O chanceler alemão, Friedrich Merz
O chanceler alemão, Friedrich MerzEPA/TOMS KALNINS

Merz fala em "big bang" na Alemanha face à provável vitória da extrema-direita

Sondagens nacionais colocam AfD na liderança com 29%, enquanto o executivo de Berlim enfrenta uma crise de governabilidade sem precedentes e eleições regionais cruciais à porta.
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O chanceler alemão, Friedrich Merz, lançou este sábado, 6 de junho, um severo aviso: uma vitória da Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições regionais de setembro representaria um "big bang" político, capaz de desestabilizar as fundações democráticas da maior economia do continente.

Durante o congresso regional da União Democrata-Cristã (CDU) em Linstow, no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Merz sublinhou a gravidade do momento político nas regiões de Leste, afirmando: Se não formos suficientemente bons, então haverá precisamente esse 'big bang' [grande explosão]", que acontecerá em setembro, "de uma forma diferente da que alguns terão imaginado". E acrescentou, categoricamente, que "há mais em jogo do que apenas o futuro de um Governo".

O posicionamento musculado deste fim de semana surge na sequência de um esclarecimento feito pelo Chanceler dias antes. Na terça-feira, 2 de junho, durante uma mesa-redonda no Fórum Económico da Alemanha de Leste, em Bad Saarow (estado de Brandenburg), Merz já tinha fechado de forma perentória a porta a qualquer entendimento com o partido liderado por Alice Weidel, respondendo aos apelos de algumas alas mais à direita que sugeriam uma união para garantir a maioria parlamentar.

"A minha resposta é não. Não farei isso", garantiu o chanceler alemão, em Brandenburg. Na mesma ocasião, o líder germânico justificou a sua intransigência com a defesa do legado democrático do pós-guerra: "Foi sob o governo de Adenauer que nós, na Alemanha, deixámos finalmente para trás a era do nacionalismo. E eu não irei liderar a República Federal da Alemanha — nem o meu próprio partido — para trás, para antes da era de Adenauer."

Sondagens confirmam desgaste de Berlim

Apesar do cordão sanitário traçado pelo chefe do executivo, o eleitorado parece determinado em castigar a fragilidade da atual coligação de governo entre os conservadores (CDU/CSU) e os sociais-democratas (SPD), que conta com uma curta margem de apenas 12 assentos no Bundestag.

Os dados mais recentes do Instituto INSA revelam uma inversão histórica de forças no xadrez político alemão, com a AfD isolada no topo, com 29% das intenções de voto, impulsionada pelo forte descontentamento com as políticas de imigração e energia. A CDU/CSU surge em mínimos, tendo caído para os 21%, pagando o preço do desgaste político após um ano de governação marcado por constantes impasses internos. O índice de descontentamento dos cidadãos alemães com o desempenho do atual executivo federal atingiu uma fasquia recorde de 77%.

Com as eleições de setembro na Saxónia-Anhalt e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental à porta, as declarações de Linstow mostram um executivo em contrarrelógio. Se o eleitorado confirmar as projeções das sondagens, o "big bang" de Merz poderá deixar de ser um mero aviso retórico para passar a ser a realidade prática da nova paisagem política germânica.

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