Líbano acusa Israel de destruição "sistemática" no sul do país
EPA/WAEL HAMZEH

Líbano acusa Israel de destruição "sistemática" no sul do país

As forças israelitas estão destacadas no sul do Líbano e prosseguem operações numa faixa de cerca de 10 quilómetros no interior do país vizinho, ao longo da fronteira.
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O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, condenou a destruição "de forma sistemática" no sul do Líbano, onde Israel afirmou estar a demolir "todas as casas" na zona controlada pelo exército israelita.

As forças israelitas estão destacadas no sul do Líbano e prosseguem operações numa faixa de cerca de 10 quilómetros no interior do país vizinho, ao longo da fronteira.

"Os ataques, incursões, demolições e destruição de forma sistemática de casas", infraestruturas, edifícios governamentais e locais sagrados levados a cabo por Israel "constituem uma grave violação dos princípios e normas do direito internacional", afirmou Salam na quarta-feira.

A alegação de que as cidades e vilas da região "são exclusivamente 'infraestruturas militares' (...) não pode servir de pretexto para a sua destruição, a deslocação dos seus habitantes e a proibição do seu regresso", acrescentou o dirigente, em comunicado.

Durante a última guerra entre Israel e o movimento islamita xiita pró-iraniano Hezbollah, este ano, mais de um milhão de pessoas, principalmente no sul do Líbano, foram deslocadas por ataques aéreos israelitas. Embora a maioria tenha conseguido regressar a casa, muitas não conseguiram encontrar as suas residências.

Horas antes, o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, deslocou-se ao sul do Líbano, reafirmando a determinação de Telavive de manter tropas naquela região, bem como na Síria e em Gaza.

"Como o primeiro-ministro [Benjamin Netanyahu] e eu próprio afirmámos claramente, não nos retiraremos desta zona de segurança", termo pelo qual Israel designa a faixa territorial que ocupa no sul do Líbano, afirmou Katz, citado numa nota informativa divulgada pelo seu gabinete.

"O exército está aqui para proteger as localidades do norte" de Israel e “as suas próprias forças. Vamos limpar esta zona (...). Não nos retiraremos, em caso algum, das zonas de segurança: nem no Líbano, nem na Síria, nem em Gaza", insistiu.

O exército "está a destruir as infraestruturas subterrâneas" na zona e "todas as casas", afirmou ainda o ministro.

Questionado sobre estas declarações, um responsável do Departamento de Estado norte-americano respondeu que os Estados Unidos esperam que "todas as partes ajam de acordo com a estrutura que acordaram, e Israel declarou claramente que não tem ambições territoriais no Líbano".

Israel e o Líbano, ainda tecnicamente em estado de guerra, assinaram um acordo-quadro no final de junho que prevê a mobilização do exército libanês no sul.

O entendimento prevê a criação de “zonas-piloto” no sul do país, das quais os militares israelitas se devem retirar e entregar o seu controlo às forças regulares do Líbano, mas o compromisso firmado entre Telavive e Beirute conta com a oposição do Hezbollah.

O movimento xiita rejeita este acordo e recusa depor as armas.

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