Quase todos os países europeus reagiram à guerra desencadeada por Israel e os EUA contra o Irão como a União Europeia, no comunicado conjunto de António Costa e Ursula von der Leyen, ou seja, com “profunda preocupação” e apelos para a “máxima contenção”. Já as críticas ficaram reservadas ao regime iraniano, quer pela sua natureza, quer pela sua retaliação. As exceções claras foram de Espanha, do lado da censura ao ataque à margem do direito internacional, e da Alemanha, França e Reino Unido, no sentido de que se reservam a entrar no conflito para defender os seus interesses.Juntos, os países que fizeram parte do acordo nuclear com o Irão com a designação E3, lançaram dois comunicados. No primeiro, fizeram questão de se demarcar da autoria dos ataques aéreos causadores da morte de vários dirigentes iranianos, incluindo do guia supremo Khamenei ou do antigo presidente Ahmadinejad. O tom de condenação aos ataques retaliativos era balançado com um apelo ao regresso à mesa das negociações e para “a liderança iraniana procurar uma solução negociada”.No domingo à noite, a mensagem era outra: Emmanuel Macron, Friedrich Merz e Keir Starmer mostraram-se “chocados” com os ataques “indiscriminados e desproporcionados” aos países da região, os quais ameaçam aliados e pessoal militar e civil dos três países. Em consequência, anunciaram passar a trabalhar em conjunto com os EUA e países aliados na região. E mais: “Tomaremos medidas para defender os nossos interesses e os dos nossos aliados na região, potencialmente através da aplicação de ações defensivas necessárias e proporcionadas para destruir a capacidade do Irão de lançar mísseis e drones a partir da sua origem.”O chanceler alemão, que se reúne nesta terça-feira com Donald Trump na Casa Branca, reconheceu que o seu país, aliado de Israel e dos EUA, está num “dilema” moral, uma vez que a operação militar em curso é desprovida de mandato legal. A defesa do direito internacional e da Carta das Nações Unidas é um dos argumentos fortes usado por Berlim e pelos europeus na defesa da Ucrânia contra a invasão da Rússia. Mas Merz não se deteve: de pronto declarou que não iria dar lições aos aliados.O primeiro-ministro britânico esclareceu não ter dado autorização para as suas forças participarem na operação israelo-norte-americana, tal como não permitira o uso das bases britânicas por aeronaves envolvidas. Mas pouco antes de uma base britânica em Chipre ter sido alvo de um ataque com um drone, Starmer acabou por autorizar a utilização da base de Diego Garcia. A partir desta base no Índico, os EUA podem lançar os bombardeiros furtivos B-2, bem como estacioná-los ao abrigo do alcance dos mísseis balísticos iranianos. A aquiescência do trabalhista não o livrou de críticas do presidente norte-americano, que se mostrou “dececionado” com Starmer por este ter demorado “demasiado tempo”..“Os europeus habituaram-se a que a sua segurança dependa de regras feitas por terceiros. O que desejo mais do que tudo, como terão entendido, é que os europeus retomem o controlo do seu próprio destino.”Emmanuel Macron.Os franceses tiveram a resposta mais mercurial. O seu porta-aviões está a caminho do Mediterrâneo oriental e dois navios foram enviados para o Mar Vermelho. Mas para lá das movimentações de meios, o presidente anunciou que os meios nucleares franceses vão ser multiplicados e a sua fruição vai ser partilhada por países europeus que se juntem a esta “dissuasão avançada”..França vai aumentar número de ogivas. Macron anuncia uma "era de armas nucleares".Em concreto, Macron disse que o seu país vai ter mais ogivas nucleares — numa quantia que deixará de ser revelada —, e que dentro de dez anos estará no mar mais um submarino com capacidade de lançar mísseis nucleares. Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Grécia, Países Baixos, Polónia, Reino Unido e Suécia já aceitaram fazer parte do programa de “dissuasão avançada”, estando aberto aos outros países europeus. O programa consiste na participação em exercícios conjuntos e na possibilidade de a França poder usar o espaço aéreo e bases dos países em questão para abrigar aviação estratégica.