No discurso do Estado da União mais longo de sempre (uma hora e 48 minutos), o presidente norte-americano, Donald Trump, vangloriou-se na noite de terça-feira, 24 de fevereiro, (madrugada de quarta-feira em Portugal) de ter conseguido uma "recuperação histórica" para os Estados Unidos, apesar das sondagens mostrarem o descontentamento dos eleitores com o seu primeiro ano do mandato."Esta noite, passado apenas um ano [de ter tomado posse], posso dizer com dignidade e orgulho que alcançámos uma transformação sem precedentes e uma reviravolta histórica. Nunca voltaremos ao ponto em que estávamos há pouco tempo", afirmou Trump no seu primeiro discurso deste mandato sobre o Estado da União perante o Capitólio.O chefe de Estado afirmou que o país está a passar pela "época de ouro"."A nossa nação está de volta. Maior, melhor, mais rica e mais forte do que nunca", afirmou, sendo aplaudido pelos aliados no Congresso.O presidente começou por destacar a sua política económica, defendendo que a mesma impulsionou o mercado de trabalho e a indústria nacional — na esperança de convencer os americanos, cada vez mais céticos, de que a economia está mais forte do que muitos acreditam."A economia está mais forte do que nunca", defendeu.Contudo, especialistas em economia dizem que os salários estão a ser superados pelo elevado custo de vida, como moradia, creches e saúde cada vez mais caros.Sondagens da Associated Press-NORC mostram que a maioria dos americanos não acha que o país esteja no bom caminho a nível económico.Cerca de dois terços dos adultos americanos continua a dizer que a economia do país está "má."De 1776 até hoje, cada geração de americanos tem-se apresentado para defender a vida, a liberdade e a busca da felicidade para as gerações futuras. Agora, é a nossa vez. Juntos, estamos a construir uma nação onde cada criança tem a hipótese de ambicionar mais e ir mais longe - onde o Governo responde ao povo, não aos poderosos — e onde os interesses dos cidadãos americanos trabalhadores são sempre a nossa primeira e última preocupação", afirmou o presidente..Novas tarifas não precisarão de aprovação do Congresso, diz presidente dos EUA.O líder norte-americano aproveitou para abordar a decisão tomada pelo Supremo Tribunal na passada sexta-feira, que decidiu que Trump excedeu a autoridade ao impor tarifas abrangentes a vários países usando uma lei reservada para emergências nacionais, e derrubou parte dessa política tarifária.Trata-se de um raro revés para o Governo no Supremo, que possui uma maioria conservadora.Classificou a decisão do Supremo Tribunal como "lamentável" e "totalmente errada", mas evitou repetir os duros ataques pessoais a juízes que lançou na semana passada.Perante os juízes que assistiam ao discurso no Capitólio, o magnata republicano garantiu, que usará outras leis para aplicar as tarifas, "levando a uma solução ainda mais forte do que antes".Trump assegurou que as novas tarifas implementadas após o recente revés do Supremo Tribunal não precisarão de intervenção do Congresso para se tornarem permanentes. Afirmou que a continuidade das tarifas globais que impôs recentemente significa que "não será necessária nenhuma ação do Congresso".O discurso do presidente foi acompanhado com particular interesse este ano, uma vez que o país realiza eleições intercalares em novembro, nas quais os republicanos lutam para manter a sua curta maioria no Senado e na Câmara dos Representantes."Acredito que as tarifas alfandegárias, pagas por países estrangeiros, irão, como no passado, substituir substancialmente o sistema moderno de imposto de renda — aliviando muito o fardo financeiro das pessoas que amo", afirmou.Contudo, apesar de Trump afirmar que os países estrangeiros pagam tarifas americanas, são na realidade os importadores americanos que pagam esses impostos..Portugal pode perder até 370 milhões com as tarifas de Trump."Procurarei a paz onde puder, mas nunca hesitarei em confrontar as ameaças à América onde quer