Nova festa ilegal em dia de luto da Rainha fragiliza Boris Johnson

Depois de, na quarta-feira, Boris Johnson ter vindo a público pedir desculpa por ter estado presente numa festa em maio de 2020, quando as regras de combate à pandemia não o permitiam, surge outro evento que fragiliza a imagem do primeiro-ministro. Alegadamente, os atos ocorreram nas vésperas do funeral do marido de Isabel II.

Após as polémicas dos últimos dias, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson volta a estar no centro das atenções. Esta sexta-feira, vieram a público alegações de que a sua residência oficial foi palco de outra festa durante um período de confinamento no país. No entanto, existe um dado novo: a alegada festa ocorreu a 16 de abril de 2021, o dia anterior ao funeral do príncipe Filipe, marido da rainha Isabel II.

As alegações divulgadas esta sexta-feira pelo jornal The Telegraph, citado pela AFP, vêm colocar mais pressão sobre Boris Johnson, que luta pelo seu futuro político no meio de uma onda de contestação pública. Apesar do pedido de desculpas público por ter estado numa festa em maio de 2020, estas revelações vêm agravar a polémica em torno do primeiro-ministro.

Segundo o The Telepgrah, estas festas ocorreram em Downing Street, residência oficial de Boris Johnson, com pessoas do seu gabinete a participarem. Ao contrário do que aconteceu em maio de 2020, Johnson não se encontrava na residência. Alegadamente, o líder do executivo britânico estava na sua casa de campo, em Chequers. Na sequência destas informações, o executivo inglês já veio pedir desculpas pelo sucedido. Através de um porta-voz citado pela CNN, Boris Johnson referiu ser "lamentável que tal tenha acontecido durante um período de luto nacional", acrescentando que o executivo de Downing Street já enviou um pedido de desculpas formal à Rainha.

Os três principais partidos da oposição já vieram pedir a demissão de Boris Johnson, com deputados do próprio partido Conservador a juntarem-se a esta onda de contestação. Andrew Bridgen, um dos Tories que mais apoiava Johnson, foi o último a manifestar-se, ao apresentar uma carta de não confiança no primeiro-ministro. Se 54 dos 360 deputados Conservadores fizerem o mesmo, o partido fica com eleições internas à vista - isto se Johnson entretanto não se demitir. No The Telegraph, Bridgen considerou existir "um vazio moral no coração do governo". Também o ministro da Segurança, Damian Hinds, falou sobre estas revelações. Hinds disse estar "chocado" mas incitou as pessoas a esperarem pelo resultado da investigação.

A maioria dos ministros do governo inglês têm apoiado Johnson, com o apoio de potenciais sucessores (como o ministro das Finanças Rishi Sunak) a ser visivelmente mais fraco. Entretanto, o primeiro-ministro pediu a todas as partes que aguardem pelas conclusões de um inquérito interno.

O antigo diretor de comunicação de Johnson, James Slack, veio a público pedir desculpa pelo sucedido. O agora editor-executivo do jornal The Sun referiu que "lamenta profundamente" a "raiva e mágoa" causadas, assumindo "total responsabilidade".

Alegadamente, a festa denunciada esta sexta-feira juntou-se com outro evento, que assinalava a despedida de um dos fotógrafos pessoais de Boris Johnson. Segundo os relatos, um dos funcionários de Downing Street foi visto com uma mala a caminho de um supermercado, com o objetivo de a encher com garrafas de vinho. Na altura, as indicações do governo não permitiam ajuntamentos ou encontros fora do agregado familiar.

A líder dos Trabalhistas, principal partido da oposição, considera que estas revelações demonstram a existência de regras diferentes entre políticos e a população em geral. "A Rainha ficou sozinha, de luto, como tantas outras pessoas em nome do interesse nacional", disse, acrescentando não ter palavras "para a cultura e os comportamentos do Número 10 e responsabilidade é do primeiro-ministro".

A representante da associação de justiça pelas famílias enlutadas pela covid-19, Fran Hall, disse que os atos dos governantes e as suas mentiras "mostram um desdém completo pelo público em geral".

Entretanto, a polícia de Londres disse, na quinta-feira, que aguarda pelas conclusões do inquérito interno antes de decidir sobre a abertura de um processo crime.

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