Irão: Secretário da Defesa dos EUA recusa que guerra tenha sido iniciada sem ameaça iminente

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Pete Hegseth, secretário da Defesa dos EUA.
Pete Hegseth, secretário da Defesa dos EUA.EPA/OLIVIER HOSLET

Emirados Árabes Unidos dizem que não se pode confiar no Irão sobre o estreito de Ormuz

Um alto responsável dos Emirados Árabes Unidos considerou esta sexta-feira que o Irão não é um parceiro fiável para garantir a segurança no estreito de Ormuz, sublinhando o clima de desconfiança que marca as negociações para terminar o atual conflito na região.

Segundo a Reuters, Anwar Gargash, conselheiro presidencial dos Emirados, afirmou que “a vontade coletiva internacional e as disposições do direito internacional” devem ser a principal garantia da liberdade de navegação naquele corredor estratégico. “E, claro, nenhum acordo unilateral iraniano pode ser confiado ou considerado fiável após a sua agressão traiçoeira contra todos os seus vizinhos”, escreveu.

O estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo e gás, permanece em grande parte fechado devido a um bloqueio imposto por Teerão, enquanto a marinha dos Estados Unidos impede a exportação de crude iraniano. A situação tem provocado uma subida significativa dos preços da energia e alimentado receios de desaceleração económica global.

Apesar de um cessar-fogo em vigor desde 8 de abril, os esforços diplomáticos para resolver o conflito continuam num impasse. A incerteza agravou-se com notícias de que o Presidente norte-americano, Donald Trump, teria tido um briefing na quinta-feira sobre novos planos de ataques militares para pressionar o Irão a negociar, cenário que fez disparar os preços do petróleo para máximos de quatro anos.

Fontes iranianas ouvidas pela Reuters indicam que Teerão ativou sistemas de defesa aérea e prepara uma resposta “ampla” em caso de ataque, antecipando uma eventual ofensiva curta mas intensa por parte dos Estados Unidos, possivelmente seguida de uma ação militar de Israel.

Até ao momento, Washington não clarificou os próximos passos. Trump já manifestou desagrado com a proposta mais recente apresentada pelo Irão, enquanto o Paquistão, que atua como mediador, ainda não marcou nova ronda de negociações.

O secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, rejeitou acusações dos senadores democratas de que a guerra com o Irão foi lançada sem provas de ameaça iminente e conduzida sem estratégia coerente.  

Nas declarações de abertura de uma audiência no Comité de Serviços Armados do Senado na quinta-feira, Hegseth chamou os legisladores democratas de "pessimistas imprudentes" e "derrotistas das cadeiras da retaguarda" que não reconheceram os muitos sucessos das forças armadas contra a República Islâmica do Irão.  

Hegseth disse que o Presidente Donald Trump teve a coragem "ao contrário de outros presidentes, de garantir que o Irão nunca obtenha uma arma nuclear e que a sua chantagem nuclear nunca tenha sucesso".

"Temos o melhor negociador do mundo a conduzir um grande acordo", asseverou.  

O senador Jack Reed, o democrata mais importante do comité, argumentou que a guerra com o Irão deixou os Estados Unidos numa posição estratégica pior. "O Estreito de Ormuz está fechado, os preços dos combustíveis dispararam e 13 militares americanos foram mortos", afirmou Reed.

"Estou preocupado de que tenha estado a dizer ao Presidente o que ele quer ouvir em vez do que ele precisa ouvir," sublinhou Reed.

"Garantias ousadas de sucesso não são um serviço, tanto para o comandante-em-chefe, quanto para as tropas que arriscaram as suas vidas com base nelas", adiantou.

Reed também criticou Hegseth pelos despedimentos de altos líderes militares no Pentágono e sugeriu que o secretário da Defesa tinha um interesse imenso pelo Cristianismo e pelo nacionalismo, mas falhava em reconhecer as conquistas de mulheres e pessoas de cor nas forças armadas.

O senador democrata realçou que 60% de cerca de duas dezenas de oficiais despedidos por Hegseth eram mulheres ou negros.

Hegseth respondeu que qualquer despedimento é baseado no desempenho e que os líderes anteriores do Pentágono "estavam focados na engenharia social, raça e género", de formas "pouco saudáveis para o departamento".

"O nosso departamento permite uma multiplicidade de crenças", afirmou Hegseth. "Não sei o que está a sugerir. Já ouvi coisas do género, que pessoas como você sugerem, para tentar manchar o meu caráter, e não vou ceder a isso", sublinhou.

 O comité do Senado foi convocado para discutir a proposta de orçamento militar de 2027 da administração Trump, que aumentaria os gastos com Defesa para um recorde de 1,5 biliões de dólares.

Hegseth e o presidente do Estado-Maior Conjunto, o general Dan Caine, têm salientado a necessidade de mais 'drones', sistemas de defesa de mísseis e navios de guerra.

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