Pela segunda vez em duas semanas, o presidente norte-americano, Donald Trump, suspendeu a escalada de ataques contra o Irão, alegando, na madrugada deste domin, que o fazia a pedido dos próprios iranianos e de outros países no Médio Oriente. E que esse gesto está dependente de um acordo rápido para travar as ambições nucleares de Teerão e reabrir o Estreito de Ormuz. Mas o Irão diz manter-se em alerta máximo.“Os EUA estão prontos para atacar a República Islâmica do Irão com níveis de terror militar, força e poder nunca vistos desde a Segunda Guerra Mundial”, escreveu Trump na Truth Social.“Apesar disso, acabámos de ser solicitados pelo Irão e por outros países do Médio Oriente a suspender qualquer ataque, dado que os parâmetros de um acordo já foram definidos”, acrescentou. “Com base neste pedido, concordei (...) em cancelar o ataque, desde que seja possível chegar a um acordo rapidamente”, concluiu..Teerão denunciou “mais uma mentira” de Trump, segundo a agência de notícias Mehr, que citou responsáveis militares iranianos. “As nossas forças estão em alerta máximo e prontas para qualquer eventualidade”, acrescentaram. Outra agência iraniana, a Fars, citando “uma fonte próxima da equipa de negociação nuclear”, indicou que “enquanto os EUA mantiverem as suas ações hostis, o Estreito de Ormuz permanecerá fechado”.A mensagem de Trump foi publicada depois de um telefonema com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman. De acordo com a agência de notícias estatal da Arábia Saudita, MBS (como é conhecido) enfatizou a “necessidade de priorizar o diálogo para reduzir as tensões” no Médio Oriente. Isto depois de Teerão alertar contra as “ações aventureiras” dos EUA, avisando que retaliaria caso os norte-americanos cumprissem as ameaças de Trump contra o Irão. O presidente tem ameaçado repetidamente lançar um ataque maciço contra as infraestruturas críticas do Irão, incluindo centrais elétricas, acabando por recuar, alegando uma iminente conquista diplomática. “Pouco progresso se seguiu, deixando ambos os lados presos num ciclo de ataques e contra-ataques”, lembrava este domingo o The New York Times, lembrando as ameaças de há duas semanas e de como Trump terá recuado para não alienar os aliados do Médio Oriente (que têm sido o alvo de Teerão para a retaliação), mas também por receios devido às cada vez mais pequenas reservas de mísseis Patriot.Trump escreveu na sua rede social que Israel estava do seu lado, mas os israelitas não reagiram e imprensa local diz que os responsáveis descobriram a suspensão dos ataques ao ler a mensagem. De acordo com a AP, o governo de Benjamin Netanyahu disse contudo ter partilhado “sérias preocupações de segurança” com os EUA em relação a outro acordo: o de desarmamento do Hamas, anunciado por Trump na quinta-feira. E que Israel não vai sair da Faixa de Gaza, acreditando que o grupo terrorista está comprometido em recuperar a sua força militar..Trump recua nos ataques ao Irão após telefonema saudita. Teerão nega ter pedido tréguas a Washington.Trump promete responder “com muita força” a ataque do Irão.EUA e Irão trocam ataques, mas Trump não crê no regresso à guerra