"Impossível" manter uma postura de "negócios como sempre" com a Rússia

Palavras do presidente polaco, Andrzej Duda, no primeiro discurso de um chefe de Estado estrangeiro no parlamento ucraniano desde início da guerra.

O presidente da Polónia disse neste domingo que manter uma postura de "negócios como sempre" com a Rússia é impossível após os supostos assassinatos em massa de civis ucranianos e crimes de guerra atribuídos às forças de Moscovo.

Centenas de corpos civis foram encontrados em cidades perto de Kiev anteriormente ocupadas por tropas russas, como Bucha e Borodianka. E a cidade portuária de Mariupol, no sudeste ucraniano, está em ruínas após um cerco russo de semanas que as autoridades ucranianas dizem ter matado pelo menos 20 mil civis.

"Depois de Bucha, Borodianka, Mariupol, não pode haver 'negócios como sempre' com a Rússia", disse o presidente polaco Andrzej Duda, em Kiev, no primeiro discurso de um chefe de Estado estrangeiro no parlamento ucraniano desde o início da guerra em 24 de fevereiro.

"Um mundo honesto não pode voltar aos negócios como sempre esquecendo os crimes, as agressões, os direitos fundamentais que foram esmagados", acrescentou.

Duda lamentou que alguns países europeus tenham pedido à Ucrânia que "aceite certas exigências" do presidente russo, Vladimir Putin, pelos seus interesses económicos ou ambições políticas.

Falando na presença do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, ele alertou que qualquer concessão de território ou soberania ucraniana seria um "grande golpe" para a Ucrânia e o Ocidente.

"Somente a Ucrânia tem o direito de decidir seu futuro... Não pode haver negociações ou decisões tomadas nas costas da Ucrânia", disse Duda, elogiando o país por defender a Europa contra uma "invasão bárbara e o novo imperialismo russo".

Duda também destacou "uma união histórica" ​​entre a Polónia e a Ucrânia, falando do "futuro comum dos países dentro da União Europeia" e dizendo que uma candidatura ucraniana bem-sucedida seria graças a Varsóvia. "Pessoalmente, não descansarei até que a Ucrânia passe a ser membro da União Europeia", afirmou Andrzej Duda.

A Ucrânia solicitou a adesão ao bloco de 27 países, mas líderes como o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Olaf Scholz disseram que o processo levará tempo.
Zelensky agradeceu a Duda pela "sua visita, seu apoio e sua verdadeira amizade", num post no Instagram.

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