que seja necessário".O chefe de Estado norte-americano procurará a paz onde puder, mas garantiu que "nunca hesitará em confrontar as ameaças à América onde quer que seja necessário". Isto num momento em que os Estados Unidos equacionam um ataque ao Irão."Como presidente, procurarei a paz onde puder, mas nunca hesitarei em confrontar as ameaças à América onde quer que seja necessário", disse.Segundo Trump, o Irão "continua a perseguir as suas sinistras ambições" de desenvolver uma arma nuclear, afirmando que nunca o permitirá."Já desenvolveram mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no estrangeiro. E estão a trabalhar para construir mísseis que em breve poderão atingir os EUA", disse o presidente. "Eles foram avisados para não fazerem novas tentativas para reconstruir o seu programa de armas, em particular as nucleares. No entanto, continuam a começar do zero", afirmou ainda Donald Trump, que invocou a operação 'Midnight Hammer' (Operação 'Martelo da Meia-Noite'), quando, em 22 de junho de 2025, atacou as instalações nucleares de Fordow, Natanz e Isfahan, para lembrar que os Estados Unidos já atuaram contra o programa iraniano.Em reação, o Irão classificou como "grandes mentiras" as afirmações do presidente dos EUA sobre o programa nuclear iraniano. "Qualquer alegação sobre o programa nuclear iraniano, seus mísseis balísticos e o número de vítimas durante os distúrbios de janeiro é simplesmente a repetição de 'grandes mentiras'", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano Ismail Bagaei..Irão diz que afirmações de Trump sobre programa nuclear de Teerão são "grandes mentiras".Trump afirmou que Washington continua "em negociações" com Teerão - para esta quinta-feira está agendada uma nova ronda negocial entre representantes dos dois países em Genebra. "Querem fazer um acordo, mas ainda não ouvimos as palavras secretas: 'Nunca teremos uma arma nuclear'", disse o presidente. Atualmente, os EUA concentram no Médio Oriente, em particular, no Golfo Pérsico, a maior presença de forças desde 2003, incluindo dois grupos de porta-aviões - USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford, o maior dos porta-aviões norte-americanos, vários contratorpedeiros e dezenas de caças de combate - e milhares de tropas. O trânsito da força aérea dos Estados Unidos pela Base das Lages, nos Açores, registou igualmente níveis históricos nos últimos dias..Base das Lajes. Rangel admite "uso mais intensivo" e garante cumprimento “integral” do acordo com os EUA."Estamos a trabalhar muito para acabar" com a "chacina entre a Rússia e a Ucrânia".No que se refere ao Médio Oriente, Trump congratulou-se com a libertação dos reféns israelitas, vivos ou mortos, que o grupo islamita palestiniano Hamas capturou nos ataques de 7 de outubro, de 2023. "Sob o cessar-fogo que negociei, todos os reféns, vivos ou mortos, regressaram a casa. Ninguém pensou que fosse possível", destacou.Ainda no âmbito da política externa, Donald Trump fez referência à guerra na Ucrânia, em curso há quatro anos."Estamos a trabalhar muito para acabar a nona guerra, a morte e a chacina entre a Rússia e a Ucrânia, onde 25 mil soldados estão a morrer todos os meses”, disse. Reiterou que a guerra na Ucrânia nunca teria acontecido se, na altura do início da invasão russa, a 22 de fevereiro de 2022, fosse o presidente dos EUA. .Líderes europeus em Kiev asseguram continuar o apoio, apesar das brechas abertas por Orbán. "Guerra contra a fraude” vai ser liderada pelo vice-presidente JD Vance.O presidente norte-americano anunciou que o vice-presidente, JD Vance, irá liderar a resposta nacional do Governo à alegada fraude no sistema de assistência social."Esta noite, anuncio oficialmente a guerra contra a fraude, que será liderada pelo nosso grande vice-presidente, JD Vance", afirmou Trump. Não deu detalhes sobre o alcance da autoridade conferida a Vance ou das funções do vice-presidente.Trump criticou duramente a corrupção no Congresso, pedindo