Um dia depois de o cronómetro na Praça dos Reféns ter sido parado quando marcava 843 dias, 12 horas, 5 minutos e 59 segundos, assinalando que o corpo do último israelita levado para a Faixa de Gaza no ataque de 7 de outubro de 2023 tinha voltado a casa, centenas de israelitas despediram-se de Ran Gvili. Entretanto, no enclave palestiniano, continua a espera pela reabertura da fronteira de Rafah com o Egito.“O enterro de Ran Gvili põe fim à dolorosa realidade da existência de reféns israelitas na Faixa de Gaza, vivos e mortos”, disse o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, no funeral na localidade de Meitar (sul de Israel). Mas reiterou que Israel está determinado a “desmantelar o Hamas”, que levou cerca de 250 reféns para o enclave palestiniano, que foram sendo libertados aos poucos. Gvili era o último que faltava entregar.O presidente Isaac Herzog disse que todo o país chora o polícia de 24 anos, que foi morto logo no dia do ataque e cujo corpo foi recuperado pelos militares israelitas num cemitério de Gaza. “Os fragmentos despedaçados dos nossos corações podem lentamente começar a reunir-se em direção à cura e à reparação”, afirmou, dizendo que Israel pode “lentamente começar” a curar-se enquanto nação.Cerca de 1200 pessoas morreram no ataque, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza que terá matado mais de 71 mil palestinianos (segundo os números das autoridades de saúde locais, controladas pelo Hamas). Muitos mais ficaram feridos e aguardam a reabertura da fronteira de Rafah para poder ter ajuda médica no estrangeiro. Outros esperam poder voltar ao enclave e reencontrar a família.A fronteira de Rafah, a única com o Egito, foi fechada depois de Israel assumir o controlo da zona do lado palestiniano, em maio de 2024. Só em raros momentos reabriu para a retirada médica de feridos mais graves. Israel disse que voltaria a abrir a fronteira para a passagem de pessoas a pé quando o último refém regressasse a casa, mas ainda não o fez.As dúvidas, do lado palestiniano, prendem-se também com saber quem será autorizado a entrar e sair - Israel já fez saber que haverá um mecanismo de inspeção, estando alegadamente a ser preparadas listas de pessoas autorizadas (com a prioridade para a saída dos feridos).