Renee Nicole Good, de 37 anos, morta com um tiro à queima-roupa por um agente da ICE
Renee Nicole Good, de 37 anos, morta com um tiro à queima-roupa por um agente da ICE

Novo vídeo mostra momentos imediatamente antes da morte de mulher às mãos de agente do ICE

As imagens mostram o momento em que Renee Nicole Good, de 37 anos, discute com os agentes antes de ser baleada por um deles ao desviar o carro após ser abordada.
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Um vídeo gravado por um agente federal do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) antes do momento em que uma mulher foi morta com um tiro à queima-roupa em Minneapolis, nos Estados Unidos, foi divulgado esta sexta-feira, 9 de janeiro, nas redes sociais.

As imagens mostram o momento em que Renee Nicole Good, de 37 anos, discute com os agentes antes de ser baleada por um deles ao desviar o carro após ser abordada.

O vídeo foi obtido pelo portal de notícias Alpha News.

As novas imagens mostram Renee a falar com o agente que está a gravar o vídeo. "Está tudo bem", diz a mulher, parecendo tentar acalmar o agente que começou a filmá-la. "Eu não estou zangada consigo. Eu não estou zangada consigo!", acrescentou.

Uma segunda voz, aparentemente da mulher de Reene, pediu ao agente para mostrar a cara, pois este tinha parte da cara tapada.

Ao reparar que ele começou a filmar a matrícula do carro, a mesma mulher disse: "Está tudo bem, não mudamos a nossa matrícula do carro todas as manhãs, só para saberes. Será a mesma matrícula quando voltares a falar connosco mais tarde. Está tudo bem. [Somos] cidadãos dos Estados Unidos. Queres vir buscar-nos? Eu dizia-te para ires comer qualquer coisa, grandalhão."

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Entretanto, um segundo agente do ICE aproximou-se do carro e pediu, por três vezes, para Renee o acompanhar, enquanto a mulher de Renee apelava para que ela prosseguisse a marcha: "Conduz, amor. Conduz, conduz".

Para o governo norte-americano, o novo vídeo corrobora a versão defendida pelo ICE de que os agentes dispararam sobre Renee porque esta terá avançado sobre um deles.

Noutros ângulos da cena, divulgados nos últimos dias, o agente que aparece a filmar a viatura de Renee com um telemóvel é o mesmo que dispara sobre a mulher. Não há qualquer prova de que o novo vídeo tenha sido gravado pelo autor dos disparos, mas, nas imagens divulgadas anteriormente, era o único que aparecia a gravar.

Além disso, no momento em que se ouvem os disparos, o novo vídeo mostra imagens algo instáveis, que parecem indicar que o agente moveu o telemóvel naquele momento.

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Na quarta-feira, um agente do ICE matou a americana Renee Good depois de ter disparado várias vezes sobre ela enquanto a mulher tentava manobrar o seu carro, no meio de protestos contra a presença do corpo federal na cidade do norte do país.

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, insistiu que o agente de controlo de imigração que matou a mulher agiu em "legítima defesa".

"(...) Atropelar um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) com o carro justifica ser baleado. Isso não é bom, aliás, mas quando se obriga alguém a agir em legítima defesa, é quase uma pergunta sem sentido", frisou esta quinta-feira Vance, durante uma conferência de imprensa na Casa Branca.

As escolas públicas da cidade cancelaram as aulas por esta semana por motivos de segurança, enquanto centenas de manifestantes tomaram as ruas de Mineápolis com protestos, acusando os agentes federais anti-imigração do ICE de serem "assassinos".

O governo dos Estados Unidos enviou, desde o início de dezembro passado, cerca de 2.000 agentes federais para Mineápolis. A cidade mais populosa do estado de Minnesota já foi palco de protestos contra a violência policial, quando, em 2020, foi palco do assassinato de George Floyd, a pouco mais de um quilómetro de onde ocorreu o de Renee Good, por um polícia, que desencadeou uma onda de protestos antirracistas em todo o país.

Em 2003, os EUA criaram o Serviço de Imigração e Controlo de Alfândegas (ICE, na sigla em inglês), agência responsável por identificar, deter e deportar imigrantes em situação irregular, bem como investigar crimes como tráfico de pessoas ou contrabando transnacional.

Desde a sua criação, o ICE tem acumulado numerosas críticas e denúncias por discriminação e racismo, que dispararam desde o início do segundo mandato de Donald Trump, que o transformou na ferramenta fundamental da sua política de deportações em massa.

Além do aumento de efetivos para as operações em comércios, associações e locais de trabalho, o ICE beneficia de uma interpretação mais restritiva dos direitos dos imigrantes, que permite aos agentes detenções e deportações sem controlo judicial.

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