O primeiro-ministro britânico Keir Starmer assumiu que “gosta e respeita” o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que entende o que ele está a tentar alcançar, numa entrevista ao New York Times. Num gesto de inteligência diplomática e emocional, Starmer reconheceu que “o presidente Trump tem razão quando diz que é preciso que os países europeus assumam um maior encargo financeiro na sua autodefesa.” Com a Guerra da Ucrânia como pano de fundo, o líder dos trabalhistas disse que o Reino Unido está a viver um momento crítico e que não seria certo tomar partido, escolhendo a Europa ou os EUA. “Churchill não fez isso. Attlee não fez isso. Seria um grande erro, na minha opinião, escolher agora um lado”, disse Keir Stermer na mesma entrevista, citado pelo The Guardian. Mais ou menos ao mesmo tempo em que o PM britânico proferia estas palavras, o enviado especial de Trump afirmava este fim-de-semana que o plano de Starmer para uma “coligação de voluntários” para apoiar um cessar-fogo na Ucrânia era apenas uma tentativa de impressionar, descartando qualquer semelhança com Winston Churchill. Steve Witkoff considerou que aquela ideia era baseada numa noção "simplista" do primeiro-ministro do Reino Unido e de outros líderes europeus de que "todos temos que ser como Winston Churchill". Tal como já havia feito Donald Trump, Witkoff também elogiou Vladimir Putin, dizendo que "gostava" do presidente russo e não "considerava Putin um mau tipo". O número 10 não quis fazer comentários sobre as observações de Witkoff. Mas a chanceler, Rachel Reeves, veio entretanto assinalar que "não se sente desencorajada por aqueles comentários". "Precisamos de ter certeza de que, se houver um cessar-fogo, ele possa ser imposto e é isso que nosso primeiro-ministro, juntamente com aliados ao redor do mundo, está a tentar garantir, e é claro que os EUA têm de ter um papel importante". Na entrevista, o primeiro-ministro disse que este momento crítico para a Europa e a Ucrânia se tornou inevitável desde o início da guerra “No fundo, sabíamos que esse momento viria quando, há pouco mais de três anos, tanques russos atravessaram a fronteira. Temos que tratar isto como um momento galvanizador e tomar a iniciativa.” Ao New York Times, Starmer disse: “a título pessoal, acho que temos um bom relacionamento. Eu gosto dele e respeito-o”.Em relação a algumas das ações de Trump, incluindo a tarifa de 25% sobre o aço britânico e as críticas ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, Starmer reconheceu que o presidente gerou “um certo grau de desorientação”, mas a reação correta era não ser provocado por isso. Com a mesma inteligência diplomática, Starmer também se escusou a adjetivar incidentes como a troca de palavras de Trump e seu vice-presidente JD Vance com Zelensky na Casa Branca. Disse ser preferível pegar no telefone e tentar pô-los novamente em contacto.