Com as ondas do choque energético ainda a reverberar a partir do estreito de Ormuz para o mundo, o regime iraniano deu nova prova de vida numa mensagem atribuída ao novo guia supremo, Mojtaba Khamenei, que estará ferido e ainda não se mostrou em público. Assumiu o bloqueio da passagem do golfo Pérsico para o golfo de Omã como uma ferramenta de pressão, ameaçou atacar as bases dos Estados Unidos na região e exigiu o pagamento das reparações de guerra. Numa mensagem lida na televisão estatal iraniana, e atribuída ao sucessor de Ali Khamenei, o Irão não dá sinais de compromisso. “A alavanca do encerramento do estreito de Ormuz deve certamente continuar a ser utilizada”, disse. Uma alavanca que fez disparar o preço do petróleo e do gás e cujas consequências começam a ser sentidas ao nível global. Na quinta-feira, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros reafirmou que as embarcações de países sem ligações aos EUA e Israel podem navegar por Ormuz desde que em coordenação com Teerão. Majid Takht-Ravanchi também negou que o seu país tenha minado as águas do estreito.A mensagem atribuída a Khamenei alerta que o Irão pode abrir novas frentes na guerra que está a caminho da segunda semana. “Foram realizados estudos relativamente à abertura de outras frentes nas quais o inimigo tem pouca experiência e estará severamente vulnerável, sendo que a sua ativação terá lugar caso o estado de guerra continue.” O novo guia supremo também apelou aos países da região para fecharem as bases norte-americanas nos seus territórios: “Se estes permitirem que os Estados Unidos utilizem bases militares situadas no seu território”, o Irão ver-se-á “forçado a prosseguir os ataques” contra os países vizinhos. Apelou igualmente a que “esclareçam as suas posições em relação aos agressores”. . Além disso, Mojtaba Khamenei exigiu o pagamento de reparações por parte do “inimigo”. Caso contrário, prometeu destruir bens na mesma medida. A mensagem incluiu ainda uma palavra de agradecimento aos membros do “eixo da resistência”, as milícias pró-iranianas que atuam na Palestina, Iraque, Iémen e Líbano. Neste último país, Israel continua a fazer ataques em “larga escala” no sul, nos subúrbios a sul de Beirute, mas agora também no centro da capital depois de o partido-milícia Hezbollah continuar a lançar ataques coordenados com o Irão contra Israel.O tom de desafio do Irão prosseguiu com o chefe do Conselho de Segurança Nacional a afirmar que Donald Trump não irá sair impune pela guerra desencadeada. “Trump disse novamente ‘Temos de ganhar esta guerra rapidamente.’ Iniciar uma guerra é fácil, mas terminá-la não acontecerá com alguns tuites. Não o deixaremos sair impune até admitir o erro e pagar o preço”, declarou. O presidente dos Estados Unidos, na sua rede social, disse que o seu país está a ganhar muito dinheiro com o aumento do preço do petróleo, mas que é de “muito maior interesse e importância” para o próprio Trump “impedir que um império maligno, o Irão, obtenha armas nucleares e destrua o Médio Oriente e, de facto, o mundo”.Segundo os serviços de informações dos Estados Unidos, o regime iraniano não mostra sinais de colapso, apesar de a campanha aérea ter matado dezenas de dirigentes da teocracia, disseram fontes à CNN.E aindaQuatro milhões em fugaAté 3,2 milhões de iranianos foram forçados a abandonar as suas casas, muitos dos quais a trocarem as cidades por áreas rurais, segundo as Nações Unidas. Já no Líbano o número de deslocados pode chegar nos próximos dias a um milhão, uma percentagem muito superior à do Irão.Pedido de destituiçãoA representante democrata Rashida Tlaib pediu a demissão do secretário da Guerra Pete Hegseth e a destituição do presidente dos Estados Unidos face às notícias que atribuem ao seu país a responsabilidade pelo ataque que atingiu uma escola, tendo morto pelo menos 175 iranianos, quase todas meninas.Primeira faturaA primeira semana da guerra dos EUA contra o Irão custou no mínimo 11,3 mil milhões de dólares, ou 9,8 mil milhões de euros, segundo disseram chefias militares a uma comissão do Congresso. A estimativa não inclui os custos de mobilização. Além disso, segundo o senador Chris Coons, acrescem pelo menos 10 mil milhões de dólares para substituir as munições gastas.Irão rejeita resoluçãoO embaixador do Irão nas Nações Unidas rejeitou a resolução do Conselho de Segurança que condenou o seu país pelos ataques retaliatórios aos países vizinhos, considerando o texto “injusto e ilegal”. Apresentado pelo Bahrein, o projeto de resolução foi aprovado com 13 votos a favor e a abstenção da Rússia e da China. Para Amir-Saeid Iravani, o seu país exerceu o direito à legítima defesa de acordo com a Carta das Nações Unidas. Também alegou o uso pelos EUA de territórios de países terceiros na região para lançar ataques militares como ato ilícito.