Israel diz ter desmantelado metade das forças do Hamas em Rafah
O exército israelita disse ter destruído metade das forças combatentes do Hamas em Rafah no mesmo dia em que deu início a uma “pausa local e tática” para fins humanitários. Em Jerusalém, indiferente ao fim do gabinete de guerra na sequência da saída do mesmo de Benny Gantz, milhares de pessoas manifestaram-se mais uma vez a exigir eleições antecipadas e um acordo para a libertação dos reféns.
Dizem as forças israelitas que dos quatro batalhões do braço armado do Hamas a operar em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, dois estão considerados “quase completamente desmantelados” e os outros dois com capacidades “um pouco degradadas”, o que em termos operacionais significa que Israel controla agora entre 60% e 70% da cidade. Ao fim de mais de cinco semanas de combates em Rafah, o exército israelita diz também ter identificado mais de 550 homens armados mortos. Ao longo da fronteira Egito-Gaza, conhecido como corredor de Philadelphi pelos israelitas, estes afirmam ter localizado centenas de foguetes, dezenas dos quais apontados ao centro de Israel, além de 25 túneis que ligam ao Egito.
Entrou em vigor a pausa diária entre as 8.00 e as 19.00 locais que o exército anunciou na véspera - para surpresa do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu - com o objetivo de permitir a entrada de mais assistência humanitária na passagem de Kerem Shalom, controlada por Israel, e que os camiões viajem em segurança até à estrada de Saladino, a principal ligação norte-sul da Faixa de Gaza. Segundo a Associated Press, só oito camiões fizeram a viagem na segunda-feira, quando antes da ofensiva em Rafah entravam camiões às dezenas. Israel lamentou que a medida não tenha sido aproveitada pelas Nações Unidas. “Não vimos a ONU tirar o máximo partido desta medida”, afirmou Shimon Freedman, porta-voz do COGAT, um organismo da Defesa israelita que supervisiona a distribuição da ajuda em Gaza.
A iniciativa, que isenta de ações militares a ligação de Kerem Shalom até ao Hospital Europeu de Rafah (cerca de dez quilómetros) durante 11 horas diárias, foi denunciada pelo grupo islamista. “Falar de uma pausa tática na guerra é uma mentira israelita”, declarou o gabinete de imprensa do Hamas. “Exigimos que os criminosos da ocupação, incluindo os dirigentes políticos e os militares, sejam julgados”, declarou o gabinete, citado pelo Filastin, jornal palestiniano ligado ao Hamas, que ainda realçou a morte de “mais de 16 mil crianças” durante a guerra e a situação “trágica” no norte do enclave devido à falta de alimentos e medicamentos.
No campo diplomático, quer Netanyahu quer o ministro da Defesa Yoav Gallant receberam o enviado do presidente Joe Biden Amos Hochstein. Os dois israelitas faziam parte do gabinete de guerra, tal como Benny Gantz, e cuja extinção foi confirmada pelo porta-voz do executivo, David Mencer. “Com a saída de Gantz do governo, não há necessidade do gabinete”, disse Mencer. A criação do gabinete foi uma exigência do líder do Partido da Unidade Nacional para fazer parte do governo de emergência resultante do início da guerra contra o Hamas. Mencer explicou que as funções daquele grupo restrito - os três homens referidos e ainda outros três ministros como observadores - vão ser assumidas pelo gabinete de segurança que até agora se limitava a aprovar as decisões do gabinete mais restrito.
O fim daquele órgão foi a resposta esperada de Netanyahu à exigência da extrema-direita em fazer parte do mesmo. Depois de no dia 9 o centrista Gantz ter saído do governo e pedido eleições, o ministro da Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir escreveu uma carta a pedir para substituir Gantz no gabinete. Dias depois, quando já se sabia que o primeiro-ministro não queria o ministro da extrema-direita religiosa junto de si para discutir a guerra, este enviou nova carta, desta vez a exigir uma reunião do gabinete de segurança, e na qual acusou Netanyahu de gerir a guerra de uma “forma incógnita, através de fóruns restritos”.
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