização”.

Ao propor o conceito de “indo-brasilidade”, sustentada em imagens visuais, sugere que parte da identidade cultural brasileira tem raízes indo-lusitanas pouco reconhecidas. Por que essas ligações foram esquecidas? 

Se a Índia e o Oriente ocupavam posição central nos objetivos da expansão portuguesa, e se a armada de Pedro Álvares Cabral tinha a Índia como destino final ao chegar ao Brasil, por que esses factos não são considerados com a devida relevância na historiografia brasileira? Essa foi uma das questões que levantei durante a investigação sobre as origens de manifestações culturais brasileiras e me motivou a rever fontes primárias. A partir dessas fontes, percorri a antiga Índia Portuguesa em busca de conexões. Eu acredito ter descoberto que culturas consideradas património cultural imaterial brasileiro – Bumba Meu Boi, Maracatu, Cavalo Marinho e o antigo Entrudo de Carnaval brasileiro – contêm matrizes indianas ou indo-lusitanas. A minha interpretação é que isso revelou algo ainda maior: a história do Brasil tem sido apagada. Por que essas ligações teriam sido esquecidas? Acredito que a historiografia brasileira recortou ou minimizou a história da Península Ibérica e da Expansão para o Oriente, criando um hiperfoco no triângulo transatlântico Portugal, Brasil, África e focando especialmente na escravidão. 

Afirma que o Brasil não foi só colonizado por portugueses mas também pelos imigrantes numa espécie de recolonização, até porque hoje são eles os principais “donos da terra”... 

A partir da descoberta que denominei “indo-brasilidade”, aprofundei-me na estrutura que permite tais apagamentos. O que esse enquadramento provocou na percepção dos brasileiros a respeito de sua própria história? Esse aprofundamento levou-me a documentos que evidenciam que práticas e estruturas colonialistas continuam a operar no Brasil – e não me refiro aos portugueses. O que chamam de ‘Grande Imigração no Brasil’ foi também um sistema de colonialismo de povoamento e de colonialismo interno. Italianos, alemães, japoneses e outros europeus selecionados foram para o Brasil por sistemas de colonização dirigida e subvencionada no final do século XIX e no início do século XX com a intenção declarada de criar uma nova classe dominante de proprietários e donos da terra. Em paralelo, o grande fluxo de imigrantes espontâneos ou subvencionados, compostos maioritariamente por portugueses e espanhóis, que foram para o Brasil fora desses novos arranjos colonizadores, serviu historicamente para o ocultamento do novo sistema colonialista que se consolidava. Criaram eufemismos académicos como “branqueamento”, ou “europeização” para explicar esse grande influxo de imigrantes e colonos mas esses termos funcionam como enquadramento que ocultam as verdadeiras categorias que seriam “colonialismo de povoamento” e “colonialismo interno”. Esse enquadramento historiográfico acabou por distanciar o Brasil das metas de descolonização institucionalizadas no pós-Segunda Guerra, reduzindo o período histórico da colonização exclusivamente ao período português e luso-brasileiro. Na verdade, não só digo que esses europeus e japoneses são colonizadores como também digo que o Brasil foi recolonizado. 

Foto da esquerda.
Fotógrafo: Hugo Santarem Rodrigues
Local: Kerala, Índia.
Ano: 2024
Foto da direita.
Fotógrafo: Hugo Santarem Rodrigues
Local: Pernambuco, Brasil.
Ano: 2024.
Foto da esquerda. Fotógrafo: Hugo Santarem Rodrigues Local: Kerala, Índia. Ano: 2024 Foto da direita. Fotógrafo: Hugo Santarem Rodrigues Local: Pernambuco, Brasil. Ano: 2024.

É verdadeiro afirmar-se que a colonização portuguesa é vista de forma desfavorável, e a imigração de forma romantizada pelos meios académicos? 

