Kim Jong-un comunica com disparo de mísseis 

Intenção será pressionar os EUA, que analisam com aliados revisão da política face a Pyongyang.

No fim de semana a Coreia do Norte disparou dois mísseis de curto alcance na direção oeste, rumo à China, uma iniciativa menorizada pelas autoridades norte-americanas. Depois de funcionários dos EUA terem comentado que o teste caía "no extremo inferior do espectro", o presidente Joe Biden disse na terça-feira que, "de acordo com o Departamento de Defesa, é a mesma coisa de sempre". Dois dias depois Pyongyang comunicou como de costume, ou seja, pela força. Segundo o primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga, a Coreia do Norte disparou dois mísseis balísticos de curto alcance para as águas do Mar do Japão.

Estes disparos são os primeiros no espaço de um ano e estão em contravenção com as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, mas na prática o regime, já alvo de sanções, não teme as consequências. Acontecem depois de Washington lamentar não conseguir entrar em contacto com as autoridades norte-coreanas e vem na sequência de exercícios militares conjuntos dos EUA e da Coreia do Sul e de uma visita à região dos secretários de Estado e da Defesa, Antony Blinken e Lloyd Austin, para discutirem questões de aliança e segurança.

Durante a viagem a Seul e Tóquio, Blinken reiterou a importância da desnuclearização da Coreia do Norte, o que levou o primeiro vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, Choe Son Hui, a acusar os Estados Unidos de uma "teoria lunática" sobre a ameaça da Coreia do Norte e de uma "retórica infundada sobre a "desnuclearização completa"", pelo que o diálogo com os EUA só pode ser possível quando Washington reverter a "política hostil". Já a irmã do ditador Kim Jong-un, Kim Yo-jong, também advertira os EUA para não "provocarem um mau cheiro" se pretendem continuar em paz.

"As provocações de Pyongyang têm como objetivo negociar mais por menos, tais como o alívio de sanções em troca da suspensão de testes [de armas], muito aquém da desnuclearização", comentou ao The Washington Post Leif-Eric Easley, professor na universidade Ewha de Seul.

"O lançamento de mísseis balísticos pela Coreia do Norte colocou a administração Biden numa encruzilhada de saber se deverá regressar às relações da era Obama entre os EUA e a Coreia do Norte ou se deverá desenvolver novas relações positivas", disse por sua vez Cheong Seong-chang, do think tank Instituto Sejong , à agência Yonhap. Para este perito, Pyongyang pode ter concluído que dada a retórica de Blinken será impossível manter conversações neste momento. "Espera-se que a Coreia do Norte continue com uma demonstração de força pelo menos até ao aniversário de Kim Il-sung, em 15 de abril, enquanto considera como lidar com [os EUA] no futuro", disse em referência ao fundador do regime.

Também Washington ainda não decidiu qual vai ser a sua política para com a Coreia do Norte, estando agendada uma reunião do conselheiro de segurança nacional Jake Sullivan com os seus homólogos japonês e sul-coreano em Washington na próxima semana para discutir este tema, como noticia a japonesa NHK. Kim Jong-un realizou três reuniões com o anterior presidente dos EUA Donald Trump, mas as conversações de desnuclearização continuam paradas desde o fracasso da cimeira de Hanói, em fevereiro de 2019.

cesar.avo@dn.pt

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