Fundado pouco depois da revolução islâmica em 1979, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica obedece apenas ao guia supremo - na altura o ayatollah Khomeini, hoje o seu sucessor, Ali Khamenei - e a sua tarefa é proteger o regime de ameaças tanto externas como internas. A Guarda Revolucionária - ou Guardas da Revolução, como também são conhecidos - é a arma da repressão do regime. Os Guardas da Revolução, criados por o novo regime suspeitar que as tradicionais Forças Armadas (Artesh) pudessem ser leais ao xá deposto, tem atualmente cerca de 180 mil efetivos. A Artesh continua contudo a existir, com à volta de 340 mil membros e o foco na proteção das fronteiras e na defesa. É considerada mais profissional e apolítica.Os Guardas da Revolução têm Exército, Força Aérea e Marinha, mas também Força Aerospacial (controla o programa de mísseis iraniano), contando ainda com unidades de Inteligência e Cibersegurança. Mas incluiem também a milícia paramilitar de voluntários Basij (responsável pela segurança interna) e a Força Quds (criada para operações no estrangeiro). Esta última ganhou destaque com a morte do seu líder, o general Qasem Soleimani, num ataque norte-americano em Bagdad, em janeiro de 2020..Teerão. Multidão grita "Morte à América" e ayatollah chora junto ao caixão de Soleimani.Outrora toda poderosa, a Guarda Revolucionária ainda está a recuperar dos golpes sofridos nos 12 dias de guerra com Israel, em junho, quando dezenas de comandantes foram mortos (obrigando a uma reestruturação interna). E dos vários reveses nos outros cenários de conflito em que tem interferido como parte do Eixo de Resistência iraniano, apoiando o Hamas na Faixa de Gaza, o Hezbollah no Líbano ou milícias e grupos armados no Iraque, na Síria ou no Iémen.Mas nada disso afetou a sua capacidade de repressão interna, já que Israel concentrou a sua estratégia na decapitação da liderança, assim como no programa nuclear e de mísseis, deixando a milícia Basij praticamente ilesa. O seu responsável, o brigadeiro general Gholamreza Soleimani (sem parentesco com Qasem), está no cargo desde 2019, não tendo sido visado por Israel.Esta milícia, cujo nome significa “mobilização” em farsi, atua como força de segurança interna, responsável por policiar o comportamento moral, reprimir a dissidência, vigiar universidades e outras instituições. Em alturas de contestação (e esta não é a primeira vez que os iranianos saem para a rua a exigir o fim do regime), costuma ser a primeira linha de defesa, com os seus membros a infiltrarem-se entre os manifestantes. .Irão ameaça atacar as bases americanas se for atacado pelos EUA e anuncia execução de manifestantes