Morreu esta segunda-feira, aos 93 anos, o estilista italiano Valentino Clemente Garavani, também conhecido simplesmente como Valentino. A notícia da morte foi avançada pela Fundação Valentino Garavani. “O nosso fundador, Valentino Garavani, morreu hoje na sua residência em Roma, rodeado pelos seus entes queridos", indica uma publicação nas redes sociais.. Nascido a 11 de maio de 1932 em Voghera, no norte de Itália, entrou no mundo da moda em 1950, quando se mudou para Paris para estudar. Frequentou a École des Beaux Arts e a Chambre Syndicale de la Couture Parisienne e após concluir os estudos foi assistente do grego Jean Dessés, onhecido pelos vestidos de noite plissados, e do francês Guy Laroche, com uma estética mais desportiva.Entretanto voltou a Itália, onde abriu o seu primeiro atelier em 1959, na Via Condotti, em Roma. Chegou a estar à beira da falência mas, com o apoio de Giancarlo Giammetti, fez da sua casa de moda, Valentino, um dos impérios mais famosos do mundo. "Eu era um desastre nos negócios. (...) Durante a minha vida só fui capaz de desenhar, fazer provas, escolher materiais e cuidar da vertente da moda. Ele começou como o meu braço direito (...) focado na vertente dos negócios, da publicidade, das campanhas. (...) O Giancarlo deixou-me fazer tudo o que eu quis", contou Valentino, sobre esta relação profissional que chegou a evoluir para relação amorosa durante alguns anos, durante uma entrevista ao programa Charlie Rose, em 2009.Os caminhos de ambos cruzaram-se numa noite de verão num café na capital italiana. Na altura, Valentino tinha 24 anos e Giammetti 18. "Tinha a minha mesa sempre lá e estava à espera que o clube noturno, chamado Il Pipistrello, abrisse. O café estava com tanta gente que três rapazes perguntaram-me: ‘Podemos partilhar a mesa contigo?’ E um deles era o enfant prodige do mundo da moda, chamado Valentino", recordou Giammetti.A coleção de Alta-Costura All White, de 1968, foi o clique que consolidou Valentino como um dos grandes nomes do design italiano. Era composta por looks monocromáticos em diversos tons de branco e marcou a apresentação do logótipo da marca, o icónico V, um dos pioneiros da febre da logomania.Já durante a década de 1970 abriu a sua primeira loja em Nova Iorque e inventou o pronto-a-vestir, uma mudança histórica no mundo da moda.. Ao longo dos anos, vestiu celebridades e aristocratas como Audrey Hepburn, Elizabeth Taylor, Sophia Loren, Jacqueline Kennedy Onassis, Jennifer Lopez e Julia Roberts.Valentino criou coleções de pronto-a-vestir para homem e mulher, bem como várias coleções de acessórios, incluindo os seus laços favoritos e collants bordados. Os luxo, as matérias nobres, os ornamentos riscos, as linhas fluídas e um vermelho provocador eram alguns dos traços identitários das suas criações.. O estilista foi agraciado com o título de Cavaleiro da Legião de Honra, do presidente francês Jacques Chirac, em julho de 2006. Dois anos depois, recebeu também a medalha de Paris.Paralelamente, venceu galardões em Nova Iorque como o Couture Council Award for Artistry of Fashion do Museu do Fashion Institute of Technology, em 2011; e o Golden Plate Award da American Academy of Achievement, em 2017. Desde 2008 que estava retirado do mundo da moda, tendo anunciado tal decisão quando "a festa estava cheia", conforme disse um dia ao The New York Times.Em 2009 foi tema do documentário Valentino: The Last Emperor, realizado por Matt Tyrnauer, que acompanhou o designer, o seu parceiro de negócios ao longo da carreira, Giancarlo Giammetti, e a sua comitiva nos dois anos que antecederam a reforma. "Eu sei o que as mulheres querem, elas querem ser bonitas”, disse Valentino a um repórter durante o filme. Entretanto, em 2011 foi lançado o Valentino Garavani Virtual Museum, onde os utilizadores podem explorar a história da marca e ter acesso a vestidos, esboços, campanhas e editoriais.Desde que se retirou que se mostrava no Instagram em festas glamorosas na sua propriedade Wideville, em França, ou no seu iate TM Blue One, sempre acompanhado dos seus cinco pugs.. O funeral será realizado na manhã desta sexta-feira, 23 de janeiro, na Basílica Santa Maria degli Angeli e dei Martiri, em Roma.Numa reação à morte do estilista, a primeira-ministra italiana fala num "mestre indiscutível do estilo e da elegância". "Um símbolo eterno da alta costura italiana. Hoje Itália perde uma lenda, mas o legado vai continuar para inspirar gerações", escreveu Giorgia Meloni nas redes sociais.