O Irão está preparado para fazer compromissos de forma a alcançar um acordo nuclear com os EUA se os norte-americanos estiverem dispostos a levantar as sanções, disse este domingo (15 de fevereiro) o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Majid Takht-Ravanchi, à BBC. Teerão e Washington voltam, esta terça-feira (17 de fevereiro), a sentar-se à mesa das negociações, em Genebra (o primeiro encontro foi em Omã, no dia 6), mas Israel mantém o ceticismo em relação a um acordo e o reforço militar dos EUA continua na região. .Irão descreve como "um bom começo" negociações com os EUA em Omã. E diz que vão continuar.O vice-ministro defende que cabe aos EUA “provar que querem fechar um acordo”, citando a oferta iraniana para diluir o seu urânio enriquecido a 60% como prova da disponibilidade para fazer concessões. “Estamos prontos para discutir esta e outras questões relacionadas, se estiverem dispostos a falar sobre as sanções”, referiu. Outro responsável iraniano disse que Teerão está à procura de um acordo que traga benefícios económicos aos dois lados. “Os interesses comuns nos campos de petróleo e gás, nos investimentos mineiros e até nas compras de aviões estão incluídos nas negociações”, disse o vice-diretor de diplomacia económica do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Hamid Ghanbari, segundo a agência de notícias semioficial Fars.O presidente norte-americano, Donald Trump, deixou claro que a sua aposta é num acordo com Teerão, ao mesmo tempo que continua a ameaçar um novo ataque contra o Irão. Um segundo porta-aviões vai a caminho da região, para pressionar os iranianos a negociar. E, na sexta-feira (13 de fevereiro), Trump disse que uma mudança de regime seria “a melhor coisa que podia acontecer”, com milhares de pessoas a participar em protestos por todo o mundo num “dia global de ação” convocado por Reza Pahlavi, filho do antigo xá que foi deposto pela Revolução Islâmica em 1979.O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que se reuniu na semana passada com Trump, disse num evento em Jerusalém que o presidente norte-americano está determinado em esgotar todas as opções para chegar a um acordo. “Não vos vou esconder que expresso o meu ceticismo em relação a qualquer acordo com o Irão, porque, francamente, o Irão é de confiança numa coisa: mente e engana”, disse Netanyahu. O primeiro-ministro indicou ainda os pontos que considera importantes num acordo: “todo o material enriquecido deve sair do Irão”, “não deve haver capacidade de enriquecimento”, deve limitar a 300 km o alcance dos seus mísseis balísticos e deve deixar de financiar o “eixo do terror” (Hamas ou Hezbollah). Teerão deixou claro que só aceita negociar o nuclear e não abdica de enriquecer urânio para fins civis.