Kiev diz ter encontrado "câmara de tortura" na cidade libertada de Balakliya

O Ministério da Defesa ucraniano revelou uma imagem do que diz ser uma "câmara de tortura" na cidade libertada de Balakliya. "A Rússia deve ser responsabilizada por este flagrante genocídio", declara o governo ucraniano.
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Uma imagem de uma parede com o Pai Nosso inscrito foi divulgada esta quarta-feira pelo Ministério da Defesa ucraniano, dando conta de que se trata de uma "câmara de tortura" na cidade de Balakliya, que foi recuperada pelas forças de Kiev.

"Câmara de tortura russa em Balakliya libertada. O Pai Nosso foi esculpido na parede por prisioneiros ucranianos. A Rússia deve ser responsabilizada por este flagrante genocídio", lê-se na mensagem do Ministério da Defesa ucraniano que acompanha a foto partilhada nas redes sociais.

De acordo com Serhii Bolvinov, chefe do departamento de investigação da Polícia Estadual da região de Kharkik, cerca de 40 pessoas estiveram detidas durante a ocupação russa. Este responsável dá o exemplo de um homem que esteve encarcerado durante 46 dias, tendo sido torturado com choques elétricos. "Além disso, os investigadores têm informações sobre os moradores mortos da cidade. Sabe-se que foram baleados no posto de controlo pelos russos no último dia da ocupação", afirmou Bolvinov, referindo que ainda estão a decorrer as investigações sobre o que aconteceu durante a ocupação russa.

Os serviços de emergência ucranianos afirmaram que há muito trabalho a fazer nos territórios recém-libertados da região de Kharkiv, onde está localizada a cidade de Balakliya, uma vez que não há eletricidade, água e em algumas zonas não há gás.

"A desminagem dos objetos mais importantes da infraestrutura crítica da cidade já começou hoje, para permitir que outros serviços de emergência e serviços públicos trabalhem para restaurar as condições de vida seguras e normais para seus moradores", disseram autoridades ucranianas, de acordo com o The Guardian.

Balakliya faz parte dos territórios reconquistados na contraofensiva de Kiev, que reclama milhares de quilómetros quadrados libertados das forças russas.

Izium, cidade de cerca de 50 mil habitantes antes da guerra, foi cenário de combates sangrentos antes de ser tomada pelos russos, que fizeram dela um ponto estratégico para reabastecer suas tropas.

A sua reconquista pelas tropas de Kiev representa um revés para o exército de Moscovo, que se retirou para Donetsk, uma área sob o controle do Kremlin desde 2014. "Só avançaremos numa direção: em frente, em direção à vitória", escreveu Zelensky no Telegram.

Num vídeo, o líder ucraniano comparou a destruição em Izium com a de Bucha, cidade perto de Kiev da qual as forças russas se retiraram na primavera, deixando para trás os corpos de civis assassinados a sangue frio, embora Moscovo tenha negado a responsabilidade por essas execuções. "É a mesma coisa: casas destruídas, pessoas assassinadas. Isso faz parte da nossa história, parte da nação russa moderna", disse Zelensky.

"Não importa o que os ocupantes destruam, reconstruiremos tudo. Não importa como eles queiram destruir a Ucrânia, eles não terão sucesso", garantiu o presidente ucraniano.

A Ucrânia garante que recuperou o controlo de milhares de quilómetros quadrados no leste e no sul, áreas que os russos ocuparam desde a invasão lançada a 24 de fevereiro, em duas semanas. O exército russo, cujos bombardeamentos causaram grandes cortes de energia em várias regiões da Ucrânia nos últimos dias, disse esta quarta-feira que atacava as forças ucranianas em todo o país, particularmente na região de Kharkiv.

"Ataques em massa foram realizados nas regiões de Dvorichna, Balakliya e Kupiansk contra as forças vivas e equipamentos das 14ª e 93ª brigadas motorizadas das forças armadas ucranianas", informou o ministério da Defesa russo em comunicado.

Com AFP

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