Que vice-presidente pode acrescentar votos e minimizar fraquezas dos principais candidatos declarados, Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, a presidente da República do Brasil nas eleições de 4 de outubro? A menos de oito meses da votação, essa é a questão que movimenta os quartéis-generais de Lula, atual chefe de Estado, e de Flávio, senador e primogénito de Jair Bolsonaro.Do lado de Lula, em rigor, já há vice: Geraldo Alckmin, governador de São Paulo por 12 anos pelo PSDB, principal rival do PT em seis eleições consecutivas, que, ao aceitar ser número dois em 2022, não só emprestou a credibilidade de uma longa carreira política como sinalizou que o centro-direita se opunha ao então presidente Bolsonaro. Porém, Lula vem mexendo as peças no complexo tabuleiro político brasileiro para atrair o MDB, o ainda muito influente partido de Michel Temer, de modo, por um lado, a reforçar essa ideia de “frente ampla” e, por outro, a garantir mais tempo de antena e mais recursos de campanha, de acordo com as normas da lei eleitoral local.Nesse caso, os nomes de Renan Filho, atual ministro dos Transportes, e de Helder Barbalho, atual governador do Pará, foram falados. Além de Simone Tebet, a ministra do Planeamento que em 2022 foi a terceira mais votada nas presidenciais.O movimento na direção do MDB foi verbalizado pelo próprio Lula ao dizer que Alckmin tem “um papel a cumprir” na eleição para o governo de São Paulo, onde concorreria contra o bolsonarista Tarcísio de Freitas, para já, muito favorito. Há dois poréns: Jonas Donizette, líder parlamentar do PSB, o atual partido de Alckmin, já afirmou que, das duas uma, “ele será vice ou não concorrerá a nada”; e o MDB é o partido de Ricardo Nunes, o prefeito de São Paulo que é “afilhado” político de Tarcísio. No fim das contas, o mais provável substituto de Alckmin na vice-presidência de Lula pode acabar por ser o próprio Alckmin.Do lado de Flávio, a estratégia visa atrair o mercado, que preferia o citado Tarcísio ao filho de Bolsonaro, e o eleitorado feminino, que, segundo as sondagens, votou maioritariamente em Lula em 2022. .“O general Braga Neto é uma pessoa de bem mas não nos acrescentou nenhum voto”, afirmou Valdemar Costa Neto, presidente do PL, o partido de Jair e Flávio, a propósito do candidato a vice de Bolsonaro nas eleições perdidas de há quatro anos. Braga Neto, entretanto, está preso há mais de um ano no âmbito do processo do golpe de estado. Nesse contexto, dois nomes ganham força: o primeiro é o da senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura que, além do voto feminino, agrega o setor do agronegócio. “Preparada, respeitada, mas ao mesmo tempo leve, cai como uma luva”, disse uma liderança bolsonarista à rádio CBN. Mas, no xadrez político brasileiro, com cerca de 15 partidos relevantes e eleições simultâneas para o governo de 26 estados, além do Distrito Federal, as contas são feitas com régua e esquadro – e o PP, o partido de Tereza Cristina, mesmo sendo em teoria próximo da direita bolsonarista, está coligado com o PT de Lula em sete estados. O segundo nome é o de Romeu Zema, em fim de mandato como governador de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do Brasil, cujo perfil de austeridade agrada à Faria Lima, a Wall Street brasileira. “Nenhum país do mundo dá certo sem os gastos controlados”, destacou Zema, em entrevista recente ao DN onde, no entanto, se declarou candidato inequívoco… à presidência, o que pode, portanto, atrapalhar os planos de Flávio.Outro nome citado é o de Guilherme Derrite, secretário de Segurança do estado de São Paulo com fama de “mão dura” contra o crime, mas do tal PP de Tereza Cristina que é parcialmente aliado do PT…Sondagens renhidasNas sondagens, entretanto, Flávio aproxima-se de Lula, segundo os cenários do instituto Genial Quaest da última semana, quarta-feira, dia 11, que já excluíram o nome de Tarcísio de Freitas da competição. Lula continua na liderança da corrida presidencial em todas as simulações de primeira e segunda voltas mas Flávio – indicado pelo pai como candidato numa carta redigida na prisão da Papudinha – não só se consolidou como principal opositor do candidato à reeleição como reduziu a desvantagem. A distância, que era de 16 pontos em agosto de 2025, caiu para dez em dezembro e para cinco, agora, a oito meses da eleição.Ratinho Júnior, governador do Paraná, é o mais competitivo da chamada terceira via, ou direita moderada, de acordo com os números da pesquisa, seguido pelo citado Romeu Zema, eventual vice de Flávio num acordo futuro, por Ronaldo Caiado, governador do Goiás, e por Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul.Contra Lula e Flávio pesam as elevadas rejeições. Os dois, no entanto, são conhecidos por mais de 90% dos eleitores, ao contrário dos demais, obscuros para um terço ou, nalguns casos, até mais de metade dos eleitores de um país continental. .Lula já está certo na eleição. Mas quem será o anti-Lula?