O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irão tem feito “avanços” nas negociações com Washington, mas manifestou ceticismo quanto à capacidade de Teerão em cumprir as exigências norte-americanas.“Fizeram avanços, mas não tenho a certeza de que alguma vez alcancem a meta”, declarou aos jornalistas o chefe de Estado norte-americano, nos jardins da Casa Branca, antes de partir para a Flórida.Donald Trump admitiu ter recebido uma nova proposta iraniana por via telefónica, mas escusou-se a revelar detalhes, sublinhando apenas que o Irão continua a pedir condições “inaceitáveis” para os Estados Unidos.“Existem opções. Queremos ir lá e simplesmente arrasá-los por completo para acabar com eles para sempre ou queremos tentar chegar a um acordo? Essas são as opções”, concluiu.O Irão apresentou, na quinta-feira, uma nova proposta para retomar as negociações com os Estados Unidos, atualmente num impasse, com o objetivo de pôr fim à guerra.Israel e Estados Unidos lançaram, em 28 de fevereiro, um ataque conjunto ao Irão, que destruiu grande parte da capacidade militar e da indústria de fabrico de mísseis e ‘drones’ de Teerão..A Casa Branca recusa para já qualquer comentário à anunciada nova proposta do Irão para retomar conversações."Não divulgamos detalhes de conversas diplomáticas privadas", disse a porta-voz Anna Kelly, que reiterou que "o presidente Trump deixou claro que o Irão jamais poderá possuir uma arma nuclear, e as negociações continuam para garantir a segurança nacional dos Estados Unidos a curto e longo prazo.".O Irão apresentou ao Paquistão, que tem servido como intermediário diplomático, uma nova proposta para retomar negociações com os Estados Unidos, segundo avançou a comunicação social estatal iraniana IRNA.As autoridades iranianas não detalharam o conteúdo da proposta, mas indicaram que o objetivo passa por criar condições para um eventual regresso às conversações formais. Também não é conhecido, ainda, se os Estados Unidos já responderam à iniciativa.Teerão tinha apresentado no início da semana uma proposta, rejeitada por Donald Trump e, segundo um artigo do 'site' norte-americano Axios, citado pela agência oficial iraniana, pretendia adiar para uma data posterior as discussões sobre o nuclear.Trata-se, porém, de uma questão central para os Estados Unidos e Israel.No âmbito das negociações em curso, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, falou na sexta-feira por telefone com os seus homólogos da Arábia Saudita, Qatar, Turquia, Iraque e Azerbaijão para abordar as mais recentes “iniciativas da República Islâmica para pôr fim à guerra”, segundo um comunicado do ministério..O governo Trump considera não precisar de autorização do Congresso para estender a operação contra o Irão, considerando que as atividades de guerra terminaram com o cessar-fogo em vigor desde 7 de abril.A posição da administração Trump, transmitida por altos funcionários citados pela Reuters, surge a poucas horas de expirar o prazo de 60 dias estipulado na Resolução sobre Poderes de Guerra para terminar a intervenção ou apresentar argumentos para a prolongar.De acordo com altos funcionários do governo citados, as hostilidades, que começaram em 28 de fevereiro, "terminaram" com o cessar-fogo acordado em 7 de abril e prorrogado na semana passada.O governo assim argumenta que o período de 60 dias para a manutenção do destacamento de forças armadas no exterior não é válido, não precisando de submeter qualquer pedido adicional ao Congresso.A lei de 1973 permite ao presidente 60 dias para conduzir uma ação militar antes de encerrá-la, procurando autorização do Congresso ou solicitando um prolongamento de 30 dias com base na "necessidade militar inevitável" para a segurança das forças armadas..Um alto responsável dos Emirados Árabes Unidos considerou esta sexta-feira que o Irão não é um parceiro fiável para garantir a segurança no estreito de Ormuz, sublinhando o clima de desconfiança que marca as negociações para terminar o atual conflito na região.Segundo a Reuters, Anwar Gargash, conselheiro presidencial dos Emirados, afirmou que “a vontade coletiva