que os congressistas proíbam a negociação de ações por legisladores. "Mas quando se trata da corrupção que assola os Estados Unidos, não há exemplo mais impressionante do que Minnesota, onde membros da comunidade somali desviaram cerca de 19 biliões de dólares (16 mil milhões de euros) dos contribuintes americanos", acusou.Trump intensificou a retórica contra as fraudes em dezembro, depois dos procuradores do estado do Minnesota revelarem novos detalhes sobre um esquema gigantesco que desviou milhares de milhões de dólares de programas federais. O chefe de Estado culpou os imigrantes somalis pelos casos de fraude sob investigação no Minnesota, declarando que a nova "guerra contra a fraude" irá sanar o défice orçamental do país, sem fornecer mais explicações."Se conseguirmos encontrar fraudes suficientes, teremos um orçamento equilibrado da noite para o dia", disse, sem indicar como é que esses resultados se concretizarão.À medida que aprofundou o discurso em torno dos temas de imigração, crime, segurança eleitoral e questões de género, Trump direcionou as críticas aos democratas presentes no Capitólio."Essas pessoas são loucas, são loucas. (...) Os democratas estão a destruir o nosso país, mas conseguimos impedi-los por um triz", afirmou.Trump criticou também os democratas por se recusarem a financiar o Departamento de Segurança Interna, condicionando esse financiamento a novas restrições aos agentes federais que executam a campanha de Trump contra a imigração ilegal.Os democratas indicaram que não permitirão nem mesmo um financiamento temporário sem que sejam adotadas medidas para restringir as táticas dos agentes de imigração.Contudo, Trump declarou que não vê motivos para negociar com os democratas e, em vez disso, exigiu a reabertura do departamento.O chefe de Estado voltou a insistir em falsas alegações de fraude eleitoral, acusando os democratas de trapacear para vencer as eleições. .Congressista democrata Al Green foi escoltado para fora do plenário.Trump também classificou o seu antecessor, Joe Biden, como um "desastre" e atribuiu ao ex-presidente democrata o "problema habitacional" no país.Nos primeiros minutos do discurso, o congressista democrata Al Green foi escoltado para fora do plenário enquanto os republicanos entovam: "Estados Unidos da América, Estados Unidos da América".Al Green segurava uma placa com a frase "Pessoas Negras Não São Macacas!", numa aparente referência à imagem publicada recentemente por Donald Trump nas redes sociais, que retrava o ex-presidente Barack Obama e antiga primeira-dama Michelle Obama como macacos.Este foi o segundo ano consecutivo em que o democrata do Texas foi retirado do plenário enquanto o presidente discursava no Congresso. . Donald Trump faz esta terça-feira o primeiro discurso sobre o Estado da União do segundo mandato, perante uma sessão conjunta do Congresso.O presidente já havia discursado diante dos congressistas em março do ano passado, durante um tempo recorde de uma hora e 40 minutos, mas esse pronunciamento não foi tecnicamente um discurso sobre o Estado da União.Normalmente, os presidentes iniciam o mandato com um discurso conjunto no Congresso no início do primeiro ano de mandato e, nos anos seguintes, passam a fazer discursos formais sobre o Estado da União.Dezenas de congressistas democratas não compareceram ao discurso de Donald Trump como forma de boicote. A congressista Alexandria Ocasio-Cortez, democrata de Nova Iorque, junta-se à lista de dezenas de democratas proeminentes que estão a boicotar o discurso do presidente.Muitos deles participaram num evento paralelo, denominado "Estado da União do Povo", convocado pela plataforma MoveOn, que decorre perto do Capitólio, em Washington.Nas vésperas do discurso sobre o Estado da União, sondagens mostram que quase 70% dos norte-americanos considera que o presidente não está a dar a devida atenção aos problemas mais importantes do país..Tarifas e Irão assombram discurso do Estado da União de Trump