Macron remodela governo, mas Borne não se vai sujeitar a uma moção de confiança

Primeira-ministra discursará amanhã no Parlamento. Oposição diz que mudanças são superficiais.

O presidente francês, Emmanuel Macron, remodelou ontem o governo, afastando um ministro que está a ser acusado de violação e outros que não conseguiram ser reeleitos deputados nas legislativas em que perdeu a maioria parlamentar. Além disso, baralhou outros cargos e reforçou as várias correntes dos partidos do executivo. A primeira-ministra Élisabeth Borne discursará sobre política geral amanhã na Assembleia Nacional, mas não pedirá a confiança dos deputados - não é obrigatório, mas só outros quatro chefes de governo da V República não o fizeram.

A oposição considera que as mudanças no executivo são superficiais e não refletem as eleições de junho - o Renascimento de Macron, junto com os aliados do Movimento Democrático e Horizontes, só tem 250 deputados e está a 39 da maioria na Assembleia Nacional. Daí que Borne não vá pedir uma moção de confiança ao novo governo (que no total tem 42 elementos, sendo paritário), tendo A França Insubmissa (que lidera a aliança de esquerda Nupes) dito que irá apresentar uma moção de censura. Para passar, precisaria do apoio dos aliados e da extrema-direita e dos conservadores, o que não parece viável nesta altura.

O presidente indicou, antes do primeiro conselho de ministros pós-remodelação, que houve "falta de vontade dos partidos de governo [Os Republicanos e os socialistas, atualmente dentro da Nupes] de participar num acordo de governo ou qualquer forma de coligação". Descrevendo o novo cenário político como "excecional", pediu "muita ambição" ao novo governo, "porque o país precisa de reformas" e "espírito de responsabilidade para construir compromissos".

Na remodelação de Macron, as principais pastas - incluindo Economia, Defesa, Justiça e Negócios Estrangeiros - mantiveram os seus titulares do primeiro governo de Borne, que tinha tomado posse a 20 de maio. No caso do Interior, Gérald Darmanin ganha mais poder com a pasta dos Territórios Ultramarinos. Já Damien Abad, que era ministro da Solidariedade, foi afastado e substituído pelo diretor-geral da Cruz Vermelha francesa, Jean-Christophe Combe. Abad foi acusado de agressões sexuais por várias mulheres, tendo na semana passada sido aberta uma investigação por tentativa de violação.

Três mulheres deixam o executivo, depois de não terem sido reeleitas deputadas (tendo perdido as eleições, é tradição serem afastadas). Brigitte Bourgignon entrega a pasta da Saúde ao médico de urgências e até agora responsável pela associação dos profissionais desta área, François Braun, que prometeu uma "renovação" do sistema nacional de saúde. O ex-ministro da Saúde, Olivier Véran, que lidou com a pandemia da covid e estava nos últimos meses nas relações com o Parlamento, torna-se porta-voz do governo.

Amélie de Montchalin entrega a Transição Ecológica e a Coesão dos Territórios a Christophe Béchu, um próximo do ex-primeiro-ministro Édouard Philippe até agora ministro delegado (sob a tutela de um ministro, mas com mais poder do que um secretário de Estado) das Coletividades Territoriais. E a Secretaria de Estado do Mar passa de Justine Benin para o deputado de origem ruandesa Hervé Berville.

susana.f.salvador@dn.pt

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