Laura Fernández, politóloga de 39 anos, foi eleita presidente da Costa Rica à primeira volta, depois de se ter apresentado na campanha como a “herdeira” do atual mandatário, Rodrigo Chaves, e ter defendido “mão dura” contra o crime. No discurso da vitória, a ex-ministra da Presidência que foi a candidata da continuidade prometeu uma “mudança profunda e irreversível” no país marcado pela violência ligada ao narcotráfico, dizendo que o povo lhe deu um mandato claro para “construir a terceira república”. A candidata do Partido Povo Soberano (direita populista) venceu as eleições de domingo com 48,3% dos votos, deixando o social-democrata Álvaro Ramos (o melhor de 19 adversários) a mais de 15 pontos percentuais de diferença. Na Costa Rica, para ganhar à primeira volta basta ter mais de 40%. O partido de Fernández elegeu ainda 30 dos 57 deputados da Assembleia Legislativa, ficando aquém da maioria de dois terços que tinha pedido para poder reformar a Constituição (ficando dependente de acordos para tal). “A terceira república está a chegar para mudar certas regras do jogo político nacional”, declarou Fernández no discurso de vitória em San José. A segunda república é o período que se seguiu à guerra civil de 1948 e que levou à redação da atual Constituição que, entre outras coisas, aboliu o exército. “O povo costa-riquenho exige o fim da corrupção, o fim da demagogia e o fim da ineficiência do Estado”, enfatizou, defendendo “uma verdadeira revolução política” através das urnas.Fernández, que será a segunda mulher presidente da Costa Rica depois da social-democrata Laura Chinchilla (entre 2010 e 2014), falou durante a campanha numa reforma do poder judicial (com os críticos a temer o fim da independência) e em mudar a Constituição para permitir a reeleição consecutiva (atualmente um presidente só pode voltar a tentar ser eleito para o cargo oito anos após o deixar). A ideia pode ser voltar a abrir a porta a Chaves, de 69 anos, que lhe passará o poder a 8 de maio com uma das mais altas popularidades de um ex-presidente (cerca de 60%). E a quem Fernández não rejeitou, durante a campanha, atribuir um cargo importante durante o seu mandato de quatro anos.As eleições de domingo eram vistas como um teste para ver até onde os costa-riquenhos estão dispostos a seguir uma abordagem de lei e ordem que, segundo os críticos, poderá concentrar poder e sobrecarregar os mecanismos democráticos de controlo. Os opositores de Fernández e vozes da sociedade civil alertaram que partes do debate relativos à segurança, incluindo propostas de declarar estado de emergência nas áreas afetadas, correm o risco de corroer as liberdades civis e a independência institucional se forem levadas avante de forma agressiva. .P&R: Dos ministros à ex-primeira-dama: quem é favorito nas presidenciais da Costa Rica?