O líder dos separatistas do sul do Iémen, Aidarous al-Zubaidi, não viajou para Riade onde, esta quarta-feira (7 de janeiro), estava marcada uma reunião de crise para pôr fim aos confrontos entre o seu movimento apoiado pelos Emirados Árabes Unidos e as fações apoiadas pela Arábia Saudita. O seu destino é incerto, apesar de os separatistas dizerem que está em Aden a acompanhar os assuntos políticos e de segurança. Entretanto foi acusado de traição pelos rivais e expulso do Conselho Presidencial, que é reconhecido como o governo legítimo pela comunidade internacional. A situação está a causar divisões entre Abu Dhabi e Riade, que voltou a bombardear a região separatista.A coligação liderada pelos sauditas, criada para ajudar a combater os rebeldes Houthis que tomaram Saná em 2014 com o apoio do Irão, anunciou ter empreendido “ataques preventivos limitados” na província de Dhale para os impedir de “espalhar o conflito”. Pelo menos 15 alvos terão sido atingidos, com a agência de notícias AFP a dizer que pelo menos quatro civis foram mortos. Riade teria ameaçado bombardear Aden se Zubaidi não estivesse presente na reunião, com a Reuters a dizer que havia movimentação das forças governamentais apoiadas pelos sauditas a caminho da cidade. Foi declarado o recolher obrigatório das 21h00 às 6h00.Os ataques surgem depois de o Conselho de Transição do Sul (STC), liderado por Zubaidi, ter anunciado na semana passada a sua intenção de criar um Estado independente no sul do Iémen, onde já existiu uma república independente entre 1967 e 1990. Os separatistas, que têm o apoio dos Emirados Árabes Unidos, conquistaram território em dezembro. Mas as outras fações governamentais, próximas de Riade e com o apoio dos bombardeamentos aéreos da Arábia Saudita, retaliaram e já recuperaram o terreno perdido.O caso causou tensão entre os dois países do Golfo, depois de os sauditas bombardearem um carregamento de armas oriundo dos Emirados que tinha como destinatários os separatistas - que acusaram de se aproximarem do seu território, pondo em causa a sua segurança nacional. Foi então dado um ultimato para as forças de Abu Dhabi deixarem o Iémen..Iémen revela tensão antiga entre Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.O Conselho Presidencial anunciou entretanto ter expulsado Zubaidi, acusando-o de incitar à rebelião armada, atacar as autoridades constitucionais e cometer abusos contra civis no sul do Iémen. O caso foi encaminhado para o Ministério Público, podendo vir a responder por alta traição, informou a agência de notícias estatal SABA. O conselho também destituiu o governador de Aden, Ahmed Lamlas, que também será investigado.