Macron nomeia ministra do Trabalho para liderar governo francês

Élisabeth Borne é a sucessora de Jean Castex, a segunda mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra depois de Édith Cresson no início dos anos 1990.

O presidente francês, o centrista Emmanuel Macron, nomeou esta segunda-feira para o cargo de primeira-ministra a atual titular da pasta do Trabalho, Élisabeth Borne, a segunda mulher a ocupar o cargo depois de Édith Cresson no início dos anos 1990.

"O presidente da República nomeou Élisabeth Borne primeira-ministra e encarregou-a de formar um governo", anunciou a presidência francesa numa nota oficial concisa, após a renúncia do seu antecessor, Jean Castex.

"Acabei de apresentar minha carta de demissão", referiu à AFP o chefe de governo demissionário depois da reunião de uma hora com o presidente Emmanuel Macron.

A presidência francesa confirmou que Macron "aceitou" a renúncia de Castex, que continuará responsável pelos assuntos correntes até à nomeação de um novo chefe de governo.

Borne conhece bem a principal reforma que Macron pretende realizar: o impopular adiamento da idade da reforma de 62 para 65 anos.

O próximo primeiro-ministro terá como objetivo aplicar o programa de Macron, reeleito em abril para mais cinco anos no cargo, desde que obtenha maioria nas eleições legislativas de junho.

Embora as sondagens projetem uma nova maioria para o partido no poder, Macron enfrenta uma aliança da esquerda, liderada pela ala radical, e uma forte extrema-direita.

"Vai precisar de muita coragem"

A nomeação de Borne, de 61 anos, acena para o eleitorado de centro-esquerda, insatisfeito com a aliança liderada por Mélenchon.

A ministra do Trabalho, cargo a que chegou após passar pela pasta do Transporte e Transição Ecológica, atende aos únicos critérios desejados por Macron: perfil "social", "ecológico" e "produtivo".

A última mulher que liderou um governo francês, Edith Cresson, disse ao Journal du Dimanche que a política francesa permaneceu "machista" durante mais de 30 anos, depois de ter desempenhado as funções de primeira-ministra, entre maio de 1991 a abril de 1992, quando François Mitterrand era o chefe de Estado. A próxima mulher a desempenhar o cargo "vai precisar de muita coragem", disse Cresson.

Macron, de 44 anos, registou uma vitória sólida nas eleições presidenciais de 24 de abril contra a líder da extrema-direita ao obter 59% contra os 41% de Marine Le Pen.

Castex pretendia renunciar imediatamente após a eleição presidencial, de acordo com a tradição francesa, mas foi persuadido por Macron a permanecer no cargo enquanto o chefe de Estado francês procurou pelo seu substituto.

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