Hoje, o colonialismo é entendido como um processo de dominação em que estrangeiros subjugam populações locais. O direito à autodeterminação e o respeito aos povos e culturas são princípios consagrados pela ONU com base na Carta das Nações Unidas e na Declaração Universal de Direitos Humanos devendo nortear as relações entre os povos. A construção desse consenso é recente, consolidando-se entre os anos 1940 e 1960. Por isso mesmo, no Brasil, “imigrante” foi transformado num termo moralizante e “colonizador” num termo degradante mas criou-se um recorte historiográfico para que o termo “colonizador” se referisse somente ao português e ao luso-brasileiro. Dessa forma, o "português colonizador" deixou de ser um personagem histórico complexo a ser analisado e transformou-se numa alegoria explicativa dos problemas brasileiros. Não por acaso, interpreto esse deslocamento como forma de impedir uma real descolonização no Brasil. Isso isenta as novas elites colonizadoras, formadas por grupos como italianos, alemães, japoneses e outros europeus. Acredito ter sido por isso que outros pesquisadores não abordaram o que eu estou abordando. Não só pela origem da maioria da classe média brasileira e seus círculos de sociabilidade mas também por haver um viés institucional que nos afasta da leitura da história luso-brasileira de forma humanizada. Digo por experiência própria que eu também possuía esse viés. Foram as múltiplas descobertas, ao longo dos anos de pesquisa, que me fizeram quebrar essas barreiras e me reconectar com parte da minha ancestralidade, a lusa. Anteriormente orientava-me apenas por minha parcela africana e indígena. Espero que meu trabalho consiga ampliar a percepção de outros brasileiros a respeito da própria história. 

Foto da esquerda.
Fotógrafo: Hugo Santarem Rodrigues
Local: Chennai, Índia.
Ano: 2024.
Foto da direita.
Fotógrafo: Hugo Santarem Rodrigues
Local: Brasília, Brasil.
Ano: 2024.
Foto da esquerda. Fotógrafo: Hugo Santarem Rodrigues Local: Chennai, Índia. Ano: 2024. Foto da direita. Fotógrafo: Hugo Santarem Rodrigues Local: Brasília, Brasil. Ano: 2024.

Até que ponto essas visões afastaram e afastam os brasileiros dos portugueses, do ponto de vista cultural e até académico, até aos dias de hoje? 

Não é por acaso que a nova elite brasileira é substancialmente formada por descendentes dos novos arranjos coloniais do fim do século XIX e do início do século XX, enquanto nas regiões e populações com maior parcela de ascendência e influência do período colonial português encontram-se os grupos que são interpretados como a população alvo de preconceitos diversos, como a população nordestina, nortista, ribeirinha, sertaneja ou mestiça. Ou seja, os que receberam terras, auxílio do governo e subsídios, selecionados por critérios raciais, foram reenquadrados como descendentes de "imigrantes", enquanto grupos subalternizados tornaram-se descendentes de "colonizadores". É um reenquadramento cruel e uma violência simbólica contínua. Somos ensinados desde cedo a interpretar “o português colonizador" como fonte de violências e opressões e a acreditar que esse comportamento teria se enraizado no brasileiro, desumanizando o passado de uma parcela significativa dos brasileiros menos favorecidos. O meu argumento é que a produção de uma imagem inferiorizada das matrizes culturais brasileiras, representada pela ascendência e colonização lusitana, funciona como mecanismo justificador para a recolonização e como justificativa da posição subalterna de brasileiros empobrecidos pela atual estrutura colonialista. É como se os colonizadores dissessem aos mais pobres: “A culpa da sua pobreza é sua herança cultural, algo que não compartilhamos”. No Brasil, o afastamento de brasileiros em relação à história e cultura portuguesas parece ser institucionalizado, promovido pelas instituições de ensino e memória pública, gerando animosidade entre o brasileiro e seu próprio passado; eu argumento que esse distanciamento e essa radicalização são propositais e têm fins políticos. 

Foto da esquerda.
Fotógrafo: Hugo Santarem Rodrigues.
Local: Goa, Índia.
Ano: 2024.
Foto da direita.
Fotógrafo: Marcel Gautherot.
Local: São Luís, Brasil.
Ano: 1958.
Foto da esquerda. Fotógrafo: Hugo Santarem Rodrigues. Local: Goa, Índia. Ano: 2024. Foto da direita. Fotógrafo: Marcel Gautherot. Local: São Luís, Brasil. Ano: 1958.Marcel Gautherot

O “devolvam o nosso ouro” entra nesse contexto?

A minha posição não isenta os portugueses de qualquer crime ou erro cometido. Mas enquadramentos como "devolva nosso ouro" servem como desvio. Descolonização real implicaria dizer "devolvam São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo" e lutar por isso. Porque a descolonização não deve ser reduzida a metáfora; a descolonização norteia reparações económicas e territoriais palpáveis. Ainda utilizando o exemplo de “devolvam nosso ouro”: ao falarem do “ouro”, transformam isso em um roubo contra todos os brasileiros. Mas ao falarem de território, naturalizam que um descendente de italiano ou alemão tenha mais direitos ao território de Santa Catarina ou Paraná do que um nordestino ou um carioca teria. Isso mostra como capturaram o discurso da descolonização no Brasil e o transformaram em violência simbólica contra a origem do brasileiro para isentar crimes recentes cometidos por outros grupos, como os genocídios e expropriações de terras praticados por companhias colonizadoras alemãs e italianas em ação conjunta com seus colonos. Vejo o brasileiro como um colonizado pacificado, que aceitou maldizer as suas origens para conviver de forma subalternizada com a nova elite colonizadora. 

