Irmãs de Felipe VI e a vacina em Abu Dhabi: "Deram-nos essa possibilidade e aceitámos"

Infantas Elena e Cristina foram vacinadas durante uma viagem para ver o pai, o rei emérito Juan Carlos I, saltando lista de prioridades em Espanha. Nenhuma delas faz já parte da família real.

As infantas Elena e Cristina, que foram vacinadas contra a covid-19 durante uma viagem para ver o pai em Abu Dhabi, justificaram esta quinta-feira a decisão, que está a gerar polémica em Espanha.

"Tanto a minha irmã como eu fomos visitar o nosso pai e, com o objetivo de ter um passaporte sanitário que nos permitisse fazê-lo regularmente, deram-nos a possibilidade de nos vacinarmos e aceitámos", indicaram as irmãs, segundo um comunicado citado pelo El Mundo.

"Não fosse por esta circunstância e teríamos esperado para receber a vacina em Espanha, quando fosse a nossa vez", acrescentaram as irmãs do rei Felipe VI.

A vacinação contra a covid-19 das irmãs do rei de Espanha em Abu Dhabi está a provocar polémica, com o partido de extrema-esquerda Podemos, no Governo, a denunciar os "privilégios" que contribuem para o "descrédito" da monarquia espanhola.

De acordo com os diários El Confidencial (digital) e El Mundo as infantas Elena e Cristina foram vacinados, à margem do protocolo em vigor em Espanha, durante uma viagem aos Emirados Árabes Unidos para visitar o seu pai, Juan Carlos, exilado desde agosto neste país à medida que aumentavam as suspeitas sobre a origem pouco clara da sua fortuna.

Fontes da Casa Real espanhola sublinharam que o rei Felipe VI (filho de Juan Carlos) não é responsável pelas ações das suas irmãs que não fazem formalmente "parte" da família real.

O Podemos, membro minoritário da coligação governamental liderado pelo Partido Socialista (PSOE) do primeiro-ministro Pedro Sánchez, criticou fortemente a notícia.

O vice-presidente segundo do Governo e secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, considerou que os "escândalos" dos membros da monarquia espanhola, como a vacinação das Infantas Elena e Cristina em Abu Dhabi ou as ações do rei emérito, empurram o debate em Espanha para "um horizonte republicano".

Para o líder do Podemos é evidente que na sociedade espanhola há um debate sobre a utilidade da monarquia que cresce sempre que há "novos escândalos" dos seus membros e que provoca, segundo ele, uma enorme indignação.

"A sociedade espanhola não aceita que os membros da Casa Real sejam vacinados contra o novo coronavírus em Abu Dhabi quando há muitos cidadãos que estão disciplinadamente na fila à espera que haja disponibilidade de vacinas que lhes correspondem", afirmou.

A monarquia é uma das questões que dividem os dois parceiros da coligação no poder, com os socialistas a defenderem uma monarquia parlamentar, enquanto a extrema-esquerda pretende a evolução do país para um estado republicano.

A controvérsia surge menos de uma semana depois de Juan Carlos ter anunciado que iria pagar quase 4,4 milhões de euros às autoridades fiscais espanholas para regularizar a sua situação.

Esta soma deveria permitir-lhe justificar as suas obrigações fiscais decorrentes de voos realizados em aviões privados, no valor de oito milhões de euros, que foram pagos por uma fundação com sede no Liechtenstein pertencente a um dos seus primos distantes, segundo a imprensa espanhola.

Esta regularização fiscal desencadeou uma tempestade política em Espanha, com o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, na passada sexta-feira a manifestar em termos invulgarmente duros a sua "repulsa" e a da "maioria" dos espanhóis em relação à atuação "nada cívica" do antigo monarca.

As infantas, com 55 e 57 anos, não tinham ainda sido vacinadas em Espanha, onde até agora foi dado prioridade às pessoas mais velhas e vulneráveis.

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