Instalação militar, petrolífera ou nuclear? Os alvos iranianos na mira de Israel
Depois do primeiro ataque direto iraniano, em abril, Israel respondeu de forma contida, destruindo sistemas de defesa numa base militar perto de Isfahan - a maior central de investigação nuclear do Irão. Tudo aponta para que a retaliação ao segundo ataque, na passada terça-feira, seja mais musculada. Mas até onde estarão os israelitas dispostos a ir? Vão bombardear de novo uma base militar, atacar a economia de Teerão atingindo as infraestruturas petrolíferas ou arriscarão visar o programa nuclear?
O ataque iraniano de terça-feira foi menor do que o de abril em número de projéteis usados (180 em vez de cerca de 300), mas mais grave porque desta vez só foram usados mísseis balísticos, que demoram 12 minutos a chegar a Israel a partir do Irão. Há seis meses, foram usados também drones e mísseis de cruzeiro, sendo que os primeiros demoram até nove horas a chegar aos alvos. Além disso houve um aviso prévio do ataque da parte de Teerão.
Esse alerta não foi dado agora - os EUA lançaram o aviso algumas horas antes - e, apesar de o sistema de defesa israelita e dos aliados ter abatido a maior parte dos mísseis, houve alguns impactos. O Irão disse que o seu alvo eram três bases militares, mas Israel garantiu que não foram danificadas infraestruturas críticas. Pela natureza do ataque, acredita-se contudo que a retaliação israelita será maior, sendo que o mais natural seria visar igualmente instalações militares.
Mas o governo de Benjamin Netanyahu estará a equacionar várias opções, sabendo que os aliados norte-americanos são contra visar as infraestruturas nucleares. O presidente dos EUA, Joe Biden, admitiu estar a discutir com os israelitas um ataque às instalações petrolíferas - fazendo disparar ainda mais o preço do petróleo, que já estava a subir desde o ataque iraniano.
O ex-chefe de governo, Naftali Bennett, é um dos que defende que Israel deve aproveitar para “destruir o programa nuclear iraniano” - atrasando ainda mais a possibilidade de Teerão produzir uma arma nuclear (algo que o regime continua a negar querer fazer). Além de Isfahan, outro alvo poderá ser o centro de enriquecimento de urânio de Natanz. Mas a maior parte das infraestruturas nucleares são subterrâneas, sendo mais complicado atingi-las.
Nesse aspeto, atacar os campos petrolíferos que são mais e estão menos protegidos seria mais fácil. O Irão tem 1,6 milhões de quilómetros quadrados, uma área quase 75 vezes maior do que a de Israel, sendo impossível proteger tudo. Além disso, o sistema de defesa iraniano não se compara ao israelita, apesar do alegado reforço dos aliados russos.
O problema de atacar as infraestruturas petrolíferas é o Irão poder retaliar atingindo essas mesmas instalações nos países do Golfo, causando um aumento global do preço do petróleo. Um cenário que não agrada à atual Casa Branca, podendo beneficiar a candidatura de Donald Trump - algo que pode não desagradar a Netanyahu, que se tem apresentado mais próximo das ideias do republicano.
susana.f.salvador@dn.pt

