Moscovo corta negociações para tratado de paz com Tóquio

Em causa o estatuto das ilhas Curilas e um tratado de paz entre os países que se combateram na Segunda Guerra Mundial.

A Rússia anunciou a suspensão das conversações com o Japão para a assinatura de um tratado de paz formal devido à resposta nipónica à invasão russa à Ucrânia. "O lado russo, nas condições atuais, não tenciona continuar as conversações com o Japão sobre o tratado de paz", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo numa declaração. O diferendo de fundo são as ilhas Curilas, ocupadas por Moscovo no final da Segunda Guerra Mundial.

Para surpresa de muitos observadores, o Japão reagiu com uma série de sanções às instituições financeiras russas e às exportações de chips, em concertação com o grupo de países mais industrializados (G7) para pressionar Moscovo.

O ministério russo disse que o fim das discussões se deve "à impossibilidade de discutir o documento central sobre as relações bilaterais com um país que tomou uma posição abertamente hostil e que se esforça por causar danos aos interesses do nosso país". Moscovo vai também pôr fim a um regime de isenção de vistos aos japoneses que queiram visitar as ilhas que conhecem como Territórios do Norte, e vai retirar-se das conversações sobre a atividade económica conjunta nas ilhas. "Toda a responsabilidade pelos danos causados à nossa cooperação bilateral e aos interesses do próprio Japão recai sobre Tóquio", disse o ministério, acusando-o de "escolher conscientemente um caminho antirrusso".

O presidente Vladimir Putin e o antigo primeiro-ministro japonês Shinzo Abe reuniram-se dezenas de vezes para tentar resolver a disputa territorial. Tóquio temia que uma ação agressiva contra a Rússia aproximasse Moscovo de Pequim, comenta James D.J. Brown, professor de Ciência Política na Temple University, em Tóquio. "Mas agora isso mudou completamente", disse à AFP. Agora, a visão é que "o Japão tem que ser duro com a Rússia porque, caso contrário, abre um precedente e talvez encoraje a China a pensar que pode fazer o mesmo".

No médio prazo, o Japão deverá mudar a visão sobre a Rússia na estratégia de segurança nacional, que vai apresentar este ano. "A Rússia será definitivamente classificada como uma ameaça", diz a politóloga Valérie Niquet. "No relatório anterior, de 2013, a Rússia talvez não fosse vista como uma oportunidade, mas certamente não como uma ameaça. Isso vai mudar completamente."

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG