O funeral de mais um refém, Itzik Elgarat, cujo corpo foi entregue na última quinta-feira.
O funeral de mais um refém, Itzik Elgarat, cujo corpo foi entregue na última quinta-feira. EPA/ABIR SULTAN

Netanyahu faz ameaças e deixa cessar-fogo por um fio

Primeiro-ministro avisa para consequências “inimagináveis” se Hamas não libertar os reféns e rejeita inquérito ao 7 de Outubro.
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O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, avisou esta segunda-feira o Hamas que se não libertar os reféns “haverá consequências inimagináveis”, deixando o cessar-fogo ainda mais fragilizado. O aviso foi feito no Knesset, num discurso durante o qual também rejeitou uma Comissão de Inquérito Estatal aos ataques do 7 de outubro de 2023, nos quais cerca de 1200 pessoas foram mortas e 250 feitas reféns, sendo vaiado pelas famílias dos que continuam sequestrados na Faixa de Gaza.

“Temos o direito a qualquer momento, a partir do dia 42 [do cessar-fogo, que já passou], de abandonar as negociações e regressar aos combates se tivermos a impressão que as negociações são inúteis”, lembrou Netanyahu. “Ainda estamos dentro do acordo, não estamos a violar o acordo, mas não estamos a voltar imediatamente para a guerra”, afirmou, acrescentando. “Quem sabe, talvez precisemos de voltar.”

A primeira fase do cessar-fogo terminou no sábado, não tendo ainda sido negociada a segunda fase. Israel suspendeu a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, com Netanyahu a alegar que o Hamas não pode continuar a “usufruir das condições previstas na primeira fase” sem entregar mais reféns - ainda há 59 no enclave, 36 já declarados mortos. Esta segunda-feira, o porta-voz do governo alegou que o Hamas tem “comida suficiente para alimentar uma epidemia de obesidade”, alegando que o grupo terrorista “acumulou meses e meses de provisões”.

Em relação ao inquérito, Netanyahu rejeita uma comissão com membros nomeados pelo líder do Supremo Tribunal, considerando que esta teria objetivos políticos. O primeiro-ministro, que está a ser julgado por corrupção, alega que todo o sistema legal está distorcido contra si. Alguns dos familiares dos reféns, que estavam nas galerias, viraram as costas a Netanyahu. Mais cedo, antes do debate, os seguranças tentaram impedi-los com violência de ir para a galeria - o caso vai ser investigado. Um dos reféns que morreu e cujo corpo foi entregue na última quinta-feira, Itzik Elgarat, foi ontem sepultado no kibbutz Nir Oz.

Ataque em Haifa

O dia ficou marcado por um ataque à facada em Haifa. Um homem de 70 anos morreu e quatro outras pessoas ficaram feridas na estação de autocarros central da terceira maior cidade de Israel, que é conhecida pela sua multiculturalidade. O suspeito, que foi morto por um segurança, foi identificado como druso (uma das minorias árabes, que representa menos de 2% da população), com as autoridades a falar em terrorismo.

A comunidade drusa, que serve nas Forças de Defesa de Israel e tem vários deputados no Knesset, rejeita esse rótulo e a existência de motivos políticos por detrás do ataque. O suspeito, Jethro Shahin, de 20 anos, tinha problemas mentais conhecidos. “Nunca houve um terrorista druso, nem nunca vai haver um terrorista druso”, disse o deputado Hamad Amar, exigindo um pedido de desculpas à comunidade.

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