internacional e as disposições do direito internacional” devem ser a principal garantia da liberdade de navegação naquele corredor estratégico. “E, claro, nenhum acordo unilateral iraniano pode ser confiado ou considerado fiável após a sua agressão traiçoeira contra todos os seus vizinhos”, escreveu.O estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo e gás, permanece em grande parte fechado devido a um bloqueio imposto por Teerão, enquanto a marinha dos Estados Unidos impede a exportação de crude iraniano. A situação tem provocado uma subida significativa dos preços da energia e alimentado receios de desaceleração económica global.Apesar de um cessar-fogo em vigor desde 8 de abril, os esforços diplomáticos para resolver o conflito continuam num impasse. A incerteza agravou-se com notícias de que o Presidente norte-americano, Donald Trump, teria tido um briefing na quinta-feira sobre novos planos de ataques militares para pressionar o Irão a negociar, cenário que fez disparar os preços do petróleo para máximos de quatro anos.Fontes iranianas ouvidas pela Reuters indicam que Teerão ativou sistemas de defesa aérea e prepara uma resposta “ampla” em caso de ataque, antecipando uma eventual ofensiva curta mas intensa por parte dos Estados Unidos, possivelmente seguida de uma ação militar de Israel.Até ao momento, Washington não clarificou os próximos passos. Trump já manifestou desagrado com a proposta mais recente apresentada pelo Irão, enquanto o Paquistão, que atua como mediador, ainda não marcou nova ronda de negociações..O secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, rejeitou acusações dos senadores democratas de que a guerra com o Irão foi lançada sem provas de ameaça iminente e conduzida sem estratégia coerente. Nas declarações de abertura de uma audiência no Comité de Serviços Armados do Senado na quinta-feira, Hegseth chamou os legisladores democratas de "pessimistas imprudentes" e "derrotistas das cadeiras da retaguarda" que não reconheceram os muitos sucessos das forças armadas contra a República Islâmica do Irão. Hegseth disse que o Presidente Donald Trump teve a coragem "ao contrário de outros presidentes, de garantir que o Irão nunca obtenha uma arma nuclear e que a sua chantagem nuclear nunca tenha sucesso"."Temos o melhor negociador do mundo a conduzir um grande acordo", asseverou. O senador Jack Reed, o democrata mais importante do comité, argumentou que a guerra com o Irão deixou os Estados Unidos numa posição estratégica pior. "O Estreito de Ormuz está fechado, os preços dos combustíveis dispararam e 13 militares americanos foram mortos", afirmou Reed."Estou preocupado de que tenha estado a dizer ao Presidente o que ele quer ouvir em vez do que ele precisa ouvir," sublinhou Reed."Garantias ousadas de sucesso não são um serviço, tanto para o comandante-em-chefe, quanto para as tropas que arriscaram as suas vidas com base nelas", adiantou.Reed também criticou Hegseth pelos despedimentos de altos líderes militares no Pentágono e sugeriu que o secretário da Defesa tinha um interesse imenso pelo Cristianismo e pelo nacionalismo, mas falhava em reconhecer as conquistas de mulheres e pessoas de cor nas forças armadas.O senador democrata realçou que 60% de cerca de duas dezenas de oficiais despedidos por Hegseth eram mulheres ou negros.Hegseth respondeu que qualquer despedimento é baseado no desempenho e que os líderes anteriores do Pentágono "estavam focados na engenharia social, raça e género", de formas "pouco saudáveis para o departamento"."O nosso departamento permite uma multiplicidade de crenças", afirmou Hegseth. "Não sei o que está a sugerir. Já ouvi coisas do género, que pessoas como você sugerem, para tentar manchar o meu caráter, e não vou ceder a isso", sublinhou. O comité do Senado foi convocado para discutir a proposta de orçamento militar de 2027 da administração Trump, que aumentaria os gastos com Defesa para um recorde de 1,5 biliões de dólares.Hegseth e o presidente do Estado-Maior Conjunto, o general Dan Caine, têm salientado a necessidade de mais 'drones', sistemas de defesa de mísseis e navios de guerra.