Autoridades libanesas em Beirute
Autoridades libanesas em BeiruteEPA/WAEL HAMZEH

Israel e Líbano chegam a acordo para prolongar cessar-fogo por mais 45 dias

A Administração Trump considera “altamente produtivas” as conversações entre os dois países em guerra, acrescentando que as negociações serão retomadas nos dias 2 e 3 de junho.
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Israel e o Líbano chegaram a acordo para prolongar por mais 45 dias o cessar-fogo anunciado pelo Presidente norte-americano Donald Trump a 16 de abril, informou esta sexta-feira, 15 de maio, o governo dos Estados Unidos.

“A cessação das hostilidades de 16 de abril será prolongada por 45 dias para permitir novos progressos”, declarou o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Piggott.

A Administração Trump considera “altamente produtivas” as conversações entre os dois países em guerra, realizadas em Washington na quinta e sexta-feira, acrescentando que as negociações serão retomadas nos dias 2 e 3 de junho.

A ronda de negociações desta semana foi a terceira entre as parte desde que Israel intensificou os ataques aéreos contra o Líbano depois de o Hezbollah ter lançado mísseis contra território israelita a 2 de março, três dias após o início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

O cessar-fogo, inicialmente acordado em abril, não impediu a continuação da ofensiva israelita contra o Hezbollah, movimento xiita apoiado pelo Irão.

Desde a entrada em vigor da trégua, em 17 de abril, mais de 400 pessoas morreram em ataques israelitas no Líbano, segundo uma contagem da agência France-Presse (AFP) baseada em dados oficiais.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, reafirmou na semana passada que Israel continuará a atacar o Hezbollah.

Em Washington, o Governo libanês procura garantir “uma consolidação do cessar-fogo”, nas palavras de um alto responsável libanês.

Segundo as autoridades libanesas, mais de 2.800 pessoas morreram no país desde o início do conflito, no começo de março, incluindo pelo menos 200 crianças.

Israel continua a concentrar os ataques nos subúrbios do sul de Beirute, considerados um bastião do Hezbollah, bem como no sul do Líbano, onde o Exército israelita ocupou durante anos uma faixa fronteiriça.

O Hezbollah reiterou na quinta-feira a oposição às negociações em Washington.

Paralelamente, Teerão exige, nas negociações indiretas com Washington, que qualquer entendimento regional inclua também o Líbano e obrigue Israel a cessar os ataques contra o Hezbollah.

Os Estados Unidos, por sua vez, insistem no desarmamento do movimento xiita e no reforço da autoridade do Estado libanês.

Washington considera ainda que as negociações devem representar “uma rutura completa” com a estratégia seguida nas últimas duas décadas, acusando o Hezbollah de ter enfraquecido o Estado libanês e ameaçado a segurança da fronteira norte de Israel.

Ao contrário das rondas anteriores, nem o Presidente norte-americano, Donald Trump, nem o secretário de Estado, Marco Rubio, participam nas negociações, devido à visita oficial que ambos realizam à China.

A mediação norte-americana está a ser assegurada pelos embaixadores dos EUA em Israel e no Líbano, Mike Huckabee e Michel Issa, respetivamente.

O Líbano é representado pelo diplomata e advogado Simon Karam, enquanto Israel participa através do embaixador Yechiel Leiter, aliado próximo de Netanyahu.

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