Irlanda quer fechar orçamento da UE até ao Natal com cortes de 8%
A presidência irlandesa do Conselho da União Europeia (UE) propôs este sábado, 10 de outubro, cortes de 8% na proposta comunitária de orçamento plurianual para 2028 a 2034, para um total de 1,62 biliões de euros, sem mexer na coesão e agricultura. Também deu a conhecer a urgência em fechar um acordo entre os líderes europeus até ao Natal.
“O quadro de negociação revisto que apresentamos hoje permite uma poupança de 141 mil milhões de euros face à proposta inicial da Comissão, mantendo, ainda assim, um aumento significativo em relação ao volume do atual Quadro Financeiro Plurianual”, anunciou em conferência de imprensa, em Bruxelas, o ministro irlandês para os Assuntos Europeus, Thomas Byrne.
De acordo com o responsável, “isto corresponde a uma redução de 8% em relação à proposta da Comissão”, resultando numa “proposta equivalente a 1,16% do Rendimento Nacional Bruto da União Europeia”, num total de 1,62 biliões de euros face à proposta da Comissão Europeia, que ascendia a 1,76 biliões de euros a preços constantes (e 1,98 biliões de euros a preços correntes).
“Introduzimos revisões sob a forma de ajustamentos e poupanças que refletem as prioridades claramente definidas pelos Estados-membros para cada programa”, indicou.
Ainda assim, Thomas Byrne salientou a manutenção da “ambição de dar resposta às prioridades políticas novas e emergentes do nosso orçamento, ao mesmo tempo que se apoiam políticas fundamentais, como a Política Agrícola Comum e a política de coesão”. As dotações nacionais também foram mantidas face à proposta divulgada em junho passado, adiantou.
Thomas Byrne espera que "seja possível chegar a um acordo até ao Natal, pelas razões que temos vindo a expor há muito tempo". Como afirmou, "se queremos que os cidadãos europeus e a economia europeia beneficiem deste Quadro Financeiro Plurianual [QFP] a partir de 01 de janeiro de 2028, temos de chegar a acordo antes do natal”.
Esta nova proposta surge antes da reunião do Conselho Europeu da próxima semana, dedicada, entre outros temas, ao próximo QFP, que definirá as prioridades e os limites de despesa da UE entre 2028 e 2034.
“Ao longo do verão e nas últimas semanas, reunimo-nos com todos para avaliar até onde poderíamos chegar e esta proposta servirá agora de base à continuação das negociações, com o objetivo de os líderes chegarem a um acordo definitivo até ao final do ano. Nenhum Estado-membro conseguirá obter tudo o que pretendia numa proposta deste tipo, mas consideramos que há nela algo que vai ao encontro dos interesses de cada um dos países, bem como algo que beneficia todos os cidadãos europeus”, defendeu Thomas Byrne.