Como estas ideias se refletem hoje no debate público brasileiro? 

Acredito que minha tese só consegue ser compreendida reconhecendo que a Primeira República brasileira está inserida nos contextos imperialistas globais, e que ela não foi apenas um fenómeno de disputas internas brasileiras. Essa leitura dá a lente necessária para entender que, a partir de 1889, a República intensificou políticas chamadas de “modernizantes” que absorviam o darwinismo social e teorias raciais, replicando leis e práticas coloniais em convergência com os métodos das potências colonizadoras contemporâneas à República. O Brasil construiu uma nova estrutura colonialista no mesmo período em que o colonialismo se expandiu pelo mundo. A herança portuguesa representava o passado e a “Ordem e o Progresso” só seriam conquistados com os métodos científicos mais avançados. Nesse contexto, entende-se como ideologias imperialistas e o racismo científico, em especial de matrizes germânica, italiana, norte-americana e francesa, foram institucionalizados em decisões consideradas "técnicas e científicas". Mas a memória pública e institucional enquadrou a escravidão como principal razão do racismo estrutural no Brasil, empurrando para o período histórico luso-brasileiro as persistência das desigualdades sociais e raciais. Como se os europeus que foram para o Brasil não possuíssem nenhuma bagagem cultural e tivessem absorvido o racismo dos próprios brasileiros, isentando-os de preconceitos que, no contexto colonialista, seriam facilmente entendidos como hierarquias entre colonizadores e a população local colonizada. Ao contrário do que tentam construir, os colonos que foram para o Brasil não foram agentes passivos na construção dessa estrutura e não é possível negar que eles eram os grandes interessados e beneficiários desse sistema. A escravidão é um trauma coletivo e geracional que não pode ser menosprezado; por isso descrevo como “Manipulação do Trauma da Escravidão” a produção académica e cultural que atribuiu à escravidão as consequências do racismo científico, do colonialismo e da imigração em massa promovida por critérios raciais. A história da escravidão e a do colonialismo são a história do mundo, mas o que acredito ser quase exclusivamente brasileiro é o isolacionismo em relação à descolonização. 

Transportando para a política, são os académicos progressistas que têm tendência para “diabolizar” a colonização portuguesa. 

A esquerda precisa ser, em tese, anticolonial, anti-imperialista e lutar contra agentes que produzem esses sistemas. Por isso, parte desses descendentes de imigrantes e colonos pode tender a se distanciar do seu próprio passado histórico para a manutenção das suas posições de prestígio dentro do campo político da esquerda. Com a minha tese, esses descendentes de imigrantes e colonos podem vir a ser reinterpretados não somente como provas vivas do sistema colonialista e imperialista operado no Brasil mas também como agentes ativos e interessados na preservação dessa estrutura. Com isso, a esquerda poderia vir a ser reorganizada pelos grupos mais afetados pelo colonialismo, retomando suas narrativas e suas lideranças usurpadas. Acredito que essa preocupação seria motivo suficiente para que tentem ignorar ou desacreditar a minha investigação. Esses espaços de prestígio foram justamente preservados com a criação do mito de que colonos eram apenas imigrantes e que esses progressistas contemporâneos seriam aliados anticoloniais lutando para desmontar estruturas históricas enraizadas pelos portugueses. Por isso chamo a construção desse enquadramento historiográfico de “Mito da Imigração”, no qual aponto que as fontes primárias sempre indicaram que se tratava de um sistema de colonização, e que, por definição, eles são também “colonizadores”. E para identificar os agentes que operam para a manutenção do “Mito da Imigração", eu criei algumas categorias interpretativas como tipos de análise. Entre elas, o "colonizador progressista" e o "colonialista reacionário". O “colonialista reacionário” é aquele que é a favor de todo o tipo de colonização e por isso trata a colonização portuguesa de forma elogiosa, eu o enquadraria mais à direita. Mas também existe o "colonizador progressista", aquele que é crítico somente à colonização portuguesa, mas silencia-se sobre a colonização de outros grupos, em especial do grupo de sua ascendência ou de seus círculos de sociabilidade. Esses, na minha opinião, são os mais nocivos, porque são eles que tutelam o debate, produzindo bibliografias que são absorvidas por grupos que clamam por reparações e por justiça histórica, domesticando o colonizado e canalizando os conflitos contra o português histórico. 

