A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou na quarta-feira (14 de janeiro) que já tinham sido libertados 406 presos políticos, confirmando que o processo “continua aberto”. Mas o Foro Penal, uma organização de direitos humanos venezuelana de apoio aos presos e às famílias, só contabilizava a libertação de 84 pessoas até às 20h00 de quarta-feira em Caracas (00h00 de quinta em Lisboa), incluindo 17 estrangeiros ou com dupla nacionalidade. Como se explica a disparidade dos números? “Informamos o país que continuamos a avaliar os casos e a avançar no processo de libertações iniciado pelo presidente Nicolás Maduro em 2025, para consolidar um novo momento político que permita a convivência, reconhecimento e respeito entre os venezuelanos, com cumprimento da lei”, indicou a presidente interina no Telegram, na quarta-feira. Os números oficiais da Venezuela incluem precisamente 194 presos que foram libertados ainda em dezembro. Até agora, segundo Delcy Rodríguez, 406 pessoas já recuperaram a liberdade.As atuais libertações são vistas como o continuar do processo iniciado por Maduro, com os casos ainda a serem analisados um a um. Excluídas estão as pessoas acusadas de homicídios ou narcotráfico, estando apenas a ser analisados os crimes relacionados com a ordem constitucional, o ódio, a violência e a intolerância, indicou a presidente interina. Os números oficiais contrastam contudo com a lista de 84 presos políticos que o Foro Penal disse terem sido libertados até quarta-feira à noite, contabilizando apenas a partir do momento em que Maduro foi deposto, numa operação militar dos EUA, a 3 de janeiro. Antes disso, entre 25 de dezembro e 1 de janeiro, contabilizaram a libertação de outros 117 presos políticos. A lista de nomes com as últimas libertações está publicada nas redes sociais da organização, com o seu diretor, Gonzalo Himiob, a revelar contudo que alguns dos libertados não constam, porque pediram para a sua identidade ser resguardada. A Foro Penal contabilizava, a 11 de janeiro, 804 presos políticos, incluindo 172 militares, 102 mulheres e um adolescente. A maioria detidos nos protestos de 2024, depois das presidenciais cuja vitória foi reivindicada por Maduro.Desde o dia 8 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez (irmão de Delcy), anunciou a libertação de um “número significativo” de presos, que as organizações de direitos humanos, as famílias e a oposição venezuelana questionam porque é que não foi divulgada a lista oficial de quem foi libertado. Querem também saber mais detalhes sobre futuras libertações..Chegaram a Havana os corpos dos 32 soldados cubanos mortos durante detenção de Maduro na Venezuela (com vídeo).María Corina Machado pediu a Leão XIV para interceder pelos presos políticos e pela transição na Venezuela