O líder do Conselho de Segurança do Irão, Ali Larijani, avisou esta terça-feira (10 de março) o presidente dos EUA que os iranianos “não temem ameaças vazias”, dizendo a Donald Trump para ter cuidado “para não ser eliminado”. A ameaça foi feita no X, com a partilha de uma mensagem em que Trump avisava que podia atingir o Irão com “20 vezes mais força” do que até agora, caso Teerão bloqueie a passagem dos petroleiros pelo estreito de Ormuz. .“O estreito de Ormuz será um caminho de paz e prosperidade para todos ou um caminho de derrota e sofrimento para os belicistas”, disse noutra mensagem Larijani, mostrando que a aposta do regime iraniano é prolongar a guerra para atingir a economia mundial. . Trump disse numa entrevista à CBS, na segunda-feira (9 de março), que equaciona assumir o controlo do estreito de Ormuz, para garantir que fique aberto. Esta terça-feira (10 de março), o secretário da Energia, Chris Wright, anunciou no X que um petroleiro tinha sido escoltado pela Marinha dos EUA pelo estreito de 39 km de largura. Mas depois apagou a mensagem, com a informação a ser negada pela Casa Branca e pelo Irão. Só petroleiros iranianos têm saído.O bloqueio do estreito, assim como o facto de as infraestruturas petrolíferas da região estarem a ser atingidas por ambos os lados, provocou o aumento dos preços do petróleo - que já se sente nas bombas de gasolina dos EUA. Isso aumenta a pressão sobre Trump, que na segunda-feira (9 de março) admitiu que a guerra podia acabar “em breve” (animando as bolsas que de imediato ficaram no verde). Mas depois numa conferência de imprensa disse que não ia desistir “até o inimigo ser derrotado total e decisivamente”, ao mesmo tempo que dizia que se acabasse agora já seria “um sucesso” mas que ia continuar.“Acabaremos com a guerra no nosso tempo, quando escolhermos”, afirmou por seu lado o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciando que esta terça-feira seria o “mais intenso” em matéria de ataques contra o Irão. O chefe do Estado-maior conjunto, general Dan Caine, descreveu a guerra como “um caos perfeitamente organizado”, dizendo que o Irão está a dar luta, mas não é mais forte que os EUA. O chefe da diplomacia israelita, Gideon Sa’ar, indicou que Israel também não procura uma “guerra sem fim” e que coordenará com os EUA quando acabar com os bombardeamentos. Mas sem um calendário e aparentemente sem uma estratégia clara, com confusão logo ao dizer quais são os objetivos do conflito - destruição do programa nuclear, as infraestruturas de produção de mísseis ou mudança de regime? O chefe da diplomacia iraniano, Abbas Araghchi, rejeitou entretanto o otimismo de Trump sobre o fim da guerra, dizendo que o seu país está pronto a continuar os ataques “enquanto for necessário” e rejeitando a ideia de negociar com Washington. O presidente dos EUA admitiu possíveis negociações de paz condicionadas com Teerão para acabar com a guerra. Mas numa entrevista à PBS News, Araghchi lembrou que Teerão teve “uma experiência muito amarga a falar com os americanos”, rejeitando retomar o diálogo. EUA e Irão estavam a negociar quando Washington se juntou a Israel para os bombardeamentos de junho e estavam numa nova ronda de diálogo, quando começou a guerra..Irão dá sinal de reforço da linha dura, mas Trump diz que a guerra está a caminho do fim