Meta antecipada. Von der Leyen admite 70% de vacinados até julho

Von der Leyen reiterou que Bruxelas se prepara para fechar um contrato para a compra de 1,8 mil milhões de vacinas.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen diz-se confiante de que "até julho", mais de dois terços da população europeia terá recebido a vacina contra a Covid-19. A falar em Puurs, na fábrica da Pfizer, assumiu que "houve dificuldades no início, como atrasos e engarrafamentos, na produção", mas agora o processo "volta aos carris".

"Com o esforço enorme da BionTech Pfizer e a aceleração das entregas de vacinas, estou agora confiante que teremos doses suficientes para vacinar 70 por cento da população adulta na união europeia, já em julho", afirmou a presidente, antecipando oficialmente a meta, que esperava atingir em setembro "no final do verão".

A presidente da Comissão Europeia lembrou que Bruxelas vai fechar um contrato com a Pfizer em Puurs, para a produção de vacinas para a União Europeia, repetindo o que tinha já afirmado na semana passada, de que "esse contrato prevê a entrega de 1800 milhões de doses para os anos 2022 até 2023".

O contrato que será fechado "nas próximas semanas", deverá garantir doses para todos, incluindo jovens e crianças, e a imunização contra as novas variantes.

"Vai assegurar as doses necessárias para o reforço, para aumentar a imunidade contra o vírus, vai garantir vacinas adaptadas às novas variantes que escapam às vacinas, e devem possibilitar-nos, se for necessário e seguro, vacinar crianças e adolescentes", disse Von der Leyen, acreditando que assim "vai consolidar a liderança europeia na tecnologia de vacinas de RNA mensageiro".

Na semana passada, quando anunciou o referido contrato para a compra de 1,8 mil milhões de doses, a presidente da Comissão Europeia, dava a entender que de futuro, a União deve "concentrar-se em tecnologias que tenham demonstrado mérito", apontando "as vacinas de RNA mensageiro como um claro exemplo disso".

Pfizer/BionTech "parceiro de confiança"

Aquelas declarações marcaram o primeiro momento que Von der Leyen pretendeu fazer claramente uma distinção entre as vacinas produzidas pelo "parceiro de confiança" Pfizer/BionTech e outras tecnologias, embora nunca tenha referido a AstraZeneca, produzida a partir de um vetor de Adenovírus.

Von der Leyen falar no dia em que chegou a ser apontada na imprensa a exclusão da AstraZeneca em contratos futuros, para o fornecimento de vacinas contra a Covid-19, na União Europeia, embora tenha admitido que ao contrato de 1,8 mil milhões de doses "outros contratos com outras empresas poderão seguir-se".

Hoje, lembrou que esse contrato vai ser fechado, e voltou a tecer rasgados elogios à Pfizer, no dia em que a Agência Europeia do Medicamento se prepara para apresentar nos dados sobre as avaliações à vacina da AstraZeneca.

As duas vacinas autorizadas na Europa, produzidas a partir de tecnologia de Adenovíruis têm estado sob pressão, por suposta ligação à formação de coágulos sanguíneos, após a inoculação.

A Agência Europeia do Medicamento tinha concluído uma investigação à vacina de AstraZeneca, reconhecendo que o fármaco merece a confiança dos especialistas, já que "previne os casos graves da doença e está a salvar vidas", afirmou a diretora executiva da Agência europeia do medicamento, Emer Cooke.

Tombroses inscritos como "possíveis efeitos secundários"
Ainda assim, a diretora da agência decidiu que os casos raros de tromboses devem ser inscritos como "possíveis efeitos secundários" da vacina, apesar de os especialistas não encontrarem qualquer pré-condição que possa desencadear as reacções adversas raras.

"Factores de risco específicos, tais como a idade, o género, ou antecedentes clínicos de distúrbios de coagulação, não foram confirmados, uma vez que os casos raros foram identificados em todas as idades e em homens e mulheres", disse Emer Cooke sobre a vacina da AstraZeneca, não havendo, por agora, uma conclusão definitiva sobre o que pode estar na origem do número reduzido de reacções adversas. No entanto, admitiu que possa tratar-se de uma reação do sistema de defesas do próprio organismo à presença do fármaco.

"Uma explicação plausível destes efeitos secundários graves é a uma resposta imunitária à vacina, que conduz a uma condição observada algumas vezes em doentes tratados com Heparina, que se designa como trombocitopenia Heparina-induzida", disse.

A conclusão principal apresentada pela agência europeia do medicamento, é que perante "uma doença muito grave como a Covid-19", que causa "milhares de mortes na União Europeia", está justificada a utilização da vacina da AstraZeneca

"Os benefícios da vacina da AstraZeneca, na prevenção da covid 19, ultrapassam largamente o risco de efeitos secundários", disse a directora da agência.

Mas, esta tarde, na sequência de um pedido de avaliação endereçado pelos ministros da Saúde dos 27, numa reunião presidida por Marta Temido, a agência voltará a pronunciar sobre a vacina da AstraZeneca, entretanto rebaptizada de Vaxzevria.

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