Foto da esquerda.
Fotógrafo: Hugo Santarem Rodrigues.
Local: Goa, Índia.
Ano: 2024.
Foto da direita.
Fotógrafo: Hugo Santarem Rodrigues.
Local: Pernambuco, Brasil.
Ano: 2024.
Foto da esquerda. Fotógrafo: Hugo Santarem Rodrigues. Local: Goa, Índia. Ano: 2024. Foto da direita. Fotógrafo: Hugo Santarem Rodrigues. Local: Pernambuco, Brasil. Ano: 2024.

Visa então sobretudo esses “colonizadores progressistas”?

Eu sempre me identifiquei como progressista e de esquerda. O meu projeto nasceu como uma valorização das origens culturais brasileiras e uma busca pela minha própria ancestralidade. Iniciei a pesquisa buscando conexões entre o Brasil e a África. Por eu ser descendente de uma família de origem mais humilde e multirracial, eu tinha uma orientação a valorizar o meu lado negro africano e a ignorar a minha ancestralidade ibérica, portuguesa. Hoje vejo que isso derivava justamente das bibliografias que eu consumia. A minha estrutura familiar e a minha trajetória pessoal possibilitaram-me compreender o sistema que descrevo na minha tese, reconhecendo como eu próprio era conduzido por esses recortes historiográficos. Mudar o foco da minha pesquisa inicial da África para o Oriente decorreu das fontes primárias que encontrei, que apontavam para caminhos contrários aos divulgados em canais oficiais ou culturais que eu consumia. Essa inflexão foi consequência do método de pesquisa diante de novas evidências, e eu realmente não esperava por isso. A ampliação do meu escopo de pesquisa, que me levou a teorizar “indo-brasilidade” e “Mito da Imigração”, mostra o meu interesse num país mais consciente de si, mais justo e descolonizado. Acredito que a esquerda brasileira possa estar sendo radicalizada contra sua própria história e inadvertidamente protegendo os neocolonizadores que são a nova elite colonizadora no Brasil. Por isso, acredito que a historiografia progressista e de esquerda pode tentar ignorar ou enfraquecer minha tese. 

A sua tese sugere que o Brasil ficou à margem dos grandes processos internacionais de descolonização do pós-Segunda Guerra.  

Quando a minha pesquisa se encaminhou para reconhecer que poderia haver um processo de colonização no Brasil republicano, as fontes primárias confirmaram isso com uma clareza que eu jamais imaginaria. As hipóteses logo se tornaram evidências: os colonos eram levados para o Brasil por companhias colonizadoras, formando núcleos coloniais quase exclusivamente para europeus (com leis que estabeleciam limites de brasileiros, às vezes chegando a apenas 10% de nacionais, o que caracterizava segregação institucional). Havia instituições financeiras, como o Banco Colonizador e Agrícola, para fomentar a colonização. O departamento do governo chamava-se "Departamento de Imigração e Colonização". O sistema era de "colonato" e a dívida pelos lotes era chamada de "dívida colonial". Ainda na década de 1930 e 1940, foram criados o Conselho de Imigração e Colonização e a Revista de Imigração e Colonização, órgãos governamentais que conduziam a colonização de forma técnica, mostrando que o sistema de colonização interna persistia em sintonia com lógicas coloniais existentes ao redor do mundo. Os textos governamentais expressavam claramente que a intenção era colonizadora, dialogando com experiências internacionais de outras potências colonizadoras. A gramática da colonização estava explícita. Havia tantas evidências que me parece improvável que instituições políticas, governamentais e de construção de memória tenham ignorado ou relevado esse passado sem alguma intencionalidade. Acredito, inclusive, que a historiografia negligenciou a importância do controle fundiário e as disputas de modelos de imigração/colonização como uma das motivações para o golpe republicano de 1889. O colonialismo atendia aos interesses de elites diversas. Também não considero irrelevante que o maior fluxo de colonização e imigração dirigida tenha se institucionalizado quando o Brasil estava sob um regime autoritário, tornando esse processo ainda mais violento e repressivo contra a população brasileira. Um contexto importante e totalmente desconsiderado em toda a historiografia imigrantista. Por isso, conecto o golpe militar de 1889 ao golpe militar de 1964. O primeiro abriu o Brasil para o processo colonizador global; o segundo consolidou as estruturas colonialistas e isolou o Brasil dos debates e metas internacionais de erradicação do colonialismo. O abolicionista André Rebouças, em 1892, escreveu: “Já considero o Brasil uma nação do passado, como a Grécia antiga.” Ele continua correto, e eu acrescentaria: o Brasil é uma nação no passado.

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