O encontro entre os enviados dos EUA e os do Irão, previsto para se realizar esta sexta-feira (6 de fevereiro), não estava esta quarta-feira (4 de fevereiro) confirmado, já que ainda havia dúvidas sobre o local da reunião (inicialmente era na Turquia agora será em Omã) e não havia sequer acordo sobre que temas poderiam estar em cima da mesa. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse que negociações significativas teriam que incluir discussões sobre o arsenal de mísseis iraniano, o apoio a diferentes grupos armados no Médio Oriente e o tratamento do seu próprio povo, mas Teerão deixou claro que só aceita debater o programa nuclear. “Penso que, para que as negociações conduzam a algo significativo, terão de incluir certos pontos”, disse Rubio, citando o programa de mísseis balísticos do Irão, o seu “patrocínio” a grupos armados na região e o tratamento dado aos seus próprios cidadãos, para além da questão nuclear. “Não tenho a certeza se é possível chegar a um acordo com estes tipos", acrescentou numa conferência de imprensa, antes de um evento sobre minerais críticos em Washington. “Mas vamos tentar descobrir”, referiu, lembrando que negociar não significa legitimar o regime do ayatollah Ali Khamenei. Um oficial iraniano, que falou sob anonimato à Reuters, deixou contudo claro que qualquer diálogo só incluiria a questão nuclear e que o programa de mísseis estava “fora da mesa”. Na terça-feira (3 de fevereiro), o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, tinha dito no X ter dado instruções ao seu chefe da diplomacia para “prosseguir negociações justas e equitativas, orientadas pelos princípios da dignidade, prudência e conveniência” com os EUA, “desde que exista um ambiente adequado - isento de ameaças e expectativas irrazoáveis”.A delegação iraniana será liderada precisamente pelo ministro Abbas Araghchi, enquanto do lado norte-americano é esperada a presença do enviado-especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e do genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner. O local da reunião é outra incógnita. “Pensávamos que tínhamos um fórum estabelecido e acordado na Turquia. Foi organizado por vários parceiros que queriam participar e fazer parte dele. Vi ontem [na terça-feira, 3 de fevereiro] relatos contraditórios do lado iraniano, dizendo que não concordavam com isso, pelo que esta questão ainda está a ser analisada”, disse Rubio.Segundo a agência oficial de notícias iraniana, o novo local da reunião seria Omã. A ideia seria manter as negociações sobre o nuclear no mesmo local em que estavam a decorrer no ano passado, tentando evitar uma expansão dos temas a discutir. Esta movimentação diplomática surge depois de Trump ter enviado o que apelidou de “grande armada” para o Golfo Pérsico - liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln - e ter ameaçado atacar o Irão durante a repressão aos protestos contra o regime do mês passado. Apesar de milhares de manifestantes terem sido mortos, Trump recuou na ameaça quando Teerão não avançou com as execuções previstas. Mas o presidente dos EUA está a aumentar a pressão para forçar os iranianos a negociar. “O Irão está a falar connosco, e veremos se podemos fazer alguma coisa, caso contrário, veremos o que acontece”, disse Trump numa entrevista à Fox News, ainda antes de um drone iraniano ser abatido na terça-feira quando se aproximava do USS Abraham Lincoln. Mas Teerão sabe que o diálogo com Washington não significa que uma operação militar esteja fora das opções do presidente norte-americano. O ataque ao programa nuclear iraniano, em junho do ano passado no final da guerra dos 12 dias contra Israel, ocorreu numa altura em que estavam a decorrer negociações.